Alunos do 11º e 12º anos regressaram à escola para frequentar apenas as disciplinas sujeitas a exame nacional. Criação de corredores de segurança, divisão das turmas e encerramento dos bares e salas de convívio são algumas das medidas de segurança adotadas pelas escolas.

Os estabelecimentos de ensino reabriram na segunda-feira, dia 18, seguindo todas as orientações do Ministério da Educação no que respeita à segurança, funcionamento e higienização dos espaços. As aulas tiveram início para os alunos do 11º e do 12º anos e para os alunos do 2º e 3º anos dos cursos de dupla certificação do ensino secundário.

Entre outras regras, o uso de máscara é obrigatório para todos, os intervalos entre aulas deverão ser passados na sala de aula, cada aluno deve ocupar uma secretária, as refeições na cantina devem ter horários diferenciados, as faltas são justificadas, mas sem direito a ensino à distância, os corredores das escolas foram organizados e o transporte de alunos no início e final das aulas está assegurado. Tudo isto para que os alunos contactem o menos possível entre si e permaneçam apenas o tempo necessário na escola.

Quanto às aulas, os alunos do 11º ano vão ter quatro disciplinas presenciais e as restantes à distância. Já os estudantes finalistas terão apenas duas disciplinas em regime presencial. Estas disciplinas são as matérias que os alunos têm de prestar prova no exame final.

Em Chaves, os três agrupamentos de escolas prepararam-se semanas antes para garantir o cumprimento de todas as normas da Direção-Geral da Saúde. Em reunião, os diretores dos agrupamentos decidiram concentrar os horários das aulas no período da manhã.

No Agrupamento de Escolas Dr. António Granjo as turmas foram divididas, com um máximo de dez alunos por aula, os lugares dos alunos estão marcados, devendo o mesmo utilizar sempre a mesma secretária, as salas foram preparadas para garantir a distância de segurança e no final de cada turno as salas são desinfetadas. Dentro da escola, foram ainda criados circuitos para que os alunos percebam por onde devem seguir, evitando assim os cruzamentos entre eles. Na entrada da escola foi colocada sinalética para que mantenham a distância, desinfetem as mãos e coloquem a máscara de proteção. A desinfeção das mãos é também obrigatória sempre que o aluno entra na sala de aula. As máscaras de proteção são entregues aos alunos de forma gratuita pelos agrupamentos.

Funcionários receberam formação para higienizar escolas

As Forças Armadas deram formação aos funcionários das escolas sobre a higienização e arejamento dos espaços comuns, das salas de aula, das instalações sanitárias e dos refeitórios.

As escolas têm ainda uma sala de isolamento preparada, tendo recebido do Ministério da Educação, através das Forças Armadas, equipamento de proteção individual.

A cantina escolar vai servir refeições, sobretudo aos alunos que regressam a casa de transportes públicos e aos que solicitem atempadamente a refeição.

Os bares das escolas estão encerrados para impedir a aglomeração de estudantes no mesmo local. A autarquia flaviense garante o reforço alimentar dos alunos a meio da manhã.

Paula Barros, diretora do Agrupamento de Escolas Dr. António Granjo, considera que a par da escola também em casa os alunos devem ser sensibilizados para as normas de higiene e segurança para evitar a propagação da covid-19.

Para a responsável, o ensino à distância permitiu manter o “espírito e algum ritmo de trabalho”, levando a que os alunos “não se distraíssem completamente do fator escola, aprendizagem e formação e que agora no regresso às aulas se entusiasmem para obterem bons resultados”. Porém, lembra, a avaliação do terceiro período não poderá ser penalizadora, apenas em “situações muito específicas de total desligamento ou desleixo”. No próximo ano, Paula Barros prevê que seja necessário haver uma “fase de recuperação de algumas aprendizagens”.

A diretora do Agrupamento de Escolas Dr. António Granjo salientou ainda o constante contacto que tem mantido com a Associação de Pais no sentido de esclarecer os pais e encarregados de educação sobre esta nova realidade.

“Toda a gente percebe que não podemos dar uma garantia de 100%, nem mesmo quando estamos confinados. Agora o que garantimos é que as normas são cumpridas e os aconselhamentos são seguidos” e “devemos observar com tranquilidade este regresso” (…), obedecendo sempre aos “patamares de segurança. Estamos preparados para colaborar e vamos tudo fazer para que a confiança seja grande e as pessoas se sintam tranquilas no ambiente que vão encontrar”, sublinhou. Este agrupamento tem 150 alunos a frequentar o 11º e o 12º anos.

No Agrupamento Fernão de Magalhães os alunos também notaram a diferença na segunda-feira passada. Nas salas a distância entre alunos foi assegurada, os corredores foram organizados em sentidos únicos de entrada e saída, com setas, assim como as portas de acesso ao edifício da Escola Secundária Fernão de Magalhães pela Lapa e pela Rua de Santo António foram organizadas de forma a evitar a aglomeração dos alunos.
Aqui as turmas não foram divididas, mas as duas turmas onde há mais alunos têm aulas no auditório e no ginásio da escola, existindo ao todo, entre alunos de 11º e 12º anos, cerca de 110 estudantes a frequentar este estabelecimento de ensino.

