Montalegre viveu um grande fim-de-semana de festa e negócios com a XX Feira do Fumeiro e Presunto de Barroso. Ao longo de quatro dias, o pavilhão multiusos encheu, esteve uma tarde em directo na RTP, recebeu a visita de visitantes conhecidos, como o político Paulo Portas, e foi palco da venda de milhares de quilos de enchidos

Mais de 50 mil pessoas de todo o país rumaram no passado fim-de-semana à 20ª Feira do Fumeiro e Presunto do Barroso, que abriu portas na quinta-feira 27 de Janeiro, dia em que a neve voltou a pintar o concelho de branco, e encerrou no Domingo. Mais uma vez, o pavilhão dedicado ao certame foi demasiado pequeno para acolher tanta gente e animação assegurada pelos grupos musicais da terra.

A qualidade aliada à tradição, dois ingredientes garantidos pelos 84 produtores de fumeiro presentes e legalizados, voltaram a ditar a procura em tempos de crise. “Para comer não há crise. Tem que se comer sempre! Vem muita gente de longe. Já somos muito conhecidos!”, considerou a produtora Ana Alves, da Aldeia Nova, que só no ano passado vendeu iguarias provenientes de 32 porcos. “Sabemos que temos o produto vendido porque os clientes procuram-nos”, apontou também Rosa Carrito, de Pitões das Júnias. Mas em altura de contenção económica, as bolas de carne, alimento mais económico que o quilo de enchido, foram a “coqueluche” desta edição. O mel de Barroso, a marmelada e compotas de frutos selvagens, os chás e licores de Vilar de Perdizes foram também muito procurados.

“A Feira é, em muitos casos, a maior receita dos agregados familiares do concelho”, apontou o presidente da Câmara de Montalegre, Fernando Rodrigues, na abertura do certame, acrescentando que todos os anos os lucros superam os das edições anteriores. Acompanhado pelo vice-presidente da entidade regional de Turismo do Porto e Norte de Portugal, Júlio Meirinhos, e pelo governador civil de Vila Real, Alexandre Chaves, o edil aproveitou para, mais uma vez, lançar um apelo aos jovens da terra: “temos saber fazer, temos mercado, nada a inventar, por isso vamos agarrar este negócio! Não deixem uma multinacional ou os senhores do dinheiro pegar nele!”.

Os cerca de 20 restaurantes e os hotéis do concelho esgotaram a lotação nesse fim-de-semana. Segundo Fernando Rodrigues, entre o negócio gerado no pavilhão e o indirecto (restauração e hotelaria), “estamos perante uma facturação que ronda os 5 milhões de euros”. “Pode faltar dinheiro para muita obra, mas não para uma actividade que gere riqueza!”, rematou o edil.

Paulo Portas iniciou campanha no “S. João das Chouriças”

“Vinte anos é um marco da transição em que se olha muito para o futuro”, considerou também Fernando Rodrigues. Por isso, nesta edição, o orçamento de cerca de 80 mil euros teve uma aposta reforçada na divulgação do evento. No sábado de manhã, a estação radiofónica TSF esteve duas horas em directo com o programa “Terra a Terra”, enquanto a RTP voltou a fazer uma maratona televisiva durante a tarde, em directo, através do “Programa das Festas”. Em destaque estiveram os valores da terra, os costumes e a cultura do povo barrosão.

De boné, o líder do CDS-PP, Paulo Portas, já apelidado de “Paulinho das Feiras”, iniciou a campanha para as eleições directas do partido centrista em Montalegre, onde cumprimentou todos os expositores um a um. Aos jornalistas, não conteve o comentário: “o primeiro-ministro fica um bocadinho incomodado com o meu boné, mas continuarei a usá-lo enquanto as candidaturas do PRODER forem um pesadelo, o Ministério da Agricultura não decidir as coisas a tempo e os pagamentos aos agricultores chegarem atrasados”.

Sandra Pereira

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