A Associação dos Agricultores e Pastores do Norte (APT) revelou que os produtores têm sentido problemas devido “à falta de escoamento da produção de muitas explorações de pequenos e médios agricultores” e divulgou medidas que podem ajudar os produtores em altura que o país atravasse a pandemia covid-19.

“Estamos na semana da Páscoa, considerado tradicionalmente o São Miguel dos Pastores. No entanto, os cordeiros e os cabritos estão nas cortes à espera que o intermediário ou o talhante lhes batam à porta para adquirir a sua criação, porque a tipologia das nossas explorações não tem dimensão nos espaços das prateleiras das grandes superfícies, as feiras estão encerradas e já não temos a Junta Nacional dos Produtos Pecuários para escoar estes produtos”, explicou.

Além disso, há ainda produções da campanha anterior que continuam por serem escoadas, como no caso das batatas, e produtos a acumularem-se como o leite cru e queijos.

“O sector das flores está a ter prejuízos avultadíssimos; o sector das hortícolas sente também quebras acentuadas; não tardam a chegar os especuladores, sem quaisquer escrúpulos para se aproveitarem da situação e para esmagar ainda mais os preços ao produtor. Também os olivicultores e as cooperativas de azeite estão a abraços com a venda da campanha anterior”, acrescentou em comunicado.

A APT considera importantes algumas medidas já anunciadas pela Ministra da Agricultura, uma das quais, a criação de “uma plataforma nacional que ligue quem consome e quem vende”.

“Estranhamos no entanto, que a mesma inclua apenas os grupos de ação local e não entendemos a ausência de entidades representativas dos Agricultores Familiares e Autarquias”, atirou.

É sobejamente conhecido que a região de Trás-os-Montes e Alto Douro é das regiões do País com maior variedade de produtos com: Identificação Geográfica Protegida – IGPs; Denominação Origem Protegida – DOPs; maior número de solares de raças autóctones de pequenos e grandes ruminantes; maior diversidade de vinho, azeite, cereal, fruta, castanha, batata, mel e fumeiro, defende a APT.

Quanto às propostas “capazes de minimizar os problemas”, a APT sugere a “reabertura dos mercados locais encerrados, criando condições para os pequenos produtores escoarem os seus produtos, com regras sanitárias rigorosas”.

É ainda sugerida a “criação de um programa de compra de produtos locais para o abastecimento de cantinas públicas, com o envolvimento de autarquias e Associações de Agricultores”, ou “a permissão, fomentação e apoio de várias formas de venda direta”.

A APT pede ainda “a antecipação do pagamento de todas as ajudas diretas, medidas agroambientais e medidas de apoio às zonas desfavorecidas”, o “aumento do ‘desconto’ aplicado no gasóleo verde”, a “reposição da ‘eletricidade verde’” e o “combate à especulação”.

“É urgente que o Governo negoceie junto das grandes superfícies, para que estas assumam o compromisso que uma percentagem das vendas de produtos agrícolas comercializados, sejam oriundos da agricultura regional onde estão implantadas”, concluiu.

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