O I Aqua Fórum do Alto Tâmega teve lugar, no passado dia 30 de novembro, no Centro de Conferências do Hotel Vidago Palace, e juntou mais de duas centenas de pessoas.

Este evento foi promovido pela Comunidade Intermunicipal do Alto Tâmega (CIMAT), e teve como propósito a potencialização da água nas suas várias vertentes, enquanto valor identitário, agregador e potenciador de crescimento do território do Alto Tâmega.

A abertura da iniciativa foi feita por Nuno Vaz, presidente da Câmara Municipal de Chaves e da empresa EHATB – Empreendimentos Hidroelétricos do Alto Tâmega e Barroso, Fernando Queiroga, presidente da Câmara Municipal de Boticas e da (CIMAT), Orlando Isidoro Afonso Rodrigues, presidente do Instituto Politécnico de Bragança (IPB), João Sobrinho, secretário de Estado do Ensino Superior, e Ana Mendes Godinho, secretária de Estado do Turismo.

De seguida foi feita uma contextualização do principal tema do dia “A água como fator de bem-estar, prosperidade e autossuficiência do território do Alto Tâmega”, pela professora Helena Freitas, da Universidade de Coimbra, com a moderação de Ramiro Gonçalves, primeiro secretário executivo da CIMAT.

O primeiro painel teve como tema “Água e Energia”, o moderador foi João Noronha, presidente da Câmara Municipal de Ribeira de Pena, e os oradores foram António Sá da Costa, presidente da APREN – Associação Portuguesa de Energias Renováveis, e Sara Hoya, representante da Iberdrola.

“Água e Agricultura” foi o tema do segundo painel cuja moderação ficou a cargo de Amílcar Almeida, presidente da Câmara Municipal de Valpaços, e contou com as intervenções de Arlindo Cunha, da Universidade Católica, e Sofia Azevedo, da empresa Campo d’Água.

Após o almoço houve lugar para mais dois painéis: o primeiro intitulado “Água, Turismo e Natureza” foi moderado por Orlando Alves, presidente da Câmara Municipal de Montalegre, e teve como oradores José Pimenta Machado, vice-presidente da APA – Agência Portuguesa do Ambiente, e Artur Cardoso, do Pena Park Aventura; no segundo painel foi discutido o tema “Água e Termas”, Alberto Machado, presidente da Câmara de Vila Pouca de Aguiar, foi o moderador, e intervieram Vitor Leal, presidente da Associação de Termas de Portugal, Enrique Barreira, da Universidade de Vigo, e Maria José Alves, do IPB.

No final de cada painel foi aberto o espaço à discussão no qual a plateia pôde intervir mais ativamente e colocar questões aos oradores.

Apresentado novo Centro de Valorização e Transferência de Tecnologia da Água

Este fórum foi o momento escolhido para a apresentação do projeto “Aquavalor” por Maria Fernanda Rollo, da Universidade Nova de Lisboa, Isabel Ferreira, do IPB, e Ramiro Gonçalves. Este Centro de Valorização e Transferência de Tecnologia da Água tem como finalidade fazer da água o produto central para o desenvolvimento da região do Alto Tâmega e também de promoção do turismo. Este projeto irá ser um centro de investigação e conhecimento e reúne, para além dos seis municípios que compõem este território, 22 empresas e ainda instituições de ensino superior de Portugal e Espanha.

