O maior certame de rua do país voltou a instalar-se, entre os dias 31 de outubro e 3 de novembro, na cidade de Chaves. A secretária de Estado da Valorização do Interior marcou presença na abertura oficial e destacou as potencialidades dos recursos endógenos na mobilização do Alto Tâmega.

A sessão solene de abertura da Feira dos Santos 2019 aconteceu na quinta-feira à tarde, dia 31 de outubro, na Biblioteca de Chaves. Com sala cheia, Vítor Pimentel, presidente da Associação Empresarial do Alto Tâmega (ACISAT), revelou, com satisfação, o “aumento da participação de empresas associadas” (da ACISAT) na edição deste ano e enumerou os três eixos que considera fundamentais estarem presentes neste tipo de iniciativas.
“Região, regresso a casa e economia – esta feira merece o respeito e o orgulho de quem verdadeiramente gosta de Chaves e do Alto Tâmega”, disse o dirigente da associação empresarial, acrescentado as melhorias constantes e a construção de infraestruturas de utilidade para a evolução da feira, mantendo, no entanto, a matriz do certame. De referir que a edição deste ano contou com 550 expositores.
Relativamente ao programa, Vítor Pimentel voltou a destacar, tal como na edição do ano passado, o seu objetivo em cativar os jovens para a mostra sociocultural e a sua preferência na utilização “da prata da casa”.
“Nós precisamos de trabalhar para a economia local e da região e desde que haja resposta na região para fazer frente às necessidades da feira, os artistas, os agentes, as empresas, vão ter sempre prioridade nas nossas escolhas. Claro que não conseguimos chegar a todo o lado porque infelizmente a região não dá resposta a todas as necessidades. Mas é com muita alegria que quando fechámos contas verificámos que 80 por cento do nosso orçamento é gasto na região, em dinheiro que fica cá e que vai ajudar a economia flaviense e do Alto Tâmega”, frisou o responsável.
Presente na abertura oficial da Feira dos Santos 2019, a secretária de Estado da Valorização do Interior falou nos “recursos endógenos de alto valor” presentes na região: “Estamos numa região que agrega o património sociocultural, bem exemplificado nesta feira, a um vastíssimo património com recursos endógenos de alto valor, como é o caso das águas termais, e com projetos tão emblemáticos que têm mobilizado todo o Alto Tâmega”, referiu Isabel Ferreira, no seu primeiro ato oficial como secretária de estado.
A governante considera que é importante ter uma “ideia positiva do interior” para que possam ser criados projetos que ajudem a transformar estas regiões e cumpram os objetivos maiores que são o de fixar pessoas e criar emprego.
Nuno Vaz, presidente da Câmara Municipal de Chaves, salientou a dualidade da Feira dos Santos, na sua componente festiva e de interação económica e social.
“Esta feira não é mais do que o gene que os próprios transmontanos têm na sua capacidade de resiliência e de adaptação. Esta feira tem-se adaptado ao longo dos tempos e áquilo que são as necessidades dos tempos. É também uma celebração da família, da amizade do comércio, da tradição”, sustentou o presidente da Câmara de Chaves, destacando o valor que este certame acrescenta na afirmação territorial de Chaves, ao nível das riquezas naturais, dos produtos e do bem receber, que é, na opinião do dirigente, aliada à capacitação das pessoas, a grande diferença e também a mais valia deste território.
O autarca disse ainda que gostaria que o Governo cumprisse o seu papel no que diz respeito às regiões do interior e que garantisse a existência de serviços públicos essenciais, com os mesmos serviços de saúde ou de justiça, como nos outros locais do país.
“O que nós estamos a pedir ao Governo é que seja próximo, ativo e que cumpra o seu papel. Que prepare novas políticas para dar resposta áquilo que os territórios do interior precisam, e não é de esmolas nem de descriminação, é de justiça”.
Depois da abertura oficial da Feira dos Santos, a comitiva, juntamente com as entidades convidadas, realizou um périplo pelos stands presentes no largo General Silveira de promoção aos seis concelhos do Alto Tâmega.

Atividades para todos os gostos

Ao longo dos quatro dias a animação pelas ruas da cidade foi constante e não faltaram as habituais atividades que fazem da Feira dos Santos uma referência a nível nacional. Neste contexto, realizou-se a Feira do Gado, o 17º Concurso Nacional Pecuário – Raças Barrosã, Maronesa e Mirandesa, o 7º Concurso Concelhio de Cão de Gado Transmontano, o 6º Concurso Concelhio de Suínos da Raça Bísara e o 4º Concurso Concelhio de Ovino de Raça Churra Galega Bragançana. No mesmo dia, o Forte de São Neutel recebeu o Festival Gastronómico do Polvo e a Chega de Bois, iniciativa organizada pelos Bombeiros Flavienses. Pelo meio, houve concertos, espetáculos de dança e de teatro, festival de folclore, foram ainda organizadas exposições de automóveis, novos e usados, e de máquinas agrícolas. O comércio voltou a sair à rua com a iniciativa “Stock out” e os estabelecimentos de diversão noturna juntaram-se às festividades nos “Santos da Noite”.

ACISAT tem intenção de envolver outros pontos da cidade na próxima edição da Feira dos Santos

A chuva decidiu não dar tréguas durante o fim de semana da Feira dos Santos, no entanto, para o presidente da ACISAT, o balanço é positivo: “Tivemos muita gente dia 31 de outubro, 1 e 3 de novembro. Dia 2 temos a percepção que houve menos gente que aquilo que era expectável”.
Relativamente aos concertos que ocorreram em três noites do certame, Vítor Pimentel destacou a grande afluência na noite de dia 31, tendo esta não sido tão expressiva nas duas noites seguintes, muito devido às condições climatéricas. Outra das novidades deste ano foi a realização de uma festa dos anos 90 no pavilhão Expoflávia, resultado da colaboração entre a ACISAT e uma empresa local, que se traduziu num grande sucesso.
Há pouco mais de um ano à frente da associação, o responsável referiu que houve coisas que não correram como esperado: “Houve uma falha grave na forma de colocação das barracas no Largo do Anjo. A ideia era criar um corredor de acesso à Rua Direita o que não se conseguiu de todo, e na qual não fugindo às nossas responsabilidades temos uma quota-parte substancial de culpa, houve falha de comunicação. No entanto e aprendendo com os erros, percebe-se que é necessário envolver mais o Arrabalde e a Praça de Camões no circuito da feira. Esta mesma falha, juntamente com a chuva, hipotecou a praça da alimentação. Sendo uma aposta que não correu bem, mas que nos parece que trabalhada de uma outra forma é interessante e deverá manter-se, ela foi deslocalizada este ano e será repensada no próximo”.
Para finalizar, Vítor Pimentel realçou o facto de a associação prever que esta feira seria difícil, pois devido às obras que acontecem no Jardim do Bacalhau optou-se pela colocação de stands, resultando num “grande investimento. No entanto, não temos os números finais ainda apurados”.

 

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