Academia de Artes de Chaves (ACC) é a única escola de música em Portugal a administrar, de forma oficial, o instrumento Gaita-de-foles e Percussão Tradicional.

Marcelo Almeida, diretor executivo da Academia de Artes de Chaves, em entrevista, salienta que, agora, o objetivo passa por criar no país uma licenciatura e/ou mestrado em Música Tradicional, onde se inclua a gaita-de-foles e a percussão tradicional.

Qual o motivo que leva a Academia de Artes de Chaves (ACC) a apostar no ensino e divulgação da música tradicional, nomeadamente a gaita-de-foles e percussão tradicional?
Marcelo Almeida: A nossa dedicação à música tradicional é, antes de mais, querer dignificar a nossa história musical e, sobretudo, as nossas raízes.
A gaita-de-foles faz parte da nossa cultura e queremos que o instrumento passe para outro patamar e seja mais respeitado, no âmbito académico ou no âmbito mais de conservatório. Ao conseguirmos que o aluno tenha a mesma carga horária, o mesmo tipo de ensinamentos que há para os outros instrumentos, ou seja, com o currículo do Ensino Artístico Especializado com as disciplinas base, formação musical e a classe conjunto, poderá avançar muito mais em relação à gaita-de-foles e à percussão tradicional e chegar a um nível de qualidade artística completamente diferente.
Ao poder apresentar-se, juntamente com os outros instrumentos, numa audição, e estar no mesmo nível artístico, o público que está a assistir à audição vai passar a respeitar mais esses instrumentos. Até aqui o que temos assistido é que, em relação à gaita-de-foles, os ensinamentos eram transmitidos de forma oral e de uma forma não oficial, não pensada com pedagogia, com outros métodos de ensino e tudo mais.

O curso ministrado na ACC é oficial?
Sim, desde 2015. E é o único curso reconhecido no país, neste momento. Este curso está inserido no âmbito do conservatório, no curso profissional, visando o ensino da gaita-de-foles geral, ou seja, é a gaita-de-foles que pode passar por estes quatro ou cinco tipos que estão a ser usados em Portugal. Estamos a falar da gaita minhota ou gaita galega, da gaita mirandesa, da gaita transmontana e da gaita de Coimbra. Nós queremos que os nossos alunos passem pelos diversos tipos de gaitas usadas no nosso país, e não cingir, porque estamos em Trás-os-Montes, ao ensinamento da gaita transmontana.

Quais as saídas profissionais para estes alunos?
Esses alunos que estão em gaita-de-foles têm as mesmas saídas profissionais que os que estão noutros instrumentos. Por exemplo, um clarinetista faz a sua formação, vai para o ensino superior e depois pode tocar em orquestras, pode dar aulas, pode fazer mil e um projetos à volta da música.

Também há o curso ao nível do ensino universitário?
Neste momento, estamos a trabalhar em parceria com as Universidades do Minho, de Aveiro e de Castelo Branco para tentar perceber em qual destas três universidades haverá mais força na abertura do curso superior de música tradicional. Até aqui, para os alunos conseguirem uma licenciatura tinham de ir para fora do país, como Irlanda, Inglaterra, ou outro país que tenha ensino superior em gaita-de-foles.

Como se irá caraterizar essa licenciatura?
Aquilo que nós estamos a fazer, e eu estou a liderar esse projeto juntamente com uma série de colegas, é tentar uniformizar a música tradicional, ou seja, o aluno tem de ter uma base geral de música tradicional, como existe no clássico.
Por exemplo, a turma do ESMAE (Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo) do primeiro ano é formada por três alunos de trompete, dois alunos de clarinete, três alunos de piano, quatro alunos de violino, e por aí fora, isto é, têm um tronco comum e depois têm a especificidade dos seus instrumentos. Nós queremos replicar esse modelo, não estamos a inventar nada, para a música tradicional.
Portanto, na mesma turma da licenciatura de música tradicional há um tronco comum de formação musical, história da música portuguesa, etnomusicologia, entre outros, e depois há especificidades de cada instrumento. Assim, poderá haver alunos de canto, poderá haver alunos de guitarra braguesa, guitarra amarantina, percussão tradicional, gaita-de-foles, e por aí fora.

Quem é que está, neste momento, a dar formação aqui de gaita-de-foles?
É o professor Ricardo Coelho que tem já uma vasta experiência de ensino, e esse mesmo professor está à espera que abra um mestrado na sua área, ou uma licenciatura, para poder vermos reconhecidos os seus conhecimentos e certificados.

A Academia de Artes de Chaves na vanguarda do ensino da música tradicional

A Academia de Artes de Chaves (AAC) e a Associação Projeto Enraizarte conseguiram, após três longos anos de batalha, a inclusão dos instrumentos de Gaita-De-Foles e Percussão Tradicional no âmbito dos cursos básicos e secundários do Ensino Artístico Especializado de Música.

A AAC torna-se desta forma a primeira e única escola do país autorizada a lecionar gaita-de-foles e percussão tradicional na disciplina de instrumento da componente de formação técnica do plano de estudos do Curso Profissional de Instrumentista de Sopros e Percussão.

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