A dois dias da gala final do concurso “7 Maravilhas à Mesa”, Nuno Vaz, presidente da Câmara Municipal de Chaves, revelou, em entrevista, quais as expetativas para a Mesa de Chaves. Entre outros assuntos, o autarca destacou ainda que um dos grandes objetivos é transformar o concelho flaviense num “centro de excelência a nível de turismo e de bem-estar”.

Jornal A Voz de Chaves: A Mesa de Chaves está na final do concurso “7 Maravilhas à Mesa”. Qual é o sentimento?

Nuno Vaz: Primeiro, é um sentimento de uma enorme felicidade, e, depois, de uma elevada expetativa. Este processo permitiu-nos chegar à fase final deste concurso de âmbito nacional que visa valorizar o território nas suas várias dimensões e a nossa expetativa foi sobretudo permitir que os portugueses, de um modo geral, pudessem conhecer melhor aquilo que é a verdadeira essência da Mesa de Chaves, nas dimensões gastronómica, de património, natureza e turística.
Quando iniciámos este processo, eram mais de 180 candidatos, a nossa expetativa era que pudéssemos chegar tão longe quanto possível. De qualquer das formas, sempre percebemos que isso seria possível, que não só pela qualidade dos produtos que temos, pela excecionalidade e singularidade da beleza e do património que possuímos, mas sobretudo pelo compromisso que a equipa assumiu desde o princípio, que assumiram este repto com grande sentido de responsabilidade, e, ao mesmo tempo, eu acho que as pessoas fizeram isto com uma grande felicidade, com um grande gosto, com muito prazer.
A verdade é que toda a gente se envolveu neste processo de uma forma muito voluntariosa, muito integrada, com grande compromisso e isso notou-se. Também a própria população, os flavienses, os residentes, mas também os que estão fora de Chaves, entenderam que era importante dar força à candidatura de Chaves, e isso fez com que nós pudéssemos estar na final.
Todos aqueles que participaram ativamente, como a claque, todos os que estiveram, digamos, numa frente mais intensa, na área gastronómica, na restauração, mas também do vinho, a equipa municipal, os serviços, o vereador que esteve em representação, todos eles fizeram um grande trabalho.
Acho que a felicidade foi contagiante e hoje estamos a trabalhar para que possamos ter um desempenho relevante nesta fase final, e a nossa expetativa e o nosso sentido são os mesmos: fazer todo o trabalho que nos compete fazer, todo o trabalho de preparação, de logística, de afirmação, de promoção.
No essencial, o que nós queremos é dar nota que Chaves merece mais, merece tudo o que podemos fazer pelo concelho e, com certeza, que isso vai contribuir para que no futuro possamos ter mais visitantes, que possa ter ainda mais interações no nosso comércio, na nossa restauração, no nosso território, contribuindo assim para que a economia local possa ser fortalecida.

O que significará uma vitória da Mesa de Chaves, não só para o concelho flaviense, mas também para a região ao Alto Tâmega?

Nós todos sabemos que o Alto Tâmega, e Chaves em particular, tem um conjunto muito relevante de recursos endógenos, ou seja, tem um capital natural, mas também edificado muitíssimo importante. Não podemos esquecer que esta região do Alto Tâmega, no seu conjunto, e que nós queremos progressivamente vir a afirmar, tem recursos muito assinaláveis. A água é um recurso central.
Muitas vezes, quando falamos da água, esquecemo-nos que é um bem absolutamente essencial, e que, na minha opinião, vai ser um bem decisivo em muitas dimensões, seja na dimensão mais de consumo humano, e para a agricultura num contexto geral.
É verdade que o Alto Tâmega tem uma grande importância nesta dimensão, mas a água para Chaves tem duas particularidades. Uma é a água ligada à saúde e ao bem-estar, porque temos as Termas de Chaves e de Vidago com caraterísticas absolutamente excecionais e com potencial para se afirmarem cada vez mais, quer no domínio terapêutico, quer no domínio do bem-estar.
A outra é a água engarrafada. Não nos podemos esquecer que Vidago tem, não só as Águas de Vidago, mas tem também as Águas Campilho, e, portanto, por esta via tem já um potencial cada vez maior, sendo certo que nós sabemos que Campilho se quer afirmar e quer ganhar mercado.
Além da água, Chaves tem o presunto e o pastel de Chaves. Já no Alto Tâmega temos variadíssimos produtos: Em Valpaços, o vinho, a castanha, o azeite; Montalegre tem certamente produtos ligados ao fumeiro excecionais; Ribeira de Pena tem uma oferta a nível de turismo de aventura e de turismo de natureza excecional; Vila Pouca de Aguiar está muito ligada aos granitos; e Montalegre e Boticas muito ligados a novos recursos extrativos do lítio e esperamos que venham a ganhar uma relevância ainda maior… O que nós queremos é que este concurso, de âmbito nacional, sirva sobretudo como uma montra daquilo que nós temos de melhor e que de melhor sabemos fazer, de Chaves em particular, e do Alto Tâmega em geral.

Quais são as expetativas para a gala deste domingo?

