O município de Chaves vai investir cerca de 834 mil euros em dois projetos turísticos que visam prolongar a “Ecovia Internacional do Tâmega e Corgo” e promover a oferta das Termas de Chaves.

A Câmara de Chaves e a Empresa Municipal – Gestão de Equipamentos do Município assinaram na segunda-feira, dia 5, com o Turismo de Portugal I.P., dois contratos de financiamento apoiados pelo Programa Valorizar.
O presidente da Câmara de Chaves considera que o turismo deve “ser um instrumento de coesão” para tornar o país mais igual e mais capaz.

Os turistas continuam a escolher o nosso país sobretudo pelo bom tempo e também pelas praias, mas, na opinião do presidente da Câmara de Chaves, o turismo de natureza, da cultura, e das tradições tem ganho cada vez mais adeptos, permitindo sustentar várias iniciativas que têm sido desenvolvidas no interior.

“Há um conjunto de territórios que têm ganho crescente afirmação. O Alto Tâmega e Chaves em particular pode-se inscrever naturalmente nesse conjunto de territórios”, disse Nuno Vaz, lembrando que a pandemia veio criar vários desafios e novas oportunidades num setor que estava em franco crescimento.

“Pese embora este contratempo, acreditamos que uma das vias para o desenvolvimento desta região, e de Chaves enquanto capital do Alto Tâmega, é claramente o turismo, mas como ponto de convergência e de vértice para um conjunto de outras atividades”, sublinhou o autarca.

Turismo como chave para agregar o território

Desde o termalismo, passando pelos produtos regionais, pela natureza e pela paisagem: são várias as ofertas existentes na região e que para o responsável não podem estar dissociadas, sendo o turismo um elemento agregador para o qual devem convergir outras áreas complementares que no seu conjunto devem atrair mais visitantes ao Alto Tâmega e aumentar a sua estadia na região. Atualmente a média de estadia dos visitantes situa-se em dois dias, segundo referiu o autarca.

O Programa Valorizar vai apoiar a terceira fase do projeto “Ecovia Internacional do Tâmega e Corgo” que prevê a ligação da vila de Vidago ao concelho de Vila Pouca de Aguiar e a conclusão da ligação supramunicipal e transfronteiriça entre Espanha, Chaves e Vila Real, numa extensão linear de aproximadamente 59,30 km. No total, esta ecovia internacional, que permitirá valorizar a história do caminho de ferro, irá ligar Verín, em Espanha, à Régua.

Para o presidente da Câmara de Chaves este projeto vai também trazer novas oportunidades para os privados no intuito de darem “uma nova vida” e “uma nova utilidade” à antiga linha do comboio.

Além disso, o programa vai financiar o projeto “Turismo Termal – As Chaves do Futuro Sustentável”, promovido pela Gestão de Equipamentos do Município de Chaves, permitindo requalificar as instalações existentes, criar um espaço para exposição e venda de produtos dermocosméticos e alargar as vias de comunicação para promoção do Turismo de Saúde e Bem-Estar.

Em Termas de Chaves cresceram em 2019 cerca de 40% nos serviços de bem-estar e o autarca acredita que o balneário termal tem capacidade para crescer ainda mais. Nuno Vaz adiantou que no final do ano será apresentado um novo projeto, ligado a este, que “irá criar uma outra diferenciação”.

O Valorizar† é um programa do Turismo de Portugal de apoio ao investimento na promoção da qualificação do destino turístico Portugal cujo objetivo se pauta por dotar os agentes públicos e privados que atuam na área do turismo de um instrumento financeiro que permita potenciar e melhorar a experiência turística.

A secretária de Estado do Turismo, Rita Marques, referiu que o Turismo foi um dos setores que mais sofreu com esta pandemia, mas acredita que o setor vai recuperar.

“Continuaremos a trabalhar pela excelência do Turismo, financiando estes projetos tão importantes para estes territórios e criando no futuro novos fluxos turísticos que já se vinham a distinguir nos meses de janeiro e fevereiro”, sublinhou a responsável.

Territórios de baixa densidade com grande procura

O presidente do Turismo do Porto e Norte de Portugal, Luís Pedro Martins, disse que devido à pandemia os “holofotes” viraram-se para os territórios de baixa densidade, criando uma oportunidade para trazer os turistas para destinos que o Turismo do Porto e Norte de Portugal tinha dificuldade em trazer.

“Havia de facto uma excessiva concentração de turistas nas portas de entrada da região, nomeadamente na área metropolitana do Porto, onde ficavam 75%. Hoje os turistas procuram muito segurança, privacidade, destinos também de natureza, foi fácil apresentar-lhes estes destinos”, destacou Luís Pedro Martins.

Para o responsável estes territórios apresentam uma riqueza ímpar, onde a oferta turística é vasta, tanto ao nível da gastronomia, dos vinhos, do termalismo, das águas, da natureza e dos percursos, sendo por isso fácil despertar a atenção dos visitantes.

O Turismo do Porto e Norte de Portugal lançou uma campanha destinada a turistas nacionais com o nome “Lá em cima. No topo”. De acordo com o mesmo responsável o Turismo do Porto e Norte de Portugal conseguiu assumir a segunda posição em termos de captação de turistas nesta altura de pandemia.

No futuro, e resolvida a questão sanitária, o dirigente pretende que o trabalho desenvolvido até agora “nunca mais volte atrás”, dando “a estes territórios aquilo que eles já há muito mereciam”.
Portugal recebeu em 2019 perto de seis milhões de turistas, sendo que apenas 2,8% visitaram Trás-os-Montes.

O responsável garante que a aposta do Turismo do Porto e Norte de Portugal passa por atrair cada vez mais visitantes às regiões de Trás-os-Montes, Minho e Douro. Até ao final do mandato, Luís Pedro Martins quer promover turisticamente a estrada nacional 103, que liga Viana do Castelo a Bragança, passando pelo território barrosão, e a estrada nacional 222, entre Vila Nova de Foz Côa e Vila Nova de Gaia.

Cátia Portela

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