Carina Luís escreveu mais uma página brilhante na sua ainda curta história no futsal feminino. Ao serviço da seleção sub-19 de Portugal, conquistou na Argentina a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos da Juventude, a 17 de outubro. A competir na modalidade que mais gosta, atualmente representa o Nun’Álvares, equipa de Fafe, após duas épocas no GD de Chaves e da formação feita no Montalegre e Abelhas Azuis. A atleta natural de Torgueda, concelho de Montalegre, que fez 18 anos no dia 7 de novembro, concilia ainda o futsal a alto nível com os estudos, frequentando o curso de Gestão no ensino superior. À Voz de Chaves, a barrosã contou todas as aventuras que tem tido ao longo da carreira.

A Voz de Chaves: Qual a sensação de conquistar o ouro?
Carina Luís: Conquistar a medalha de ouro foi uma sensação única, incrível, algo que nunca ambicionei, mas foi muito bom e uma experiência enriquecedora para a minha vida.

Era o objetivo principal quando partiram para a Argentina?
Quando soubemos que Portugal ia participar nos jogos olímpicos, e mesmo antes, tudo o que trabalhamos até aqui, o objetivo foi sempre conquistar o ouro. Trabalhámos muito bem, durante três anos, para este objetivo, e vimos o nosso trabalho realizado.

Como correu a prova?
Foi uma prova interessante, nunca tinha estado numa competição tão elevada como esta. Foi muito bom ter participado, mas ainda melhor ter ganho. Foi diferente para nós, para o futsal português, e tivemos uma boa prestação, todo o nosso trabalho e empenho foi recompensado. Os resultados surgiram sempre no decorrer do jogo e da própria prova, onde vimos que éramos a melhor equipa e que estávamos a fazer o nosso trabalho muito bem feito.

A nível individual, como correu a competição?
Acho que estive bem, contribui em todos os jogos para chegar ao objetivo, dei o meu melhor, fiz o que o mister pediu. Acho que estivemos todas bem…

Já conseguiram ter noção do feito alcançado, primeiro ouro olímpico em futsal?
Quando chegámos da Argentina ainda estávamos muito confusas e não estávamos conscientes da história que tínhamos feito. Agora, já nos mentalizámos do que fizemos e alcançámos. Foi um bom passo para o futsal feminino e espero que se torne numa modalidade olímpica e cresça mais, não só em Portugal mas em todos os países.

Tens estado sempre na seleção, com esta equipa, que grupo é este?
Já trabalhamos juntas há três anos, com o objetivo de chegar a esta prova, mesmo antes de saber se íamos estar presentes. Somos praticamente as mesmas e durante estes três anos trabalhámos bem e preparámo-nos devidamente. Houve muito trabalho, empenho e esforço da FPF, do Pedro Dias, para que isto fosse possível, bem como da equipa técnica e staff. O esforço foi recompensado. Temos uma geração muito boa, e se continuarmos assim podemos vir a conquistar muito mais no futsal. Vamos dar o nosso melhor.

Este grupo tem valor para grandes feitos no futsal?
Mesmo de diferentes clubes somos uma equipa unida e acho que foi isso que nos levou onde chegámos, devido à nossa união, empenho e garra, dedicação e humildade. Temos que agradecer aos treinadores e clubes que representamos pois sem eles nada disto seria possível.

Fora a competição, como foi a experiência fora do pais, com outras equipas, outras modalidades?
Foi uma experiência brutal, algo que nunca tinha imaginado. Os jogos olímpicos são o topo dos topos e foi muito divertido. Foi bom ver outras modalidades, perceber que há outros atletas que também têm que se sacrificar para estar no topo. Foi bom partilhar momentos com outras modalidades.

Tens alguma história caricata?
Acho que cresci como pessoa, porque conhecemos muita gente de muitos países diferentes, de culturas diferentes, e isso ajuda-nos a crescer, a nível de futsal, mas também pessoal, em todos os aspetos. Estávamos numa vila com pessoas de outros países, foi ótimo. Durante a estadia, a mãe de uma jogadora fazia anos, e ela quis fazer um vídeo de 49 pessoas de países diferentes a dizer ‘parabéns’ em português [risos]era muito difícil dizerem em português a palavra ‘parabéns’ e foi muito divertido.

Como viu a tua família e amigos a conquista?
Claro que ficaram com imenso orgulho, não vi como reagiram à vitória, mas soube que estavam muito felizes e orgulhosos e isso é o que mais me motiva para continuar, pois sem a família e amigos nada disto seria possível, são eles a minha força e é por eles que continuo a lutar todos os dias. É por causa deles que tenho esta força toda, e sem dúvida que a família está em primeiro lugar.

E na região do barroso em geral, recebeste muitas mensagens?
Recebi muitas mensagens de apoio e fico muito feliz por recebe-las. Recebi de pessoas da minha terra mas um pouco por todo o mundo. Sei quem esteve comigo sempre, independentemente das mensagens recebidas. Obrigado a todos os que estão comigo.

Novo clube para esta época, como está a decorrer a adaptação?
Estou a jogar em Fafe e está a correr bem, as jogadoras acolheram-me bem, sinto-me integrada no grupo e penso que será uma boa época, pois estou num bom clube, com boa equipa e organização.

Qual o objetivo da equipa?
O objetivo é sempre ganhar o máximo de pontos possível, mas o principal objetivo é ficar nos primeiros quatro classificadas, para poder ir à fase de campeão e acho que vamos conseguir. Temos de trabalhar e demonstrar isso em campo, com resultados.

Foram vários anos de GD Chaves, como analisas estas épocas?
Estive dois anos no GD Chaves, foram duas épocas boas, conseguimos os nossos objetivos, estive bem em todo o campeonato, dei o meu melhor para a equipa, arranjei amigas que nunca vou esquecer, são do coração e ajudaram-me muito quando cheguei. Foram duas boas épocas. Obrigado ao Chaves e aos clubes que joguei anteriormente, mas estou muito grata ao Chaves, pois foram duas épocas de aprendizagem, de superação, aprendi muito com as minhas colegas e foi bom para mim.

Estás a estudar o que? A prioridade são os estudos?
Neste momento estudo Gestão em Fafe, e claro que todas as jogadoras dizem que as prioridades são os estudos, e realmente são, apesar de pensar muito no futsal e não pensar tanto nos estudos. O futsal é o que amo fazer, mas sei que tenho de estudar e ser alguém na vida, tirar um curso e daí para a frente decidir o que fazer, jogar, estudar, fazer as duas coisas. Com o tempo vamos percebendo.

É fácil conciliar estudos e futsal?
Depende… quando andava na escola, durante o dia, ia para Chaves treinar, chegava tarde e não estudava muito. Mas consegui concluir o 12º ano e entrar na universidade, consegui conciliar, apesar de não estudar muito. Acho que com tempo e organização tudo se consegue. Vamos ver agora na universidade, estive um mês fora para a prova e espero conseguir recuperar.

Qual o teu sonho na carreira no futsal?
O meu sonho é jogar sempre que puder, até não conseguir mais. Quero mesmo é jogar, é o que mais gosto de fazer, e entro sempre para ganhar, mesmo um jogo a brincar no bairro. Não gosto de perder. Gostava que o futsal feminino fosse mais valorizado, gostava de ter a oportunidade de entrar em grandes competições e claro ganhar, pois seria um orgulho.

Diogo Caldas

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