O tabagismo é um problema tão grave que existem dois dias no ano para reflectirmos sobre o assunto, o Dia Mundial Sem Tabaco (31 de Maio) e o Dia do Não – fumador (17 de Novembro).

Lembramos que o tabaco é um dos tóxicos mais prejudiciais da nossa civilização. A extensão e a gravidade da epidemia do tabaco estão ligadas à utilização do cigarro industrial cujo fumo, ao ser inalado, tem por consequência a absorção rápida de todos os produtos tóxicos. O fumo do tabaco é composto por mais de 4.000 substâncias químicas com efeitos tóxicos e irritantes, dos quais mais de 40 são reconhecidos como cancerígenas.

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), anualmente cerca de 4,9 milhões de pessoas morrem, em todo o mundo, resultado do tabagismo. Se a epidemia não for travada, a mesma organização estima que, em 2020/30, esse número chegará aos 10 milhões de pessoas por ano.

O tabagismo não é factor de risco apenas para o próprio fumador, mas também para aqueles que, não sendo fumadores, se encontram frequentemente expostos ao fumo passivo.

Define-se tabagismo passivo como a inalação do fumo de derivados do tabaco (cigarro, charuto, cigarrilhas, cachimbo) por não fumadores, que convivem com fumadores em ambientes fechados.

As pessoas que estão próximas de fumadores, especialmente em ambientes fechados, inalam mais de 400 substâncias que podem prejudicar a saúde, absorvem nicotina, monóxido de carbono e outras substâncias da mesma forma que os fumadores, embora em menor quantidade. A quantidade de tóxicos absorvidos depende da extensão e da intensidade da exposição, além da qualidade da ventilação do ambiente onde se encontra a pessoa.

O ar poluído contém, em média, três vezes mais nicotina, monóxido de carbono e até cinquenta vezes mais substâncias cancerígenas do que o fumo que entra na boca do fumador, depois de passar pelo filtro do cigarro.

Os fumadores passivos sofrem os efeitos imediatos da poluição tabágica ambiental, tais como irritação nos olhos, manifestações nasais, tosse, cefaleias, aumento de problemas alérgicos, principalmente das vias respiratórias e de problemas cardíacos, principalmente elevação da pressão arterial e angina (dor no peito). Outros efeitos a médio e longos prazos são a redução da capacidade funcional respiratória, aumento do risco de ter arteriosclerose e do número de infecções respiratórias em crianças. Além disso, os fumadores passivos morrem duas vezes mais por cancro de pulmão do que as pessoas não submetidas à poluição tabágica ambiental.

Os principais grupos de risco de fumadores passivos são as grávidas, as crianças e os asmáticos.

As crianças que convivem com pais fumadores têm maiores riscos de infecções respiratórias, bronquiolites, asma, otites e infecções da garganta.

Fumar passivamente pode provocar as mesmas doenças que fumar activamente. Assim, uma pessoa que não fuma, em contacto com fumadores, no final de um dia de trabalho chega a fumar o equivalente, em média, entre 1 e 4 cigarros.

As autoridades governamentais estabeleceram regulamentos que protegem o não fumador, mas não é suficiente. É imprescindível associar a consciencialização dos fumadores e dos responsáveis pelo cumprimento dessas normas em ambientes fechados, não só em casa, como nos ambientes de trabalho e locais públicos.

Equipa de Enfermagem da UCC Chaves 1

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