A Voz de Chaves: Dois anos consecutivos a conseguir o apuramento para a segunda fase. Qual o significado?

Calina: Digo muitas vezes isto, mas o que vale é o grupo e é nisso que me foco. Não há nenhum treinador no mundo que consiga ganhar sem os jogadores, e os jogadores por vezes também tem de ter um bom líder para os ajudar no caminho do êxito. Foi muito trabalho, muita disponibilidade dos miúdos, muita vontade em aprender e capacidade de sofrimento, mas também muita união. Criamos sempre excelentes grupos nestes dois anos. Ter um colega na seleção nacional [José Bica] não é por acaso, é mérito de todo o grupo e de todo o trabalho que nós fizemos. É muito gratificante, sinto-me feliz e em três anos no clube são três anos brilhantes que muito me honram, pois nunca tinha sido nada feito como isto em Chaves.

Qual o segredo para este sucesso?

Sou uma pessoa de muitos contactos, de trato fácil, conheço toda esta região e todos os atletas. Respiro e vivo futebol, vejo todos os jogos possíveis de formação, seja do meu clube ou de outros. Depois vou reunindo alguns dados importantes para mim, e a resposta é a equipa que foi no ano passado e este ano: jogadores que fomos recrutar e que tínhamos identificados e que de facto nos surpreenderam pela positiva. Miúdos como o Cláudio, o Pio, guarda-redes que está há 10 anos no clube e nunca tinha jogado no nacional e é excelente, do Tomás Abrantes, o ir buscar o Biscaia a Leira, que estava identificado e contrateio-no no verão, a caminho de férias. O Bica, é o caso mais flagrante pois é aquele jogador que já ninguém acreditava, nem ele, e fui persistente e o clube tem um potencial enorme e tem de olhar para ele de forma diferente. Tem de potenciar os jogadores. Falo nestes como poderia falar em outros que estão a crescer, como os do sub-15 e que após fazerem uma época excelente como o Fábio Carvalho e o Couto, e que estão em evidencia esta época. É o caminho de formar a ganhar mas este ainda é longo, é preciso criar muitas mais bases para o desenrolar da formação do clube.

Agora novamente uma segunda fase…

Os objetivos são os mesmos do ano passado. Se conseguimos uma coisa impensável, agora não podemos relaxar e andar a passear. Com menos pressão, mais satisfação e com mais disponibilidade mental, vamos desfrutar da segunda fase e procurar ganhar jogos e dar uma imagem positiva do nosso trabalho. Nestas idades o jogar com pressão ou sem ela faz diferença, vamos valorizar ainda mais os jogadores e provavelmente vamos ter jogadores a passarem para outros processos, pois é assim que tem de ser.

DC

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