No fim de semana passado, de 24 a 26 de junho, a cidade de Valpaços recuou no tempo e viveu, durante três dias, ao estilo dos anos 50, atraindo bastantes curiosos e visitantes.

IMG_5246Situada num dos locais mais emblemáticos da cidade, junto à Igreja Matriz, foi em ambiente de festa que a Feira dos Anos 50, em Valpaços, abriu ao público na sexta-feira passada. À feira acorreram várias pessoas que relembraram os seus tempos de meninice e outras, mais jovens, conheceram os modos e costumes da década de 50.

“O objetivo é retratar as grandiosas feiras que se realizavam na cidade de Valpaços, na altura vila. Esta era uma oportunidade para as pessoas virem à feira comprar o que precisavam e também para tratarem dos seus afazeres, tudo no mesmo dia”, explicou o presidente da autarquia, Amílcar Almeida.

A feira serviu igualmente para homenagear os valpacenses e dinamizar a zona envolvente da Igreja Matriz, que era o local onde se encontrava a maioria do comércio da cidade.

Nesta reconstituição a autarquia contou com o apoio de duas dezenas de instituições do concelho e com vários participantes anónimos que transportaram os saberes de antigamente.

O Grupo Filoxera, da Régua, deu o toque inaugural do certame e ao som dos tambores foram desfilando pelas ruas envolventes atraindo curiosos ao local, onde se encontravam vários expositores com produtos artesanais, como compotas, bolos e pães caseiros, queijos, licores e frutas variadas. Na mesma zona, havia tasquinhas decoradas a rigor com petiscos variados e bebidas a condizer. Os visitantes puderam também apreciar verdadeiras relíquias motorizadas dos anos 50 através da exposição de carros clássicos, conhecer alguns dos instrumentos dessa época e conhecer também algumas das atividades a que se dedicava a maior parte da população.

É o caso de António Pereira. Atualmente reformado, contou que foi barbeiro desde que concluiu a escola primária e durante 73 anos foi responsável pelo corte de cabelo e por aparar a barba dos homens valpacenses.

Hoje em dia a profissão caiu em desuso mas frisou que ainda há muita gente que quer aprender este ofício.
“Antigamente era mais difícil e menos lucrativo, hoje já há mulheres a praticar a profissão, antigamente eram mais os homens”, sublinhou.

Relativamente à feira organizada pelo município de Valpaços, António Pereira vê com bons olhos a iniciativa justificando que é uma boa forma de os mais jovens aprenderem um pouco mais sobre as suas origens.
A recriação das várias profissões foi também destacada pelo dirigente autárquico: “O tempo encarregou-se de apagar muitas destas profissões, como o albardeiro, a tecedeira, a fiadeira, e os mais jovens desconhecem por completo. Hoje quisemos mostrar e também homenagear”.

A tarde de sexta-feira foi ainda animada com uma recriação de uma sala de aula dos anos 50, representada pelas alunas e pelas professoras do Agrupamento de Escolas de Valpaços.

Naquela altura, a rigidez da época era notória no ensino. Os alunos eram severamente castigados quando faziam asneiras ou mesmo quando cometiam erros de ortografia. A régua de madeira era presença obrigatória na sala de aula bem como a figura de Salazar e de Carmona e o crucifixo ao meio, sinónimo da ideologia salazarista “Deus, Pátria e Família”. Faziam ainda parte da sala de aula o quadro de ardósia e a escalfeta com que a professora se aquecia através das brasas que os alunos traziam.

O programa de ensino era decorado pelos alunos, nomeadamente a tabuada, que era cantada, tinham de saber o nome dos rios, onde nascem e desaguam, o nome dos caminhos-de-ferro, o nome das serras, entre outros conhecimentos. De referir que as aulas não eram mistas, sendo por isso divididas por aulas só para meninas e aulas só para meninos. Os estudantes eram na sua maioria rapazes. As raparigas ficavam a cuidar da casa e aprendiam sobretudo a serem boas esposas e boas mães.

Ao palco da feira subiram igualmente os utentes da Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental de Valpaços (APPACDM) com danças tradicionais, os grupos de concertinas e o grupo de teatro Filandorra.
Os dias seguintes continuaram com muita música e muita animação.

Foi na década de 50 que começaram a surgir, depois da 2ª Guerra Mundial, as revoluções comportamentais e tecnológicas. Em Portugal, era em 1957 que chegava a televisão. A década de 50 é também considerada como a “idade de ouro” para o cinema e o período onde se fizeram importantes descobertas científicas. No que à música diz respeito, é nessa altura que o rock and roll se começa a repercutir por todo o mundo com Elvis Presley, Bill Haley e Little Richard.

Cátia Portela

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