O flaviense Carlos Pires volta a emigrar. Depois da Grécia em 2012, o treinador de guarda-redes viaja no dia 8 de julho para a Arábia Saudita, para representar o Al-Fayha, que será orientado por Jorge Simão. À Voz de Chaves o técnico de 50 anos explicou o que correu mal para não voltar a trabalhar com o Leonardo Jardim, a saída do GD Chaves e o porque de aceitar o desafio de trabalhar no Médio Oriente.

A Voz de Chaves: Como foi recebida a notícia da ida para a Arábia Saudita?
Carlos Pires: Foi bem recebida, vamos com muita força e ilusão de trabalhar e fazer o melhor possível. Sair do país era prioridade, tive algumas propostas a nível nacional mas o [Jorge] Simão fez-me uma proposta e eu não podia recusar.

Porquê voltar a trabalhar com Jorge Simão?
É um treinador que já conheço e é muito mais fácil trabalhar com um treinador que já conheces, que gosta de ti, te apoia, e que aposta em ti.

É um reencontro, como surgiu?
O Simão foi o treinador que saiu do Chaves para o Braga e fez tudo para me levar para o Braga. Desde então a nossa relação ficou muito boa, e sabíamos que um dia íamos voltar a trabalhar. Surgiu agora esta oportunidade, de estar livre também e ele convidou-me e não podia dizer que não. Não é fácil mas vamos com a maior ilusão de sempre, muita força, e para fazer o nosso melhor, para voltar a Portugal , ou a outro lado no futuro.

Quais são os objetivos?
O objetivo é fazer a melhor classificação possível. No ano passado tiveram a lutar para não descer e este ano querem fazer a melhor classificação possível e estão a dar-nos condições.

Que jogadores vai encontrar, na posição de guarda-redes em concreto?
São todos árabes, menos um que é da Jordânia, será certamente uma realidade diferente, o que também é bom para mim. É um desafio e espero trabalhar, pois é preciso tentar sempre ser melhores.

A língua será também um desafio?
Eles todos falam inglês, eu também falo e o futebol é uma linguagem universal e não vai haver grande problema.
Segunda vez que emigra, agora para mais longe depois da Grécia…
São realidades diferentes, campeonatos diferentes e também realidade monetária. É apetecível pelo desafio que é, para desenvolver o trabalho com eles.

A nível cultural será também um desafio?

A nível de religião, alimentação, tudo. As horas a que se treinam são diferentes, pois com o calor não é possível treinar de dia. Já estamos preparados para tudo.

O que se passou quando saiu do Chaves mas não surgiu o novo projeto?
Foram seis meses terríveis para mim. Fui convidado pelo Leonardo Jardim para sair para um projeto para a China. Não podia dizer que não ao Leonardo Jardim, pois é um treinador que gosto e gostava de voltar a trabalhar. Quando me mandou rescindir, passado horas, quando pensava que já ia para estágio, surgem os problemas com os contratos em Marbella, em Espanha. Ele disse-me para esperar, mas ao surgir esta aposta tive que abraçar, pois o Jorge Simão é também um treinador que gosto e me identifico muito bem como ele.

Ficou alguma mágoa?
A situação foi que os nossos contratos não estavam de acordo com o esperado e o que se tinha ajustado. Começaram a por cláusulas no contrato. Até hoje ainda não sei ao certo o que aconteceu, apenas que não fui para a China, que passei seis meses desempregado, o que não foi fácil. Tive a ajuda de muita gente, da minha família e amigos, Gualtar, Paulo Viage, Zé Manuel Viage, do Gilberto Alheiras e Paulo Neves, que ajudaram bastante mas não foi fácil. De repente, deixas de estar na I Liga, na montra e ficam em lado nenhum.

O resto da época do Chaves continuou mal até à descida…
Sofri bastante por fora, porque é o meu clube. Não estive dois dias no Chaves, tenho mais de 21 anos de clube. Não sou do FC Porto, Benfica ou Sporting, sou do Chaves. E estar a trabalhar no Chaves, sair e vê-lo descer, custou bastante. Deixei de ir ao futebol porque o meu filho, quando o Chaves sofria, começava a chorar. Fiquei muito triste.

O clube está de regresso à Liga 2, o que se perspetiva?
Vai para um campeonato diferente, muito disputado, muito competitivo, há dez equipas que querem subir e não será um caminho fácil. O clube está habituado a outra realidade e precisa do apoio total dos sócios, de compreensão. Espero que quando regresse da arábia tenha subido de divisão.

A vontade de ser treinador principal mantém-se?
Se calhar naquela altura falei de mais. Houve pessoas que levaram isso a peito. Fui treinador principal do Chaves na Liga durante um jogo. Ainda se concretizou esse sonho, foi um bom jogo, as pessoas ficaram contentes e alguns pediram que apostasse na carreira de treinador. Mas para isso era preciso apoio, a estrutura tinha de apoiar. Fica o sonho realizado por um dia e que gostei bastante.

Diogo Caldas

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