Quem passeia pelas principais ruas da cidade de Chaves tem-se deparado com várias pinturas que representam um pouco da história do povo flaviense. Ideia partiu da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior.

Estas pinturas surgem no âmbito da ação “Património escondido no Centro Histórico de Chaves” – Arte Urbana inserida no projeto “Ligações Virtuosas no Centro Histórico de Chaves” desenvolvido pela Junta de Freguesia de Santa Maria Maior.
Tanoeiro, lavadeira, cesteiro, ferreiro, engraxador e ardina são algumas das profissões que se podem encontrar nas caixas de eletricidade das principais artérias da cidade flaviense. Mas não são apenas estes objetos que estão a ser alvo de uma intervenção artística. A história da cidade de Chaves será, numa próxima fase, retratada também em muros, fachadas de prédios e portas.
“Um dos grandes objetivos que a nossa Junta de Freguesia sempre teve foi encontrar diferentes soluções de forma a criar maior atratividade na freguesia, neste caso junto do comércio local.
Esta foi uma das formas que encontrámos para conseguir dar mais dinamismo, mais cor, mais vida, mais encanto às nossas ruas com tanta história e tanta beleza. As pinturas que estão a ser realizadas permitiram não só dar mais cor e mais vida às ruas, mas também fizeram com que aquelas caixas, onde estamos a fazer a maior parte das pinturas, que geralmente estavam com publicidade e estavam num estado muito degradado, não estivessem mais, ou seja, já passou praticamente um mês e nenhuma dessas caixas, desde que foram reparadas, voltou a ter qualquer publicidade ou outro tipo de poluição visual”, destacou Hugo Silva, presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, no passado dia 2 de outubro, em declarações ao jornal A Voz de Chaves.
Os desenhos e as pinturas saem das mãos de quatro artistas flavienses: André Gomes, Ricardo Nuno Gomes, Alfredo Espírito Santo, e Dimitri Rodrigues. Numa próxima fase, o leque de artistas da cidade a deixar a sua marca neste projeto será alargado.
“Sempre me interessei por este tipo de profissões, por este tipo de pessoas que trabalham as coisas com as mãos. Eu sou pintor, também trabalho as coisas com as mãos. E a Junta tinha ideia de representar um pouco a identidade da cidade, o sítio de onde viemos, a cultura da cidade, e eu achei que fazia sentido fazer este trabalho com a Junta”, referiu André Gomes.
Por sua vez, Alfredo Espírito Santo explicou que “esta é uma forma de arte que já não é propriamente novidade, também há noutros sítios, mas tentamos ser aqui um bocadinho originais. Tentamos fazer as coisas a pincel, mesmo as imagens, vai escrever-se poesia, e serão feitos alguns cartoons também”. Estes textos terão a ver com a história da cidade de Chaves, desde Aquae Flaviae até aos dias de hoje.
“Através do projeto ‘Ligações Virtuosas no Centro Histórico de Chaves’, que fomos levando a cabo nos últimos dois anos, temos tentado criar atratividade, fazer com que Chaves seja inserido no mapa de forma diferente. Quer esta atividade, quer a ‘Lenda da Moura’ [também inserida neste projeto], entre outras que têm vindo a decorrer, têm permitido trazer novas pessoas a Chaves. Não só criam melhor ambiente na cidade fazendo com que as pessoas que aqui vivem tenham, por assim dizer, maior gosto pelo espaço envolvente, mas também pelas pessoas que vêm de fora. Temos observado que muitos aquistas que vêm à cidade se colocam ao lado das caixas, tiram uma fotografia para levarem como recordação, e temos a certeza que será esse momento, quando depois levarem para as suas terras, que irão vender e irão permitir que outras pessoas nos venham visitar. Para além de nos virem visitar pela nossa gastronomia, pelos nossos monumentos, pelo nosso comércio local de excelência e pela nossa história, têm agora mais um elemento visual de arte e com muita qualidade”, concluiu Hugo Silva.

Maura Teixeira

loading...
Share.

Deixe Comentário