O Partido Socialista de Chaves quer que seja criada uma comissão técnica independente para avaliar os motivos pelos quais o Balneário Pedagógico de Vidago não está a utilizar água termal nas terapêuticas termais.

Nuno Vaz

Na sessão da Assembleia Municipal do passado dia 28 discutiu-se a proposta do grupo municipal do Partido Socialista (PS) para a criação de uma comissão técnica independente com o objetivo de se apurar as causas da falta de qualidade da água mineral natural gasocarbónica que é utilizada no Balneário Pedagógico de Investigação e Desenvolvimento de Práticas Termais de Vidago. A proposta foi chumbada pelo presidente da Câmara de Chaves e pelo grupo do Partido Social Democrata (PSD).

Já em agosto do ano passado, o líder do PS diz ter pedido esclarecimentos ao presidente da Câmara de Chaves “acerca da qualidade da água deste balneário”, sendo que já nessa altura, conta Nuno Vaz, corriam informações de que a água não estava a cumprir os parâmetros bacteriológicos para que pudesse ser usada nas práticas termais.

“Volvidos quase dez ou onze meses, somos novamente confrontados com uma situação que nos parece absolutamente preocupante porque é da imagem e do bom nome de Vidago que estamos a falar”, sublinhou Nuno Vaz na conferência de imprensa realizada na terça-feira, dia 4.
O fornecimento da água mineral natural gasocarbónica no Balneário Pedagógico de Vidago, proveniente de uma das nascentes existentes na vila, é da responsabilidade da Unicer, empresa com a qual o município de Chaves celebrou um protocolo em 2012.

“Mas pelos visto a água que chega ao balneário termal não tem qualidade, ou seja, não cumpre os parâmetros exigidos para a prática termal”, referiu o presidente concelhio do PS, acrescentando que esta situação nunca foi comunicada de forma muito clara às pessoas que se dirigiam ao balneário para práticas termais.
O líder do PS diz-se preocupado com a situação no Balneário Pedagógico de Vidago e quer saber o que está a ser feito pela autarquia para resolver este problema.

“Não faz sentido, demonstra alguma incompetência e falta de planeamento, e de alguma forma demonstra até alguma irresponsabilidade abrir um balneário termal sem garantir que esse balneário termal tem água termal que cumpra os parâmetros”, sustentou, assim como também não faz sentido, para o líder do PS local, fechar o espaço, em outubro, e tornar a abri-lo, em abril deste ano, sem que se garanta a prestação de cuidados termais com água termal e não da rede, como estaria a acontecer.

Segundo o líder da oposição local, já no ano passado foram realizadas análises à água que atestavam que a qualidade da água não estava em conformidade com os parâmetros. Uma situação, disse Nuno Vaz, que foi sendo sempre desvalorizada pelo presidente da Câmara de Chaves.

Neste contexto, o líder do PS recordou que no dia 10 de junho de 2016, data em que foi inaugurado o edifício, o presidente da Câmara de Chaves disse que “este balneário pretendia fazer regressar a vila termal de Vidago ao apogeu de outrora, alicerçada pela inigualável qualidade da oferta hoteleira”. Para além das práticas termais, lembrou Nuno Vaz, este equipamento pretendia desenvolver outras duas valências: a pedagógica, através da difusão de conhecimentos, e a científica, através de ações de investigação na área do termalismo. Nesse mesmo local, e em parceria com a Unicer, iria funcionar uma escola vocacionada para a área do termalismo.
“Neste momento é necessário resolver o problema principal que é dotar o balneário de água termal e depois disso fazer uma ação de promoção relevante”, esclareceu.

Na última Assembleia Municipal, os representantes do PS apresentaram uma proposta com três recomendações tendo como objetivo a valorização e afirmação turística e económica do Balneário Pedagógico de Vidago. No primeiro ponto era recomendado à Câmara de Chaves que constituísse “uma comissão técnica independente, composta por técnicos de reconhecido mérito científico em material termal, com o intuito de apurar as causas da falta da qualidade da água mineral gasocarbónica que chega ao balneário termal de Vidago” com vista a resolver de forma definitiva o problema. Na segunda recomendação, o Partido Socialista propunha à Câmara de Chaves iniciar “diligências no sentido de proceder à prospeção e captação de água com propriedades que permita a prática termal de índole terapêutica, garantido assim autonomia ao balneário termal de Vidago”. E por fim, recomendava-se ainda à autarquia que “no caso de se chegar à conclusão de que não há garantia de estabilidade na qualidade da água fornecida pela Unicer, e a opção enunciada no número anterior não é técnica ou economicamente viável, seja estudada a possibilidade de o balneário termal de Vidago ser fornecido pelas Águas Campilho”.

Para o Partido Socialista chegou o tempo de “apurar responsabilidades e falar a verdade às pessoas. Nós sempre nos mantivemos cautelosos com esta matéria porque não queríamos nem queremos prejudicar a imagem do balneário, mas a verdade é que chegou a hora desta questão ser resolvida”, concluiu.
De acordo ainda com Nuno Vaz, o presidente da Câmara de Chaves e a empresa Unicer reuniram no dia a seguir à Assembleia Municipal, quinta-feira, para discutir o tema, desconhecendo-se porém, até ao momento, as conclusões dessa reunião.

Cátia Portela

 

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