O presidente da Associação da Rota EN2 revela que a EN2 já recebeu mais de 50 mil visitantes este ano, com os turistas a registarem gastos médios de cerca de 400 euros, o que representa um impacto económico de 20 milhões de euros para os municípios associados.

O Luís Machado participou num seminário, em formato de webinar, organizado pelo BPI sob o tema “Reinventar o turismo para a nova era”.

No encontro, via online, Carlos Abade, administrador do Turismo de Portugal, também manifestou a preocupação da instituição com a necessidade de “reforçar as competências de gestão” do setor, tendo para tal lançado o Programa BEST– Business Education for Smart Tourism, um programa nacional de capacitação que já apoiou mais de 50 mil empresários, empreendedores e gestores em temáticas como o digital, o marketing, os modelos de financiamento, a gestão financeira e operacional e os recursos humanos. Carlos Abade destacou que o Turismo de Portugal pretende “gerar confiança em todos os atores da cadeia de valor”, e tem promovido um trabalho de muita cooperação entre todas as entidades do setor no sentido de assegurar que “o próximo ano será marcado pelo reatar da atividade turística”. “A necessidade de atuar em rede e parceria tem ajudado o turismo a crescer”, concluiu.

Um exemplo do sucesso do trabalho em rede foi deixado por Luís Machado, presidente da Associação da Rota EN2. Uma parceria entre 35 municípios portugueses, a Rota EN2, demonstra que “o Poder Local é determinante para o desenvolvimento do território”, salientou Luís Machado. A Rota EN2 já recebeu mais de 50 mil visitantes em 2020, com os turistas a registarem gastos médios de cerca de 400 euros, o que representa um impacto económico de 20 milhões de euros para os municípios associados.

Ferràn Adrià, chef espanhol e fundador da elBullifoundation, aconselhou empresários a desenvolverem planos de negócio a cinco anos para dar resposta aos desafios colocados pelos efeitos prolongados da crise e o Turismo de Portugal anunciou o lançamento de uma plataforma de e-commerce com centenas de experiências em Portugal para fomentar o turismo interno.

Ferràn Adrià defende que falta formação em administração e gestão dirigida às pequenas empresas de restauração, salientando que, em Espanha, “90% dos restaurantes não fazem um orçamento anual”, pelo que poucos negócios estavam preparados para a atual crise de liquidez e solvência. O responsável considera que “gastronomia é economia” e que todas as escolas de turismo e cozinha deveriam “fomentar a formação em gestão”. O chef espanhol aconselhou os empresários a desenvolverem um plano de negócios a cinco anos, uma vez que a “crise vai ter um enfoque com esse horizonte temporal, no mínimo”. “O que faz falta é gerir bem e ter qualidade”, salientou Adrià, alertando também para a necessidade de ter “capacidade de transformação, e não necessariamente inovação”, para dar resposta aos desafios e incertezas colocados pela pandemia.

Pedro Barreto, administrador do BPI referiu que o setor do turismo “duplicou o seu peso no PIB nacional entre 2009 e 2019”, e destacou que foi o setor “que mais contribuiu para a atividade exportadora do país” nesse período. Pedro Barreto referiu ainda que os empresários “têm mostrado a atitude certa” no atual contexto, mas defendeu que o setor precisa de medidas especiais de apoio devido à pandemia.

loading...
Share.

Deixe Comentário