Qualquer uma das mesas que está presente na final pode, naturalmente, ambicionar ganhar. A nossa ambição é, como disse há pouco, fazer todo o trabalho que nos permita garantir que temos todas as condições para que possamos contar, por parte dos flavienses, e também da população em geral, mas em particular de Chaves e do Alto Tâmega, com o seu empenhado, forte e comprometido apoio e que votem fervorosamente na Mesa de Chaves, porque acho que por esta via todos tínhamos a ganhar.
Não só Chaves, mas o Alto Tâmega, no seu conjunto, ganharia com certeza. Naturalmente que quem concorre fá-lo para ganhar. De qualquer das formas, sabemos da dificuldade do processo e gostaríamos de ficar num lugar muito honroso e muito importante porque por esta via também naturalmente teríamos uma notoriedade maior e também, consequentemente, poderíamos ter mais um momento para afirmar Chaves, os seus produtos, as suas potencialidades, enfim, afirmar aquilo que nós queremos que é ser um centro de excelência a nível de turismo e de bem-estar. É isso que nós queremos ser no futuro.

Foi recentemente anunciado que o município de Chaves se associou à campanha de esterilização de animais de companhia promovida pelo Governo. Qual é o grande objetivo?

Esta decisão foi uma decisão minor, isto é, uma decisão de pequeno alcance e de pequeno espectro, de pequena dimensão que pretende dar nota que o município de Chaves está preocupado com o problema dos animais de companhia. Nós não podemos escamotear nem esquecer que de facto existe um problema que é de âmbito nacional, e que naturalmente também se sente em Chaves, que é algum desrespeito pelos direitos dos animais de companhia, no caso particular dos cães e dos gatos porque é verdade que uma sociedade, e, neste caso concreto, uma comunidade como Chaves, que tem alguns membros que não tratam adequadamente os seus animais, que os abandonam, que não os cuidam, que não zelam por eles, naturalmente que não abona muito em nosso favor.
Por isso, entendemos que é essencial que a comunidade, no seu geral, tome consciência que é muito importante ter uma atenção e uma relação com os animais adequadas, porque a forma como nós nos relacionamos com os animais também diz muito acerca do nosso estádio enquanto comunidade, enquanto maturação da própria comunidade, do cidadão pleno quando se relaciona com os outros, mas também com o seu meio ambiente e com todos os que agem nesse ecossistema, no caso concreto dos animais. Queremos alertar as pessoas para isso. Mas de qualquer das formas não podemos deixar esquecer que existem em Chaves, no concelho, um conjunto muito significativo de animais de companhia que vagueiam, deambulam de forma errática e errante e queremos naturalmente ajudar a construir uma solução.
Sabemos e temos a certeza que essa solução vai demorar algum tempo a ser concretizada, porque implica criar infraestruturas, condições, meios, logísticas que naturalmente têm um custo financeiro significativo. Claro que nós queremos concretizar, mas sabemos que leva algum tempo.
Nesta primeira fase tentaremos evitar que o problema ganhe uma dimensão maior, pelo que quisemos associar-nos a essa campanha, suportando também do orçamento municipal um valor financeiro para que possamos fazer a esterilização de 50 animais de companhia. Neste contexto, vamos contar com a colaboração da Associação Amigos dos Animais de Chaves (AAAC) no sentido de os poder recolher e cuidar para que possam, de facto, ser adequadamente tratados. Temos a noção de que este é um pequeno passo, mas ainda não será suficiente. Porém, é de pequenos passos que se constroem soluções futuras e a nossa expetativa é que nós possamos dar uma resposta adequada aos animais de companhia.

Realiza-se este fim de semana a festa em honra de Nossa Senhora das Graças que traz até à cidade todas as freguesias do concelho. Falando sobre o turismo religioso, a autarquia tem algum projeto para a dinamização deste tema em específico?

Não. Nós, neste momento, estamos fortemente empenhados na definição de um plano turístico, num plano supramunicipal, ao nível do Alto Tâmega. Queremos valorizar o turismo em todas as dimensões, não só na promoção, não só na dinamização, não só na afirmação, mas também que o turismo seja verdadeiramente uma área de estudo e de investigação. E por isso é que nós queremos criar no Alto Tâmega, com sede em Chaves, um “hub de turismo” que é um espaço de investigação e de estudo do turismo para que nós possamos ter o Alto Tâmega como um território de referência, não só naquilo que é a oferta turística, dos produtos turísticos, mas também na componente da investigação, na componente do conhecimento.
Nessa lógica, naturalmente que o património do turismo religioso também terá um papel. Agora, nós não temos um programa turístico especificamente para o património religioso, mas naturalmente que será integrado neste plano turístico mais geral porque o património, sobretudo o edificado que nós temos no concelho vai muito para além do edificado religioso.
Há um conjunto de edificações, desde igrejas até outras estruturas de menor dimensão, que têm relevância. Somos uma cidade que teve a presença de vários povos e, portanto, temos aqui muitos registos físicos dessa passagem, obviamente com relevo maior para a época medieval e para a época romana, sem esquecer a relevância da presença da Igreja Católica. Assim, integrada a dimensão religiosa nesta vertente turística, iremos naturalmente valorizá-la.

Maura Teixeira

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