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Vila Pouca de Aguiar recebe largada de insetos contra a vespa-das-galhas-do-castanheiro

O concelho de Vila Pouca de Aguiar recebeu uma largada de insetos destinada a combater a vespa-das-galhas-do-castanheiro, a praga que tem afetado os soutos do norte de Portugal. A ação integra a estratégia de luta biológica seguida nas principais zonas produtoras de castanha.

Insetos contra insetos

Os insetos libertados são exemplares de Torymus sinensis, um pequeno parasitoide que é o inimigo natural da vespa-das-galhas. A fêmea deposita os ovos no interior das galhas formadas nos rebentos do castanheiro, e as larvas que nascem alimentam-se das larvas da praga. Com o tempo, a população do parasitoide aumenta e a da vespa diminui, até se atingir um equilíbrio.

Este método é considerado a solução mais eficaz e sustentável, uma vez que o controlo com produtos químicos é pouco eficaz contra uma praga que passa grande parte da vida protegida dentro dos tecidos da planta.

Escolha dos locais

As largadas são feitas em soutos selecionados pelos técnicos, tendo em conta o grau de infestação, a presença de galhas e as condições de cada local. Os produtores são envolvidos no processo e recebem orientações para não destruírem as galhas secas, onde o parasitoide passa o inverno.

  • não queimar nem remover as galhas secas dos soutos;
  • comunicar o aparecimento de novas galhas aos técnicos;
  • evitar tratamentos que possam prejudicar o parasitoide;
  • manter as árvores em bom estado sanitário.

Importância da castanha no concelho

Em Vila Pouca de Aguiar, o castanheiro faz parte da paisagem e da economia local. A castanha é fonte de rendimento para muitas explorações familiares e tem um papel relevante nas tradições e na gastronomia do concelho. A perda de produção causada pela vespa preocupa os agricultores, que veem nas largadas uma esperança de recuperação dos soutos.

Acompanhamento ao longo dos anos

A eficácia da luta biológica avalia-se ao longo de várias campanhas. Os técnicos fazem o acompanhamento dos locais de largada, verificando a instalação e a dispersão do parasitoide. A cooperação entre municípios vizinhos é essencial, porque a praga não conhece fronteiras administrativas e só uma ação coordenada em toda a região permitirá controlá-la de forma duradoura.