Entre os dias 17 e 19 de agosto, a cidade de Chaves voltou a ser invadida pelos romanos. Uma história com mais de 2 mil anos recriada em três dias na “Festa dos Povos de Aquae Flaviae”.

O mercado galaico-romano da 6ª edição da “Festa dos Povos de Aquae Flaviae” abriu na sexta-feira, dia 17, às 19h com o habitual cortejo inaugural, que teve início na Praça de Camões, percorreu a Rua Direita, a Rua 25 de Abril, e culminou na Alameda do Tabolado, seguida do atear da chama inaugural. O encerramento deste certame que tem vindo a ganhar cada vez mais força e reconhecimento aconteceu no domingo, às 23h, com a Festa de Encerramento. Desde a abertura até ao encerramento, os flavienses e cidadãos de outros locais que visitaram a cidade de Chaves tiveram a oportunidade de assistir a centenas de espetáculos, desde musicais, bailados, simulações bélicas, atuações que envolveram o fogo, animais rastejantes, entre muitos outros.
Uma vez que não houve venda de bilhetes nem controlo das entradas, não é possível dizer um número exato de visitantes, no entanto, a autarquia flaviense estima que tenham visitado a Festa dos Povos cerca de 100 mil pessoas. “Os serviços, da análise que fizeram da circulação de pessoas nos três dias, entendem que provavelmente houve perto de 100 mil visitantes. É obvio que ao certo não sabemos porque não cobrámos bilhetes e nem havia controlo de entradas. Mas efetivamente o espaço esteve sempre cheio. Era um espaço enorme. A área alimentar também esteve praticamente sempre cheia. E à 1h da manhã ainda havia muitas pessoas a circular nesse espaço”, realçou Francisco Melo, vice-presidente da Câmara Municipal.
De acordo com Francisco Melo, tanto visitantes como expositores fazem um balanço muito positivo deste certame: “O que tive de informação no final do evento foi que havia uma grande satisfação, quer das pessoas que visitaram o espaço que gostaram da animação, quer mesmo dos comerciantes e das pessoas que tinham um espaço na área alimentar, que me referiram que em alguns casos triplicaram as vendas em relação ao ano anterior”. A questão da segurança sentida durante os três dias da Festa e a limpeza do espaço foram ainda dois pontos a destacar para o vice-presidente da autarquia flaviense: “A Feira esteve muito limpa, muito segura, não houve problema nenhum, e as pessoas andavam à vontade, de forma livre. Não houve problema com o estacionamento, bem sei que alguns estacionaram longe, mas não temos relatos de que houvesse contrariedades de qualquer natureza”.
Uma das novidades deste ano foi o alargamento da área de restauração e a sua deslocação para o parque de estacionamento localizado junto à buvette das Termas de Chaves. Os visitantes da Feira, depois de percorrerem todos os expositores, tinham à sua espera 11 tabernas com a mais variada gastronomia, desde bifanas, porco no espeto, moelas, entre outros, e também bebidas com e sem álcool para recarregarem baterias e se refrescarem do calor que se fez sentir durante todo o fim de semana. “Penso que correu bem. Acabou por ser um atrativo da feira. Ou seja, as pessoas também foram lá para estar com os amigos, conviver um pouco, beber uma cerveja, para comer uma carne assada. Mesmo os crepes, por exemplo, que tinham sempre filas enormes. A parte alimentar também faz parte do ambiente romano. Todos temos memória das aventuras do Astérix em que depois das batalhas faziam sempre grandes repastos. Por isso, penso que é uma tradição antiga nestas festividades haver sempre esse convívio na área alimentar”, afirmou Francisco Melo.
Contrariamente ao que aconteceu nas últimas edições da Festas dos Povos, este ano os Jogos Populares de Aquae Flaviae não se realizaram por falta de inscrições. Apenas uma junta de freguesia se inscreveu, e sendo jogos disputados em equipas não foi possível a sua realização. Deste modo, a autarquia afirma que em futuras edições provavelmente as inscrições serão alargadas também a clubes e associações.

Objetivo é levar a Festa dos Povos à “malha urbana”

A Festa dos Povos tem vindo a ganhar uma expressão cada vez maior, e de edição para edição o atual espaço da sua realização tem-se vindo a tornar exíguo, principalmente pelo crescente número de visitantes que se tem vindo a registar. Deste modo, o município flaviense ambiciona levar esta festa até às ruas do centro histórico da cidade: “À medida que as feiras vão crescendo e ganhando dimensão extravasam o espaço onde iniciaram. E se pudesse vir para a área urbana ainda melhor. Porque a cidade também dá um contexto bonito e um colorido ao espaço de animação. Contudo, penso que só quando ela crescer, porque neste tamanho pô-la na cidade acabaria por gerar constrições à circulação, e também teria de haver uma vontade forte dos espaços comerciais das ruas urbanas. Se houver o envolvimento da Associação de Comerciantes e dos próprios comerciantes em participar ativamente com a decoração das lojas, isto será possível”.
Em todos os dias da Festa dos Povos era praticamente impossível visitar o mercado galaico-romano e não nos cruzarmos com pessoas de outras nacionalidades, ou até com pronúncia de outras regiões do nosso país. Até ao momento das declarações de Francisco Melo (segunda-feira, dia 20), a autarquia não tinha ainda conhecimento dos números exatos relativos à ocupação da hotelaria, no entanto, devido à grande afluência de pessoas de outras zonas do nosso país e também de muitos turistas estrangeiros durante todo o fim de semana, estima-se que a ocupação hoteleira tenha rondado os 100%.
A “Festa dos Povos de Aquae Flaviae” teve a organização da Câmara Municipal de Chaves e EHATB – Empreendimentos Hidroelétricos do Alto Tâmega e Barroso.

Maura Teixeira

 

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