Na apresentação deste novo projeto foram expostas um conjunto de prioridades para o desenvolvimento do Alto Tâmega durante o próximo Quadro Comunitário 2020-2030, tais como: a capacitação da população; a implementação de medidas com efeito no aumento estrutural da taxa de emprego; o desenvolvimento do potencial termal; a utilização eficiente dos recursos e a promoção da biodiversidade; a incrementação da produção dos produtos endógenos, potenciando o empreendedorismo e incorporando inovação e conhecimento; o desenvolvimento económico assente no potencial endógeno, incluindo o desenvolvimento rural; a promoção do turismo inteligente (adoção de tecnologia, de forma contínua, de forma a aumentar a eficiência dos serviços prestados e a satisfação dos visitantes); a promoção de start-ups e do espírito empresarial; a promoção da internacionalização das PME (pequenas e médias empresas); redes integradas de serviços públicos e novos meios de prestação de serviços; a otimização da gestão e prestação em rede dos serviços coletivos existentes (educação, saúde, cultura, associativos, sociais, económicos, etc.); e-government (utilização das Tecnologias de Informação e Comunicação pelos governos para fornecer informações aos cidadãos e incluí-los no processo democrático) local e territorial; e o reforço da cooperação transfronteiriça de proximidade.

Fernando Queiroga explicou que este projeto será uma boa arma para lutar contra a perda demográfica do território do Alto Tâmega: “Nós temos potencialidades. O nosso território não está à venda, não está a saldo e queremos preservá-lo. Queremos aproveitar as nossas mais-valias, mas não o vamos dar ao desbarato, garantidamente. Vamos é promover, trazer atratividade, e neste Centro de Valorização e Transferência de Tecnologia da Água queremos, para além de estudar e de analisar as qualidades e potencialidades da água, criar novos produtos em torno da água, mas também, fundamentalmente, a capacitação de jovens, das pessoas deste território. Na CIM temos uma máxima que é atrair e reter as pessoas neste território, e faremos de tudo para isso. Garantidamente que não faremos nada que venha para o território e que afaste ainda mais pessoas”.

“A água, no Alto Tâmega, é um elemento agregador da vida”

Nuno Vaz, aquando da sua intervenção, destacou o papel importante que a água tem no território do Alto Tâmega: “A água é, de facto, o elemento presente, vital e essencial em tudo o que produzimos. Queremos que reconheçam os nossos produtos endógenos e todos eles estão ligados à água. Queremos que efetivamente o Alto Tâmega seja conhecido, mas que seja sobretudo reconhecido como o território da água. E a água, no Alto Tâmega, é um elemento agregador da vida”.

O autarca flaviense fez ainda referência aos aspetos negativos que ainda persistem no território: “Neste território temos ainda problemas de formação, de capacitação. Ainda temos identificados um conjunto de problemas no que diz respeito àquilo que é a nossa competitividade empresarial, à competitividade institucional. Por isso, é fundamental que possamos eliminar estes elementos negativos que são entraves ao processo de afirmação e desenvolvimento desta grande comunidade que é o Alto Tâmega. Todos nós temos aqui um grande desafio, e este desafio não é apenas dos outros, não é apenas dos autarcas, dos representantes das instituições públicas, ou da administração central […] Esta missão é também dos cidadãos, dos homens e das mulheres, dos jovens deste território. Todos temos em conjunto de pugnar pela afirmação deste território porque estamos confrontados com um verdadeiro desafio: conseguirmos não perder população”.

“Peço a todos e a todas que, na sua ação diária, nos ajudem a construir esta nova estratégia de afirmação deste território que é um todo solidário, coeso e equitativo. Ajudem-nos a construir essa solução, e ajudem-nos a valorizar aquilo que são os nossos recursos endógenos. Estamos convictos que o nosso futuro passa sobretudo por aquilo que temos, que somos e é isso que nós queremos afirmar. Este fórum é o primeiro passo para que possamos melhorar os nossos conhecimentos, as nossas competências, para que possamos fazer melhor, e fazendo melhor teremos um futuro mais auspicioso”, concluiu.

O encerramento do I Aqua Fórum do Alto Tâmega ficou a cargo do presidente da CCDR-N (Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte), Fernando Freire de Sousa, e do ministro do Ambiente, José Pedro Matos Fernandes, que louvou a iniciativa tecendo rasgados elogios ao trabalho conjunto desenvolvido pelos autarcas da região.

Maura Teixeira

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