Compras online: como devolver em 14 dias sem justificar
Quem compra a um profissional à distância tem 14 dias para desistir da compra, sem apresentar qualquer motivo. Nas compras de bens, o prazo conta-se a partir da entrega, não da data da encomenda. O regime resulta da Diretiva 2011/83/UE, transposta para Portugal pelo Decreto-Lei n.º 24/2014.

Quando começa a contar o prazo
Para bens, os 14 dias começam no dia em que o consumidor, ou um terceiro por si indicado que não seja o transportador, recebe a posse física do produto. Quem encomenda a 1 e recebe a 8 tem até ao dia 22.
Se o último dia cair num dia não útil, o prazo passa para o primeiro dia útil seguinte. Nos serviços, o prazo conta-se a partir do dia da celebração do contrato.
O direito aplica-se a compras online, por telefone e a vendas ao domicílio ou fora do estabelecimento. Não se aplica a compras a particulares: numa plataforma de anúncios, convém verificar se o vendedor é profissional ou particular.
Como comunicar a desistência
Basta comunicar a decisão ao vendedor dentro do prazo. Pode usar o formulário-tipo de livre resolução previsto na diretiva, mas o uso do modelo não é obrigatório. Qualquer declaração clara serve.
Sugestão prática: envie email ou carta registada, com o número da encomenda, a data da compra, os dados do comprador e a indicação de que exerce o direito de livre resolução. Guarde a mensagem enviada e a resposta. Não é preciso justificar a decisão.
Quem paga o envio da devolução
São dois custos diferentes:
- Envio inicial. Se o consumidor desiste, o vendedor devolve todos os pagamentos recebidos, incluindo os custos de entrega, quando aplicável.
- Devolução. O consumidor só suporta o custo direto de devolver o bem, a não ser que o vendedor se tenha comprometido a assumi-lo ou não o tenha informado de que cabia ao consumidor.
Antes de comprar, leia as condições de devolução do vendedor. Se a loja nada disse sobre o custo, a devolução não pode ser debitada ao cliente. Para produtos com defeito, o responsável pelo custo da devolução é o vendedor.
Quando recebe o dinheiro
O vendedor tem de reembolsar sem demora injustificada e, em qualquer caso, no prazo máximo de 14 dias a contar do dia em que foi informado da decisão de desistir. Pode, porém, aguardar até receber os bens de volta ou até o consumidor provar que os enviou, consoante o que acontecer primeiro.
Por isso, guarde o talão ou o comprovativo de envio dos CTT ou da transportadora, sobretudo em devoluções de maior valor.
O que fica de fora
| Tipo de compra | Direito de livre resolução |
|---|---|
| Bens feitos por medida ou claramente personalizados | Excluído |
| Bens selados que, por razões de saúde ou higiene, não possam ser devolvidos depois de abertos | Excluído depois de abertos |
| Gravações áudio ou vídeo e software informático selados | Excluído depois de abertos |
| Bens perecíveis rapidamente | Excluído |
| Bilhetes de avião, comboio, concertos, alojamento e aluguer de automóvel para data determinada | Excluído |
| Serviços já totalmente prestados, com consentimento prévio expresso | Excluído |
Se tiver dúvidas sobre uma exceção concreta, convém confirmar a categoria do produto no regime em vigor ou junto de uma entidade de defesa do consumidor, porque a lista tem condições e pode haver nuances nacionais.
Se o vendedor não informou do direito
Quando o profissional não informa o consumidor do direito de livre resolução, o prazo de desistência termina 12 meses após o fim do prazo inicial de 14 dias. Em vez de duas semanas, o comprador pode ter mais de um ano.
Na prática, convém conferir no sítio da loja se as condições de devolução estão acessíveis antes de pagar e guardar capturas de ecrã da página e da confirmação da encomenda. Se faltar a informação, essas imagens ajudam a demonstrar que o consumidor não foi avisado.
O que pode correr mal
- Contar os 14 dias desde a encomenda e não desde a receção.
- Abrir embalagens seladas de produtos de higiene, de software ou de gravações, perdendo o direito à devolução.
- Devolver o artigo sem comunicar a desistência por escrito, ficando sem prova de que o fez dentro do prazo.
- Deixar o último dia para o fim: se o envio da comunicação falhar, não há margem para corrigir.
- Não guardar a embalagem original, o que complica a devolução e a discussão com a loja.
Se a loja recusar a devolução ou demorar o reembolso para lá dos 14 dias, escreva uma segunda mensagem a lembrar o prazo e anexe o comprovativo de envio. Só depois avance para a reclamação formal.
Antes de avançar
Para confirmar o regime em vigor, consulte o portal da Direção-Geral do Consumidor (consumidor.gov.pt) e a informação sobre direitos de consumo em europa.eu/youreurope. Se a loja recusar o reembolso, reclame no Livro de Reclamações eletrónico em livroreclamacoes.pt.
Este guia é informativo e foi atualizado a 11 de outubro de 2026. As regras, prazos e valores podem mudar: confirme sempre na fonte oficial indicada em «Fontes» antes de agir.