Também aqui os alunos têm aulas presenciais durante o período da manhã, com o 11º ano a ter aulas às segundas, quartas e sextas, e os alunos do 12º a terem de estar presentes na escola às terças e quintas. As aulas serão complementadas com aulas virtuais, a partir de casa.

Mário Carneiro adiantou que as aulas, nos três agrupamentos, têm início às 9h e terminam às 13h30, sendo que os transportes públicos estão adaptados para deixar os alunos antes do começo das aulas e depois de terminarem.

“Creio que vai tudo correr bem. As escolas estão preparadas para receber os alunos e é importante transmitir essa ideia de segurança e tranquilidade”, referiu o professor de português.

No Agrupamento de Escolas Dr. Júlio Martins os docentes e não docentes estão também a garantir que este regresso às aulas presenciais seja o mais normal possível, com todas as regras de segurança estabelecidas. Aqui as turmas também foram divididas em turnos, indo à escola em diferentes dias. Esta escola junta no mesmo edifício 360 alunos do 11º e 12º anos.

Ensino à distância veio acentuar desigualdades sociais

O terceiro período letivo arrancou no dia 14 de abril, mas a maioria dos alunos continuaram a estudar à distância. Entretanto, no dia 20 do mesmo mês, a RTP Memória dedicou aos alunos do ensino básico um espaço de estudo. A ideia pretende complementar a aprendizagem fornecida pelo professor e chegar sobretudo aos alunos sem acesso à internet ou equipamentos informáticos.

No Agrupamento de Escolas Dr. António Granjo foi definido um plano “simples e esclarecedor” para o ensino à distância, que não excluísse os alunos que não têm meios tecnológicos.

Sabendo das dificuldades destes alunos, a escola criou um dia de “receção dos trabalhos” para os alunos, faculta fotocópias e entrega aos encarregados de educação ou envia pelo correio os trabalhos dos alunos.

Apesar das dificuldades, Paula Barros faz um balanço positivo da forma como o ensino à distância foi organizado, acrescentando que o agrupamento irá continuar a trabalhar no sentido de fazer chegar “meios tecnológicos onde eles faltam”.

Também o diretor do Agrupamento de Escolas Fernão de Magalhães faz um balanço positivo do sistema de ensino à distância, afirmando inclusive que “tem decorrido melhor do que aquilo que inicialmente se previa, uma vez que é uma situação excecional, em que ninguém estava preparado”.

Neste agrupamento foi feito um levantamento dos alunos que não possuíam equipamentos informáticos, tendo sido disponibilizados cerca de três dezenas destes equipamentos, 11 deles pertencem ao agrupamento e outros foram disponibilizados por alguns professores. O agrupamento tem estado em contacto permanente via telefone com alguns alunos das aldeias e as juntas de freguesia têm colaborado no sentido de fazer chegar material a estes estudantes ou poderem mesmo utilizar a internet.

As crianças do primeiro ciclo da Escola Básica de Vidago não foram esquecidas e “continuaram a ter contacto direto com os professores” diariamente através dos meios digitais. Mário Carneiro conta que houve ainda necessidade de colaborar com as famílias dos alunos ao nível da distribuição de alimentos.

“As instruções que foram dadas aos diretores de turma foi para que mantivessem todos os dias contacto com os meninos, não só para saber se estavam a assistir às aulas, mas também para saber se estava tudo bem, e foi nesse sentido que nós nos fomos apercebendo de que careciam de algumas necessidades. Juntamente com a autarquia, fomos fazendo tudo aquilo que estava ao nosso alcance para colmatar essas carências através da entrega de bens”, sublinhou o diretor.

Agrupamentos de escolas incansáveis no apoio aos alunos

Para além de equipamento informático e bens alimentares, o agrupamento disponibilizou duas televisões.
Quanto a esta questão, Joaquim Tomaz, do Agrupamento de Escolas Dr. Júlio Martins, mostrou-se satisfeito e até um pouco admirado com a capacidade que todos tiveram em “reinventar todo o sistema”, mas lembra as dificuldades tecnológicas.

“Temos todos os alunos contactáveis. Agora, uns melhores do que outros. Temos aqueles que têm os meios, com aulas síncronas e com as plataformas que utilizamos, assistindo também às aulas pela televisão, mas temos outros que não têm computador, não têm telemóvel, acesso à internet. Por grande esforço que a escola faça, esta modalidade prenuncia ainda mais as desigualdades sociais”, disse Joaquim Tomaz.

O responsável considera que a progressão destes alunos, sem acesso às plataformas digitais, não é igual àqueles alunos que as possuem. Porém, o agrupamento tudo tem feito para reforçar o apoio nestes casos, tendo disponibilizado até ao momento cerca de 30 computadores.

“Estamos a utilizar todos os canais disponíveis para poder chegar a todos. Uns por via informática, outros por via email, outros em suporte em papel, através do correio, uma vez por semana os professores vão também ao meio rural fazer essa entrega e através dos presidentes de junta”, esclarece.

Joaquim Tomaz acredita que é possível os alunos aprenderem através do sistema de ensino à distância, fazendo com que adquiram outras competências que na sala de aula não é possível. Para o diretor do Agrupamento de Escolas Dr. Júlio Martins tanto os professores como os alunos têm feito um grande esforço para se adaptarem a esta nova realidade.

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