“Ganham menos e trabalham o mesmo”. É assim que alguns agricultores definem a vinda de imigrantes no concelho valpacense para apanhar a castanha e preparam-se para começar a apanha da azeitona.

Durante a apanha da castanha, contam alguns agricultores, que era só chegar ao largo da freguesia de S. João da Corveira e trazer a cada manhã um grupo de búlgaros para os soutos.

“Uma pessoa chegava lá, estavam uns 20 ou 30 e, dia após dia, íamos trazendo quantos precisávamos, sem qualquer compromisso. Trabalham como os de cá e levam mais barato”. Segundo o agricultor de Argemil, perto de Carrazedo de Montenegro, enquanto os imigrantes cobrava 30 euros por dia para apanhar a castanha, a população local cobrava mais 10 euros, ou seja, 40 euros por passarem o dia derreados a rebuscar soutos.

Para o agricultor, a vinda de búlgaros para a região só traz vantagens, uma vez que “vêm para trabalhar, sabem fazer as coisas como deve ser e cobram menos”. Além disso, também segundo os proprietários de terrenos agrícolas, “é cada vez mais difícil encontrar nas aldeias pessoas para trabalhar na terra”. Por sua vez, apesar de não ser bem o caso dos castanheiros, que não precisam de “grande manutenção durante o ano”, a agricultura tem cada vez mais pesado o lado da balança das despesas, em detrimento das receitas e “tudo aquilo em que se possa poupar é bom”.

Segundo conseguimos apurar, o grupo apareceu na região através do contacto de imigrantes ucranianos que ainda restam nas redondezas. “São humildes e só querem trabalhar para ganhar dinheiro, deixando algum do que ganham por aqui”, porque vão a algumas lojas da vila carrazedense, referiu.

Terminada a lavoura nos soutos, o grupo continua a jornada, desta vez nos olivais. Ao que foi possível apurar, “andam para os lados de Miradezes (concelho de Mirandela) e vão andar aí na zona. , até não haver mais trabalho.

Cátia Mata – redaccao@diarioatual.com


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