A “Festa de São Martinho” encheu de alegria e boa disposição a freguesia da Madalena, na cidade de Chaves. Apesar do mau tempo, foram várias as pessoas que não quiseram faltar à festa romana organizada pela União das Freguesias da Madalena e Samaiões, Câmara de Chaves, Bombeiros Flavienses e TEF.

Coube a Rufino Martins, presidente do Teatro Experimental Flaviense (TEF), fazer as honras da casa e dar as boas vindas ao “povo” de Aquae Flaviae, que esperava expectante pela abertura do espetáculo no Largo de São Roque, na Madalena.

A União das Freguesias da Madalena e Samaiões organizou um evento que combinou, pela primeira vez, o São Martinho e o legado romano presente na cidade flaviense.

Neste contexto, o “evento erudito” iniciou com a demonstração de uma luta galhofa, simbolizando as lutas realizadas entre os romanos para entreter o público. A seguir foi a vez dos flavienses se juntarem ao “cortejo de São Martinho” onde não faltaram os imperadores, os soldados e os cavaleiros, os encantadores de serpentes, os músicos, as bailarinas e as gentes de Aquae Flaviae. As tasquinhas e os restaurantes da freguesia juntaram-se à festa e serviram maravilhosos manjares temáticos, acompanhados de “bebidas dos deuses” e com “música e folia” a condizer com a época.

Rancho romano, polvo galego, feijoada romana à transmontana e calhos dos deuses foram alguns dos petiscos preparados pelos responsáveis da restauração especialmente para esta data.

“A ideia era mesmo essa. Nós propusemos à restauração que confecionasse um prato típico da região para que os visitantes, através de um folheto informativo, pudessem escolher a taberna ou a tasquinha que melhor se adequava tendo em conta a refeição”, esclareceu João Pinto, presidente da União das Freguesias da Madalena e Samaiões.

A iniciativa continuou com diversos espetáculos dos quais fizeram parte a atuação do “encantador de serpentes” e “do homem do fogo”. Depois foi a vez das deusas deslumbrarem o público com os seus belos bailados e do Rancho Folclórico “Os Ases da Madalena” dançar e cantar ao ritmo da tradição.

Quando a noite caiu, o palco voltou a iluminar-se para receber a recriação da “Lenda de São Martinho”, peça protagonizada pelo grupo de atores do TEF e que foi acompanhada por várias dezenas de curiosos. A peça de teatro terminou com um “brinde de jeropiga” em honra de São Martinho. O programa de animação incluiu ainda um espetáculo de artes circenses e o concerto do Grupo Musical 3ª Geração.

Esta primeira edição da “Festa de São Martinho – 1º Evento Cultural Romano” contou com 18 expositores de produtos regionais e serviu igualmente para angariar verbas a favor dos Bombeiros Voluntários Flavienses.
Presente no encontro, o vice-presidente da autarquia, Francisco Melo, elogiou a iniciativa que, na sua opinião, promove as raízes dos flavienses.

“É com alegria que vimos a freguesia da Madalena animada. Obrigado senhor presidente de junta por ter organizado esta festa (…). É importante saber onde nascemos, aquilo que são os nossos valores, aquelas que são as nossas raízes. Celebrá-las e mostrarmos este apreço por elas é sinal de identidade e de respeito”, sublinhou.

João Pinto: “Quero por a Madalena no mapa”

Apesar das condições meteorológicas adversas que se fizeram sentir ao longo do dia, o presidente da União das Freguesias da Madalena e Samaiões fez um balanço “positivo” desta primeira edição.

“Estávamos à espera de mais pessoas, mas como grande parte do tempo esteve a chover é compreensível que a afluência não fosse a esperada. Mas mesmo assim, notou-se bastante movimento”, referiu o responsável.

Segundo explicou João Pinto, a aposta na Festa de São Martinho deveu-se em grande parte para colmatar uma das lacunas existentes na freguesia que era a falta de “um evento emblemático”.

“Achamos que o São Martinho se poderia enquadrar na freguesia. Sendo o próprio cavaleiro de origens romanas e tendo sido a nossa cidade ocupada por romanos achamos que as temáticas tinham tudo a ver”.

Por ser a primeira vez, o autarca admite que muitos moradores ficaram surpresos com a animação e com a “vivacidade” com que o dia de sábado nasceu.

“De facto as pessoas estão um pouco admiradas porque têm visto mais movimento, atividades novas e por isso acredito que estejam mais felizes”, frisou o dirigente.

A pensar no Natal, João Pinto adianta que a União das Freguesias da Madalena e Samaiões será integrada nas festas natalícias do concelho de Chaves promovidas pelo município e pela Associação Empresarial do Alto Tâmega. Em fevereiro está também prevista a realização do Juramento de Bandeira dos soldados do Regimento de Infantaria nº 19 na Madalena.

“Eu cresci neste bairro e sei que este bairro tem potencial para crescer e para ter mais vida”, garante o responsável, considerando que chegou a hora de por um ponto final na discriminação de que a freguesia da Madalena tem sido alvo nos últimos anos. “Quero por a Madalena no mapa”, concluiu.

Cátia Portela

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