Pela primeira vez o distrito de Vila Real tem dois clubes nos oitavos de final da Taça de Portugal, e a próxima ronda da prova promete ser quente no Alto Tâmega, com o Benfica e visitar o Barroso, para defrontar o Montalegre.

A formação barrosã é a única representante do Campeonato de Portugal, e o desejo de ter um jogo frente a um grande foi correspondido. O Benfica terá de viajar até Trás-os-Montes para lutar pela passagem à próxima ronda.

Já o Desportivo de Chaves teve em sorte mais uma partida fora de casa, deslocando-se ao terreno do Desportivo das Aves, o atual detentor do troféu.

As partidas estão agendadas para entre 18 e 20 de dezembro, mas no caso do Montalegre-Benfica, já se sabe que a data agendada é dia 19 de dezembro, quarta-feira, ainda com a hora por decidir.

Orlando Alves: “Jogo é uma oportunidade promocional que é necessário saber aproveitar”

O sorteio dos oitavos de final da Taça de Portugal deixaram os barrosões em êxtase, com o facto de receberem um grande do futebol português. Para o presidente da Câmara Municipal de Montalegre, Orlando Alves, o jogo tem de ser encarado como uma oportunidade para mostrar do que de bom se faz na região.

“Do que na nossa parte for possível, cá estaremos para criar todas as condições para que o jogo se realize em Montalegre”, assegurou o autarca do concelho do Alto Tâmega, em reação ao sorteio.

Segundo Orlando Alves, será “importante para o clube e para a região” que o jogo se realize no Estádio Municipal Dr. Diogo Vaz Pereira, a casa do Montalegre.

O emblema transmontano do Campeonato de Portugal atingiu pela primeira vez na sua história uma fase tão adiantada da prova ‘rainha’ do futebol português e o sorteio levará a um trabalho entre clube e autarquia para garantir a receção ao Benfica.

“Não é todos os dias que um ‘grande’ do futebol vem a uma terra também grande como é Montalegre”, atirou. Admitindo que a preferência do sorteio era receber em concreto o Benfica, Orlando Alves não escondeu a satisfação pela região poder receber “um histórico do futebol português e europeu”.

Para o edil socialista, o sorteio é “um prémio” para todos os que ao longo dos anos foram “persistentes” e deram “o melhor de si” para manter o clube no calendário futebolístico nacional.

O encontro entre Montalegre e Benfica é também encarado como uma “oportunidade promocional que é necessário saber aproveitar”, e o autarca pretende “projetar uma imagem positiva do que de bom se faz na região”.
“Infelizmente ainda há muita gente que só conhece a estrada para a Costa da Caparica, mas Portugal é muito mais que a cintura de Lisboa”, afincou.

Sócio do clube da terra, mas também do Benfica, Orlando Alves garante que “não haverá tendência” e irá apoiar apenas o Montalegre no encontro dos oitavos de final da Taça de Portugal.

Vítor Pereira e João Fernandes já chegaram ao Jamor e voltam a viver sonho da taça em Montalegre

Os jogadores do Montalegre que já atingiram uma final da Taça de Portugal ao serviço do Desportivo de Chaves assumem que a receção ao Benfica é uma oportunidade para mostrar “o valor do futebol transmontano”.

João Fernandes

O defesa Vítor Pereira e o médio João Fernandes comparam o trajeto do Montalegre ao realizado na temporada 2009/2010 pelo Desportivo de Chaves, quando atingiu a final no Estádio do Jamor.

“Na altura, a história foi acontecendo, fomos passando eliminatória a eliminatória e, quando demos conta, estávamos a lutar pela ida à final, pois jogámos sempre sem pressão”, recordou Vítor Pereira.

O defesa-central, de 33 anos, lembra a temporada ao serviço do clube ‘flaviense’, que na altura militava no segundo escalão, como “histórica e completamente diferente”, após a final da Taça de Portugal perdida para o FC Porto por 2-1.

Para Vítor Pereira estar na final no Jamor é “especial para qualquer jogador, clube e adeptos, independentemente do escalão em que competem”.

“Naquele plantel tínhamos muitos jogadores transmontanos e essa mística era forte, algo que acontece agora também no Montalegre”, lembra o jogador que representou o Desportivo de Chaves num total de quatro temporadas, somando ainda passagens por Freamunde, Tondela, Bragança e Mirandela.

Vítor Pereira

O defesa natural de Chaves está já na história do Montalegre, clube do Campeonato de Portugal, pois fez o golo na terceira eliminatória da Taça de Portugal que ditou o triunfo sobre o Oriental e o atingir pela primeira vez a quarta eliminatória da competição.

Apesar das dificuldades esperadas, Vítor Pereira não atira a ‘toalha ao chão’ e quer pensar no encontro com o Benfica como “mais uma eliminatória”.

O médio João Fernandes confessa que está a viver “sensações idênticas” em Montalegre, quando recorda o trajeto pelo Desportivo de Chaves na chegada à final da Taça de Portugal.

“A ida à final foi um sentimento inexplicável, pois fizemos história e aconteceu poucos dias depois de ter nascido a minha primeira filha”, confessou o antigo capitão do Desportivo de Chaves.

Apesar de encarar o jogo frente ao Benfica como uma oportunidade única para “desfrutar”, o médio destaca que o factor casa será “importante para a eliminatória”.

“Estamos habituados a jogar com frio e em maior altitude e vamos aproveitar isso para criar dificuldades e demonstrar o nosso valor”, diz o ‘flaviense’, que, além de oito temporadas ao serviço do clube da sua terra, representou ainda Feirense, Gondomar e Mirandela.

A recuperar de uma lesão desde uma fase inicial da temporada, o jogador de 35 anos confessa que quer voltar a tempo de dar o contributo frente aos ‘encarnados’.

Diogo Caldas

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