Durante os dias 1, 2 e 3 de setembro realizou-se em Vilar de Perdizes, Montalegre, a 31ª edição do Congresso de Medicina Popular. Para além do esotérico, da espiritualidade e das superstições, novos temas fizeram parte do cartaz desta XXXI edição.

A abertura do Congresso na sexta-feira, dia 1, contou com a presença de Orlando Alves, presidente da Câmara Municipal de Montalegre, do Padre Fontes, figura central deste acontecimento, de João Gonçalves dos Santos, presidente da Junta de Freguesia de Vilar de Perdizes e Meixide, e de Graça Martins, diretora do Agrupamento de Escolas Bento da Cruz. Adriana Henriques, responsável pela exposição relacionada com o Padre Fontes que esteve patente durante os três dias no edifício onde se realizou o congresso, realizou uma performance na qual personificou algumas das pessoas que recorreram ao Padre por carta a pedir-lhe ajuda.
Após as intervenções, foi feita a habitual ronda pelos stands dispostos junto ao edifício da Escola Primária de Vilar de Perdizes e à exposição de plantas medicinais.
O resto da tarde e noite, assim como os restantes dois dias, foram preenchidos por conferências sobre os mais variados temas, desde crenças e superstições, o risco do consumo não racional de plantas medicinais, a haloterapia, o esotérico, entre outros. Do cartaz fizeram ainda parte a apresentação de dois livros, um concerto da Banda Unión Musical de Allariz, Espanha, e a tradicional queimada feita pelo Padre Fontes.
“Foram 31 anos a afirmar e a promover os valores culturais e patrimoniais da região. Foram 31 anos a afirmar Vilar de Perdizes. Foram 31 anos a afirmar e a colocar Montalegre no sítio onde merece e deve sempre estar. Uma terra de gente entusiasta, uma terra de gente laboriosa, e uma terra de gente com princípios e com tenacidade na defesa dos valores identitários patrimoniais”, sublinhou Orlando Alves, que garante nunca ter perdido uma única edição do Congresso de Medicina Popular de Vilar de Perdizes: “Fui e sou um fervoroso apoiante do congresso e por aqui tenho passado. Dá-me a impressão que ao longo destes 31 anos ainda não houve Congresso nenhum em que eu não tenha estado presente, algumas vezes aí desse lado, outras vezes aqui no desempenho destas funções honrosas de dar o pontapé de saída deste grande acontecimento”.
O grande impulsionador e a figura central deste evento é o Padre Fontes que fez questão de dar uma palavra de apreço à sua plateia e demonstrar o seu otimismo para com o futuro: “Já estou cheio de Congressos (risos). São 31 anos. E sempre que acontece, renovo as forças e a coragem para continuar. A vossa presença aqui dá-me gás para dizer que vale a pena. Estamos então a festejar a 31ª edição, chegámos à década dos 30, e a ver agora se chegamos à década dos 40”.

O nascimento de um novo conceito

O Padre António Joaquim, pároco de Vilar de Perdizes desde 2014 e de outras duas paróquias que anteriormente pertenciam ao Padre Fontes, tem vindo a ganhar um papel cada vez mais relevante na organização deste Congresso. O seu objetivo é incluir neste evento tudo o que contribua para o bem estar da pessoa, para melhorar a sua condição, desde a música, até à religião. Na edição deste ano, a musicoterapia – utilização da música num contexto clínico, educacional ou social com a finalidade de ajudar as pessoas no tratamento ou prevenção de problemas de saúde mental – já foi incluída no cartaz.
“Estamos a ensaiar um novo figurino que pode não suscitar a curiosidade e a atratividade que o misticismo, o esoterismo e a bruxaria associada a este evento em anos anteriores concitava, mas a verdade é que faz todo o sentido que o figurino seja este e que se promovam aqui dissertações onde o confronto entre práticas antigas pelas quais nós todos que temos 60 e mais anos passámos e aquilo que são os caminhos da medicina moderna e convencional”, explicou Orlando Alves.


Tal como o Padre Fontes, também Orlando Alves se mostrou otimista com o futuro deste Congresso, sobretudo pela importância que este tem, não só para Vilar de Perdizes, como para todo o concelho de Montalegre: “Já teve melhores dias, é verdade, mas não deixa de ser um acontecimento muito marcante para Vilar de Perdizes e para a região. Por aqui passam os estudiosos, por aqui passam supersticiosos, crentes na medicina popular, mas são sobretudo três dias de muito folclore, de promoção da cultura, de convívio, de intercâmbio entre quem está e quem vem. E isso é naturalmente muito enriquecedor para todos nós. Isto é património, e sendo património é uma âncora que pode e deve ajudar a construir a sustentabilidade da nossa terra. Só me resta agradecer ao Padre Fontes por ainda ter força suficiente para dinamizar tudo isto e também deixar uma palavra de apreço à organização porque tem sido impecável. Vilar está cada vez mais lindo e será sempre uma terra de grandes acontecimentos e uma terra de futuro.”
Segundo o autarca montalegrense, o balanço desta XXXI edição do Congresso de Medicina Popular de Vilar de Perdizes não poderia ser mais positivo. Orlando Alves louvou ainda o envolvimento “cada vez mais notório” das pessoas da localidade, em especial dos jovens, “o que dá a garantia e a satisfação de poder perspetivar uma longa vida para o Congresso.”

Maura Teixeira

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