A Comissão Instaladora da Escola da Cruz Vermelha do Alto Tâmega, presidida por Henrique Pereira, terminou durante o mês de junho o processo e espera ter em outubro a confirmação da criação da Escola Superior de Saúde do Alto Tâmega. Licenciaturas em fisioterapia e imagem médica vão avançar, mas mais cursos podem surgir no futuro.

“Eu diria que a pandemia atrasou na medida que nós próprios não conseguimos instruir o processo devidamente e num espaço mais curto de tempo, o que significa que nós pensamos que durante este mês acabamos por instruir o processo para ver se em outubro conseguimos ter a Escola de Saúde a funcionar”, explicou.

A comissão instaladora explicou no entanto que apesar dos procedimentos por parte da escola estarem concluídos, o processo dependerá sempre dos serviços de outras instituições como a Direção-Geral do Ensino Superior.

“Todos achamos que a Escola de Saúde é uma coisa para avançar em definitivo. Não vamos perder do horizonte essa situação”, garante Henrique Pereira.

Como novos cursos, estão em submissão à Agência da Acreditação e Avaliação do Ensino Superior as licenciaturas em fisioterapia e imagem médica, que inclui imagiologia e radioterapia.

“Mas penso que até podemos equacionar novas áreas. Neste momento temos condições e perspetivas a nível da Cruz Vermelha Portuguesa de podermos perspetivar novas áreas para esta escola”, revelou Henrique Pereira.

Mestrados e pós-licenciaturas

Há mudanças à vista para o ano letivo de 2021/22, no que às pós-licenciaturas diz respeito.
“Como o nome indica, é uma pós-graduação, mas muito específica, especializada para uma determinada área do conhecimento que a Ordem dos Enfermeiros, com base nessa formação, atribui o título de enfermeiro especialista em seis áreas possíveis, neste momento”, conta Henrique Pereira.

O responsável da comissão instaladora explica ainda que “a partir de 21/22 o regulamento indica que essas especialidades têm de ser transformadas em mestrados para que a Ordem possa atribuir o título de enfermeiro especialista por essa via, mas ainda não está nada legislado que venha anular a legislação que criou estas ditas especialidades. Há aqui uma espécie de contradição que não está ainda devidamente esclarecida”.

Sem a situação definida, a escola está preparada para “ou manter as que já estão a funcionar, caso nos seja possível, sob o ponto de vista legal, ou criar mestrados a partir daí”.

Novas pós-graduações

“Este ano conseguimos, com bastante celeridade, a creditação pela Ordem em três novas pós-graduações: Gestão em Saúde, Enfermagem no Trabalho e Supervisão Clínica. Porque, até há dois anos, e ainda conseguimos fazê-lo, fazíamos pós-graduações, isto na área da enfermagem, que eram concebidas, realizadas na escola e tinham um diploma, mas nem sempre esse se traduzia numa mais-valia para a prática da enfermagem, nomeadamente pelo reconhecimento dessa mesma formação em termos de competências por parte da Ordem”, realça ainda Henrique Pereira.

Então a escola criou processos de creditação em diversas áreas do conhecimento, e já são umas nove.
“Portanto, nós propomos esses processos à Ordem, esta olha para aquilo de acordo com o regulamento e credita. O que é que isto significa? Que há garantia, à partida, para quem vem a frequentar essa pós-graduação que está previamente creditada pela Ordem, de que vai-lhe ser reconhecida essa formação por duas vias: ou pela via do reconhecimento das competências acrescidas, ou avançadas conforme a circunstância conforme o curso de que se trata”, destaca.

O mestrado existente na Escola de Enfermagem, em Reabilitação, nunca funcionou por falta de candidatos.
Na pós-graduação de Supervisão Clínica já havia 22 inscrições na altura da entrevista, a meio de junho.
“Só não lhe damos início agora por causa da pandemia. Mas em princípio em setembro vai abrir online e noutras condições”, acrescentou.

Trabalho da Comissão Instaladora está a chegar ao fim

No início de setembro irá ser constituído o Conselho de Direção da Escola da Cruz Vermelha do Alto Tâmega, e o presidente da Comissão Instaladora, Henrique Pereira, garante que não irá fazer parte, terminando o seu ciclo.

“Constituímos os órgãos estatutários, só fica mesmo o conselho de direção a ser constituído no início de setembro. Portanto, há aqui um trabalho de novas parcerias, quer do lado português, quer do lado espanhol, com novas instituições, novas aproximações, novas parcerias com as escolas secundárias, portanto, há aqui uma dinâmica”, destaca.

Do Conselho de Direção irão fazer parte Eduardo Cruz e Andreia Félix, como vice-presidentes, acrescentou, faltando revelar o nome do novo presidente da escola.

