A Câmara de Chaves promoveu na semana passada largadas de parasitoide contra a vespa da galha do castanheiro para reduzir as consequências negativas deste inseto na produção de castanha, um setor que está “em crescimento” no concelho.

Durante uma largada que decorreu na aldeia de Bóbeda, no concelho de Chaves, o autarca flaviense, Nuno Vaz, destacou que desde 2018 que a autarquia tem “assumido” a importância de combater este tipo de inseto.

“Desde que assumimos funções que consideramos importante que Chaves tenha uma ação semelhante a outros concelhos, como o de Valpaços, principalmente na zona de Carrazedo de Montenegro [região com grande produção de castanha], pois há um conjunto de freguesias que têm uma continuidade geográfica semelhante”, realçou.

Para o autarca são necessárias ações “firmes e persistentes” para “todos os anos encontrar uma forma de combater este inseto” como forma de proteção a um setor que está “em crescimento” nos últimos anos.

Vulgarmente conhecida por vespa das galhas do castanheiro, este inseto é originário da China e ataca plantas do género ‘castanea’, induzindo a formação de galhas nos gomos e folhas, provocando a redução do crescimento dos ramos e a frutificação, podendo diminuir drasticamente a produção e a qualidade da castanha conduzindo ao declínio dos castanheiros.

O tratamento é feito através da largada do parasitoide (‘Torymus sinensis’) que irá no futuro alimentar-se da larva hospedeira madura e das pupas desde o início da primavera levando à redução de novos indivíduos da vespa.

No total, estão a ser realizadas 40 largadas no concelho, 30 da responsabilidade da autarquia e dez de juntas de freguesia.

No ano passado as largadas no concelho atingiram 100% da área de soutos num raio de largadas de três quilómetros, e de 50% num raio inferior a 500 metros.

Para este ano, o objetivo é atingir perto dos 100% num raio de largadas inferior a um quilómetro e 74% num raio inferior a 500 metros.

Tratamento com resultados a médio prazo

“Este é um inseto que se expande e a sua dispersão faz-se num raio de três quilómetros. O objetivo é fazer postura do inseto bom para que ano após ano consigamos fazer o controlo”, explicou o técnico do Gabinete

Técnico Florestal da Câmara de Chaves, responsável pelas largadas, Sílvio Sevivas.
Para o técnico, no primeiro ano das largadas não é “percetível” o tratamento, sendo necessários três ou quatro anos para se verificar a normalização da produção.

Produtores esperam evitar prejuízos

A largada em Bóbeda decorreu num souto de 400 castanheiros e o proprietário, Fernando Pires, lembrou que sem o tratamento a produção pode sofrer muito nos próximos anos.

“Já tenho tido prejuízo, pois dão menos ouriços e, claro, castanhas”, alertou o produtor, que além de castanhas produz outros produtos agrícolas no concelho.

Além de soutos, Fernando Pires conta ainda com vinhas ou pomares numa atividade familiar, mas que dá emprego também no concelho.

Apoios na agricultura

O autarca de Chaves realçou ainda que o “concelho tem um enorme potencial em termos económicos num dos setores estruturantes que é a agricultura”.

“Tem não só uma importância nos empregos que gera, mas a forma como modela a natureza, pois modela de forma integrada e humana, em termos ambientais, ecológicos e turísticos”, vincou Nuno Vaz.

Além do projeto de combate à vespa da galha do castanheiro, o presidente da Câmara de Chaves destacou ainda a criação desde 2017 de um apoio à produção pecuária “que não breve de um apoio aos produtores de porco de raça bísara no concelho.

“Queremos criar um apoio maior ao mundo rural, que esteve demasiado tempo esquecido no concelho”, concluiu.

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