Oito cães foram mortos por envenenamento em Outeiro Seco, no concelho de Chaves. O caso, que está a ser investigado pelas autoridades, preocupa a dona dos cães que neste momento teme pela sua vida.

Na noite de segunda-feira, dia 11 de novembro, Rosalina Alves conta que estava em casa quando uma das suas cadelas “pediu” para ir até ao quintal fazer as suas necessidades. Nessa altura, a flaviense depara-se com um dos seus animais mortos junto à porta de casa, outro, com o desespero, tentava “subir a parede”. Ao ver este cenário de terror, Rosalina começa a dar voltas à casa à procura dos restantes cães, quando se deparou com outro “encostado a uma das videiras” no quintal, já sem vida. Aflita, tenta encontrar os outros que ainda estavam vivos para levá-los para dentro de casa. Na manhã seguinte, Rosalina Alves, que é pastora de profissão, já não deixou os “cães maiores” acompanharem as suas 170 ovelhas para o monte. Nesse instante, já no armazém, vê outra das suas cadelas, de raça rafeira, a morrer e a notícia da quinta cadela morta viria a ser dada minutos depois pelo irmão, quando este se preparava para levar o gado a pastar. Ao todo morreram oito cães, sete rafeiros e uma cadela de guardar gado que estava à espera de filhotes.
“Foi aí que começámos a ver chouriças abertas ao meio e com veneno. A carne estava toda branca e era altamente tóxica porque mal os animais metiam aquilo à boca passados poucos segundos caíam no chão”, refere Rosalina Alves.
Os cães eram os companheiros da flaviense, que fazia questão de os levar consigo sempre que possível, e na vizinhança eram sempre bem-vindos. Não causavam distúrbios e sempre foram socialmente aceites entre a população de Outeiro Seco, por isso Rosalina mostra-se chocada com a situação e sem uma explicação para esta tragédia. Inclusive, os cães costumavam “visitar” os alunos na escola de enfermagem, onde eram muito mimados pelos estudantes e funcionários.
“Acredito que um dia Deus vai castigá-los por esta crueldade. Se tiverem alguma coisa contra mim venham falar comigo. Agora vingarem-se nos meus animais, isso é covardia”, sublinha.
Neste momento, Rosalina teme pela sua vida, pela vida do irmão e de toda a sua família. “Eu peço às autoridades que investiguem e que se faça justiça”.
Segundo avançou ao jornal, Rosalina acredita que o veneno não era destinado aos cães mais pequenos (rafeiros), mas sim aos que tomam conta das ovelhas, de porte maior, uma vez que a carne envenenada estava estrategicamente colocada no local por onde passa o rebanho. O caso está a ser investigado pela GNR. Para além dos cães, desapareceram também 30 pêgas.
Já em 2016 os nove cães que guardavam o rebanho de Rosalina Alves tiveram o mesmo destino, com o mesmo “modus operandi”. Depois de investigar o caso, e de as autópsias serem inconclusivas, o Tribunal decidiu arquivar o processo.

Cátia Portela

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