Henrique Pereira faz mesmo um balanço positivo do trabalho que desenvolveu: “Acho que tem sido um desafio e nós temos, digo eu, respondido bastante bem a esse desafio em várias vertentes, porque apesar de ser uma escola que tem já mais de 25 anos de vida, é já, digamos, de maioridade, mas mesmo assim, e atendendo às circunstâncias em que ela viveu, e ao mudar de entidade instituidora, há sempre novas filosofias de trabalho, novos modelos de organização da instituição, novos modelos de relacionamento com as pessoas, colaboradores, novos projetos, novas ambições”.

Desde que a Cruz Vermelha assumiu a instituição, o trabalho manteve-se “com o grosso das pessoas que já cá estavam”, quer docentes e não docentes.

“Já admitimos duas pessoas não docentes, duas docentes, e já transformámos um posto de trabalho”, acrescenta.

Quanto a melhorias, houve “melhorias significativas relativamente ao nível físico, ao nível estrutural. Pusemos ar condicionado praticamente na escola toda. Alterámos toda a dinâmica, o circuito dos serviços. Esta está toda contígua. Reestruturámos um novo espaço para ser o conselho de direção”.

“Ainda falta muito para chegarmos onde nós queremos, mas há aqui um trabalho já iniciado que tem de ser continuado, o que nos dá ainda mais vontade e nos promete que as coisas estão no bom caminho, digamos assim”, garantiu.

A Escola de Enfermagem em tempo de covid-19

O facto de ser uma instituição de ensino superior, com a nuance também de ser uma instituição de ensino da saúde, trouxe desafios em tempo de covid-19.

“Não poderíamos deixar, de maneira alguma, de cumprir aquilo que têm sido as orientações dos órgãos da tutela, nomeadamente, e em primeiro lugar, da Direção-Geral da Saúde, e depois do Ministério do Ensino Superior, que de alguma forma têm estado conjugadas e que tem sido um conjunto muito vasto de orientações e que elas próprias têm vindo a acontecer de acordo com a evolução da pandemia, e que têm alterado, de uma forma mais sistemática, toda a dinâmica do funcionamento das instituições”, explicou Henrique Pereira.

Para o responsável, “houve um duplo esforço porque, por um lado estavam as questões relativamente aos equipamentos, mas, por outro, também o treino dos alunos e dos próprios professores. Portanto, foi um trabalho que se conseguiu, de uma forma até bastante célere”.

“Tenho de referir que daquilo que nos é dado a conhecer, numa perspetiva de avaliação, quer seja por parte dos alunos, quer seja a avaliação por parte dos docentes, o saldo é positivo. O pessoal adaptou-se bastante bem, a própria frequência foi mais do que seria expectável, e até a própria participação. Isto resultou, e está a resultar porque ainda está a funcionar, num nível de satisfação das partes bastante interessante. Quer alunos, quer docentes estão bastante satisfeitos, com a ressalva de que se nota, à medida que o tempo passa, que, nomeadamente por parte dos docentes isto é mais cansativo, acaba por cansar mais, é mais exigente e estar sempre virado para uma máquina e não poder até circular, digamos assim, e treinar outras estratégias com estudantes, aí sim tem limitações, como é evidente”, apontou.

O futuro é uma incerteza

Com esta primeira fase da covid-19 ultrapassada, o próximo ano letivo é ainda uma incógnita para os responsáveis pela escola de enfermagem.

“Estamos preocupados porque a avaliar pelo que tem acontecido nestes últimos dias as coisas estão a piorar, estão a aparecer novos casos, ou melhor, está a aumentar o número de novos casos. Isto assusta-nos porque é complicado fazer ensino à distância já com alunos que conhecemos, com quem já estivemos presencialmente em vários contextos, em várias formas de ensinar, etc. E, de repente, ter de fazer isso, eventualmente, com alunos que não conhecemos e que temos de integrar, aí será, na minha opinião, ainda mais difícil do que foi nesta circunstância”, lembra.

O facto de muitos serem alunos espanhóis pode também dificultar o relacionamento caso não comece o ano com regime presencial.

“Relativamente aos alunos espanhóis, não podendo ser possível estar presentes por causa da pandemia em Portugal, eu acho que este aspeto pode agravar pelo facto de não serem da nossa nacionalidade. Estaríamos a contactar à distância sem ter o mínimo de contacto visual, relacional com as pessoas, na minha perspetiva, é complicado, isso assusta-nos um bocadinho. Esperamos que isso não venha a acontecer. Esperamos que possamos receber os nossos estudantes do primeiro ano presencialmente, ainda que com algumas eventuais restrições”, aponta.

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