“Carta aberta ao Sr. Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Chaves”
Meu Caro João Paulo, Distinto Provedor da SCM de Chaves:
Se ainda tal me permites, prefiro manter o tratamento mais directo e pessoal, daí me dirigir a ti na segunda pessoa do singular.
Recordo os tempos em que partilhamos a mesma sala de aulas no Liceu, e de nas nossas brincadeiras te apelidarmos de forma brincalhona por “Perna Marota”, ao que sempre ripostaste com boa disposição. Já lá vai o ano lectivo de 1992 / 1993, ano que recordo com especial saudade e alegria pois logrei entrar no curso e na Faculdade que pretendia, tendo ainda sido galardoado como um dos melhores alunos do concelho nesse mesmo ano.
Volvidos estes vinte e um anos, venho por este meio dirigir-me à tua pessoa pela surpresa que algumas das tuas atitudes, enquanto provedor de tão reputada instituição, me têm causado.
Como tu bem sabes, mas nunca será demais aqui sublinhar essa circunstância junto dos leitores, nunca precisei do estado nem dos órgãos da administração indirecta para desenvolver a minha carreira profissional. Desde que terminei a minha licenciatura fui fazendo o meu percurso a pulso e por meios próprios, nada devendo a quem quer que seja, a não ser a Deus e à sua Infinita bondade. Essa circunstância permite-me por vezes falar de cátedra, sendo certo que com esta observação não pretendo de forma alguma colocar o teu mérito em causa, mas apenas sublinhar que estaremos, no mínimo, em circunstâncias de igualdade.
Feitas as observações preliminares, e porque a instituição que Tu representas nunca se dignou a dar uma justificação satisfatória, creio ser chegado o momento de trazer esta questão para o conhecimento público, uma vez que a Santa Casa da Misericórdia me merece todo o respeito e carinho, que os actuais órgãos sociais não lhe estão a dispensar.
Conforme tão bem sabes, o Meu nome foi proposto para Irmão dessa Irmandade. Como igualmente tens a obrigação de saber que nos termos do estabelecido no artigo 7º dos estatutos que regem essa Irmandade, podem ser admitidos os indivíduos que reúnam as seguintes condições:
a) Ser maior de idade; b) Ser natural, residente ou ligado por laços de afectividade ao concelho da sede da Irmandade; c) Gozar de boa reputação moral e social; d) Aceitar os princípios da doutrina e moral cristã e comprometer-se ao pagamento de uma quota mensal.
Além da minha pessoa, também os meus Pais foram propostos para Irmãos e mais algumas pessoas minhas Amigas.
Pois foi prenhe de surpresa que verifiquei que a minha candidatura, bem como a de meus Pais, foi rejeitada e sem que para tal tenha sido facultada qualquer justificação.
Vejamos meu caro, ninguém está acima da lei nem das instituições, por muito que por vezes queiramos perpetuar o nosso nome recorrendo a artifícios dúbios. Mais dia menos dia acabamos por perder a base, ruindo os pés de barro.
Causa-me estranheza que se rejeitem pessoas como as que acabo de enunciar. Por mim dou de barato, mas em relação aos meus progenitores acho no mínimo pouco razoável, para usar um eufemismo. São gente simples e honrada!
Mas também deixa que te diga que pouco me admira, pois se também a candidatura de uma grada figura da Câmara Municipal de Chaves foi recusada, tal como a candidatura de um dos sócios de uma sociedade parceira da Misericórdia o foi, nada me faz estranhar. Creio que em relação a estas duas últimas pessoas pecas pela falta de visão estratégica ou, como se usa dizer, demonstras não possuíres inteligência diplomática.
Essa nobre instituição por força do seu carácter filantrópico, pela sua génese altruísta deve estar dispensada e à parte de qualquer interesse individual. Quiçá tenhas receado em relação à minha pessoa que me iria candidatar a Provedor, por se estar a aproximar o período eleitoral?
Enganaste! Como acima te disse, tenho muito com que me ocupar, tenho muito a que me dedicar para poder abraçar tão nobre missão.
Devo ainda informar-te, e aqui fica como aviso de um velho conhecido, que as vozes públicas na cidade, e mesmo nos corredores de algumas instituições, não te são nada favoráveis.
Consta-se, não sabendo se é verdade ou não, que andas a tentar angariar um grande número de irmãos que te apoiem, dando entrada a novas admissões de forma profícua. Como te digo, e aqui ressalvo nos termos e para os efeitos do estabelecido nos artigos 180º e seguintes do Código Penal, são meras vozes públicas que aqui reproduzo, não podendo eu, enquanto mero opinador, aferir da veracidade das mesmas, deixando apenas aqui o aviso do anátema que sobre a tua pessoa andam lançando.
Já o mesmo não se poderá dizer quanto à condução do processo da Unidade de Cuidados Continuados, onde não se poderá agir como Pilatos. Não deixa de ser curioso que por vezes apontem exemplos anteriores de outros projectos aos quais estiveste ligado, como sejam o caso da rádio Larouco ou da Alto Tâmega TV. Esta última … extinguiu-se!
Costuma-se dizer que para se conhecer verdadeiramente uma pessoa, basta dar-lhe algum poder. Espero que o poder não alvitre o bom homem que em ti habita!
Entendo que no meio de tudo o que o povo anda dizendo, vai falando e comentando, quem sai verdadeiramente lesada é a instituição. Como diziam em tom de brincadeira uns amigos meus, ex-alunos do Colégio Universitário Pio XII, quando lhes relatei que não me haviam admitido como Irmão, e porque aquela instituição também acolheu o actual Cardeal de Portugal, D. Manuel Clemente, é porque algo anda muito mal ao se fecharem portas a quem bebeu iguais princípios.
Mas, não basta serem-nos providenciados, também têm que ser aplicados!
Termino apenas dizendo-te meu caro que face ao reiterado absentismo de resposta da parte da administração dessa nobre instituição, nada mais me resta que não seja lançar mãos dos devidos mecanismos legais. No final quem sabe não poderei afirmar: Obviamente!!! … Demito-o!
Apresento-te os meus melhores cumprimentos, formulando os votos sinceros que o teu tirocínio passe a ser marcado por grandes sucessos e conquistas, sublinhados pela mais elevada lisura e moralidade de actuação.
