O Conselho de Administração da ADERE – Peneda Gerês reuniu recentemente a fim de decidir as parcerias no âmbito da gestão do Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG), o único parque nacional português.

A reunião na qual foi acordada a gestão partilhada do PNPG no âmbito da descentralização promovida pelo atual Governo, e que tem como objetivo a aproximação dos centros de decisão ao poder local, juntou os municípios de Montalegre, Arcos de Valdevez, Melgaço, Ponte da Barca e Terras de Bouro.

Agora os municípios envolvidos passam a ter representação na Comissão de Cogestão, que irá ser criada, e vão ter a oportunidade de apresentar as suas decisões e intenções no plano de gestão que será elaborado pelos mesmos, podendo aceder a financiamento específico para este fim proveniente do Fundo Ambiental.

Orlando Alves, presidente da Câmara Municipal de Montalegre, referiu que esta gestão conjunta era algo que “se impunha que viesse a acontecer”, no entanto, teceu algumas críticas ao modelo desenvolvido: “O modelo que se implementa e que agora responsabiliza as autarquias neste processo de cogestão ainda não é o perfeito. O único parque nacional do país, com a dimensão que tem, e sobretudo porque se trata de um parque que é povoado, circunstância que dificulta muito a sua gestão quotidiana, não pode ser gerido à distância em Lisboa por uma estrutura chamada ICNF que tem a responsabilidade também da gestão de todos os de mais parques. E o modelo de instituição de um diretor especificamente para o PNPG radicado num dos concelhos do parque, e digo já que preferencialmente devia ser Montalegre, era o modelo perfeito, o modelo ideal, o modelo que se impõe. O caminho faz-se caminhando, e pode ser que em Lisboa se vá aprendendo com os erros, e nós possamos ter um dia a felicidade de ver uma equipa qualificada a pensar só o nosso parque”.

Atrair e reter pessoas no território é um dos desígnios da autarquia de Montalegre, contudo, Orlando Alves deixou uma mensagem aos potenciais visitantes do PNPG: “O que se vê é uma excessiva procura, uma procura desordenada, e uma procura ajavardada porque as pessoas saem dos seus apartamentos da cidade para conviver com a natureza, mas depois instalam-se e conspurcam a natureza. Isto é o que me irrita. Deixam o plástico, os papéis, restos de comida, e agora as máscaras… Isso é que é intolerável. Portanto, essa gente nunca deveria ter acesso a uma área tão sensível e tão importante para a biodiversidade como é o PNPG. Recentemente tive a oportunidade de assistir à abertura de um hostel em Fafião, que certamente será essencialmente ocupado pelas pessoas que vêm para descansar e para apreciar a natureza. Agora, aqueles que vêm para ajavardar e deixar tudo sujo, que se deixem lá estar porque não fazem cá falta nenhuma”.

Maura Teixeira

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