A batuta do Maestro José Ferreira Lobo voltou a agitar-se em Chaves. Desta vez, a Orquestra do Norte fez-se acompanhar por um violetista de renome internacional, Avri Levitan, e um repertório clássico muito mais complexo do que o habitual. Uma “ousadia saudável” que “o público gostou”, no entender de Ferreira Lobo. Certo é que o auditório do Centro Cultural teve a lotação esgotada

Reconhecido como um dos melhores violetistas da sua geração, Avri Levitan e a Orquestra do Norte esgotaram a lotação do Centro Cultural de Chaves na sexta-feira à noite, 12 de Novembro. O instrumentista israelita interpretou o concerto para viola de Miguel Faria, uma peça de carácter contemporâneo e de técnica complexa, mas interessante, e ainda duas Danças Eslavas de Antonin Dvorák.

Presença regular em Chaves, desta vez a Orquestra do Norte quis surpreender o público flaviense com um repertório menos conhecido. “Embora o pequeno número de concertos em Chaves, a Orquestra do Norte está cá em permanência”, considerou à Voz de Chaves o Maestro José Ferreira Lobo, no final do espectáculo. Neste concerto, “cometeu-se uma ousadia saudável, que foi trazer ao público linguagem musical que não lhe é tão familiar, mas penso que teve um balanço positivo. Senti que o público gostou”, comentou.

Avri Levitan, que já pisou os palcos de grandes salas de concertos, tais como a Filarmónica de Berlim e a Vienna Konzerthaus, e andou em tournée pelos Estados Unidos, Japão e Rússia, “já é um nome maior na música a nível mundial” e não se esperava dele outra coisa senão um concerto de grande qualidade, apontou José Ferreira Lobo. Mas não veio sozinho. “Trouxe a sua aluna, Lara Fernandes, para uma obra muito complexa e foi interessante ver como uma jovem de 19 anos conseguiu dar boa resposta a um concerto tecnicamente difícil”, acrescentou o maestro, cuja primeira colaboração com Levitan ocorreu na Orquestra de Vilnius, na Lituânia.

“Tratam-se realmente de duas obras tecnicamente muito difíceis, mas muito bonitas numa atmosfera de grande intimismo. Estou muito agradado com esta ousadia e isto realça a positividade do nosso trabalho, sobretudo para a progressão de uma linguagem menos abstracta para outra mais abstracta. Faz-nos pensar que a nossa iniciação de público se fez com consistência e prova que este ouve com agrado obras desta natureza, que são a linguagem do nosso tempo”, salientou ainda o maestro.

Após a actuação dos dois solistas, a Orquestra do Norte, que concretiza desde 1992 o projecto de descentralização da cultura musical da Associação Norte Cultural – no qual a autarquia flaviense é associada e uma das câmaras fundadoras – encerrou o concerto com o próprio repertório clássico. Para o Maestro, não faltam motivos para permanecer em Chaves: “todo o público é sensível à música clássica. Ela foi feita para corresponder aos sentidos das pessoas, que desenvolvem um aspecto secundário muito importante que é a memória. Poder articular ambos faz com que as pessoas possam de concerto em concerto, de experiência em experiência, adquirir uma maior capacidade de fruição da arte musical. Também penso que dá um contributo de bem-estar às pessoas”.

Assim, “seria interessante de aumentar a frequência de concertos [em Chaves], mas a Orquestra tem um custo e também há as incontornáveis limitações orçamentais, que todos têm naturalmente de compreender”, concluiu José Ferreira Lobo.

Sandra Pereira

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