Tem início hoje, sexta-feira, dia 6, o Encontro Temático “Obra, Vida e Mito: Camões por Chaves”, realizado pela Câmara Municipal de Chaves em colaboração com o Centro Interuniversitário de Estudos Camonianos da Universidade de Coimbra (CIEC).

A sessão de abertura, no auditório do Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso (MACNA), está marcada para as 10h30 e contará com a presença de José Carlos Seabra Pereira, coordenador científico do CIEC, e de Nuno Vaz, presidente da Câmara Municipal de Chaves. Às 11h será a assinatura de um protocolo de colaboração entre a Câmara Municipal de Chaves e o CIEC.
Também hoje será feita uma análise a um cancioneiro tradicional do escritor flaviense Inácio Pizarro Morais Sarmento, detentor de obras de cavalaria existentes na Biblioteca Municipal de Chaves. Ainda nesta sexta-feira, destaque para o concerto “Cantus d’Alma”, às 21h30, no auditório do Centro Cultural de Chaves.
Os diretores dos três agrupamentos escolares da cidade flaviense e também Maria Isabel Viçoso, presidente do Grupo Cultural Aquae Flaviae, que em 1997 lançou uma revista intitulada “A Família Flaviense de Luís Vaz de Camões”, irão moderar os vários temas deste encontro, tais como “Aspetos da biografia de Camões”, “A memória popular de Camões em Chaves”, “Letras e concertos de mil cores: uma versão d’Os Lusíadas para toda a Família”, “Luís Vaz de Camões, os textos, as edições”, entre outros.
Amanhã, sábado, o evento termina na aldeia de Vilar de Nantes para a apresentação pública do “Roteiro Camoniano em Chaves”, criado em parceria com o CIEC. Este roteiro tem início junto à casa dos avós paternos de Luís de Camões, onde se supõe que o poeta terá nascido, e cuja pomba, símbolo desta família, é ainda visível numa das paredes exteriores, percorre um caminho de levadas de água, e termina no Largo do Tanque, bem no coração desta aldeia.

Autarquia aposta no turismo literário

A apresentação deste roteiro à comunicação social aconteceu na passada terça-feira, dia 3 de março, e teve como guias Francisco Melo, vereador responsável pelo pelouro da Cultura na Câmara Municipal de Chaves, e Luís Costa, presidente da Junta de Freguesia de Vilar de Nantes.
“A autarquia flaviense, na tradição da memória de Camões, entendeu que seria interessante acrescentar novas valências ao turismo da nossa terra. Procurando o que de mais antigo temos e de mais valioso, veio-nos à memória que havia em Chaves a presença da família de Camões e que essa se mantém viva na memória das gentes daqui de Vilar de Nantes, e do restante concelho, desde há muitos anos. É óbvio que não temos a cédula de nascimento de Camões, penso que ninguém a tem. Se alguém a tivesse, ou diríamos de fonte segura que Camões nasceu aqui em Vilar de Nantes, ou que teria estado aqui a família dele mas ele teria nascido noutro local. O facto é que não havendo cédula de nascimento nem registo, existe aqui uma memória que tem perdurado ao longo dos tempos, que diz que os avós paternos moraram aqui. Isso para nós é significativo e mostra que realmente a partir destas terras, que é o início de Portugal, se pode construir uma rota de Camões”, explicou Francisco Melo.
Reforçando o facto de desde sempre se falar sobre a presença de Camões e da sua família na aldeia, Luís Costa destacou que a criação deste roteiro avivou ainda mais a discussão sobre a origem do poeta: “Sempre se falou [sobre a presença de Camões e da sua família]e neste momento talvez até um bocadinho mais porque se está a iniciar este roteiro. E Camões foi sempre uma referência para esta freguesia, para além do barro preto. Daí que esta iniciativa da Câmara Municipal de Chaves, em conjunto connosco, é muito bem-vinda. Estamos sempre de braços abertos a ela porque é importante dinamizar a parte turística e nós temos aqui uma série de contextos que são favoráveis para promover o turismo, desde as iniciativas culturais, até ao nosso Brunheiro, que já foi palco de eventos significativos a nível desportivo, e que queremos reativar”.
A verdadeira origem do poeta é uma incógnita. O que se sabe é que terá partido do Norte do país com a sua família e passado por Coimbra e Constância até chegar a Lisboa, e por isso estes locais reclamam também o seu nascimento. Para além da existência da casa dos seus avós paternos, outro fator que leva a crer que um dos maiores poetas de todos os tempos e o grande embaixador da língua portuguesa tenha efetivamente nascido em Vilar de Nantes é o facto de na sua obra ser descrita flora muito típica desta região. Este encontro temático, de dois dias, serve exatamente para discutir todos os indícios que demonstram que Camões terá mesmo nascido nesta aldeia localizada nos arredores da cidade flaviense.

Maura Teixeira

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1 comentário

  1. Jorge M França Santos on

    Acresce que existe investigação que admite a possibilidade de Luís de Camões ter adquirido a sua cultura clássica junto de dois tios padres, da linha materna e poder ter frequentado a biblioteca de Monterrey (Verin) dado que os referidos prelados foram párocos nesta “condado” e o seu Senhor era um dos nobres mais influentes no reinado dos reis católicos. A procura sistemática de outros fontes alternativas onde a criança e jovem Luís de Camões pudesse ter frequentado (mosteiros da ribeira sacra, em torno do rio sil; Santiago…) não foi possível identifica-lo a nível dos registos… A ligação familiar materna a Vilar de Nantes/ Chaves, a existência de padres na mesma e o fato do primeiro livro em Língua portuguesa ter sido impresso em Chaves constituem elementos que dão algum fundamento à possibilidade deste jovem (não nobre), poder ter adquirido a sua cultura nesta região.

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