O leitor interrogar-se-á sobre o que se passa para o mesmo título integrar palavras que aparentemente não têm a ver umas com as outras. No entanto, é dado adquirido que analisadas mais pormenorizadamente, estão intimamente relacionadas.

No passado dia 26 de maio esteve em Chaves Daniel Gagliardo e deu uma palestra sobre Cosmosofia. Este pensador tem vindo, desde há trinta anos, a divulgar uma linha de pensamento filosófico-espiritual que aborda aspectos ligados ao momento planetário que o nosso planeta e a Humanidade enfrentam. A forma como cada palestra é conduzida ocorre a partir de questões que a assembleia propõe ao orador e que depois de lidas, são organizadas e servem de ponto de partida aos temas que as pessoas querem ver debatidos.

Na palestra que aconteceu no passado domingo em Chaves, no salão Nobre da Universidade Sénior de Rotary de Chaves, os temas seleccionados foram os que integram o título deste artigo. O público atento, cerca de sessenta pessoas, ouviu as questões e a forma como Daniel Gagliardo abordou, de acordo com a linha de pensamento do movimento Uksim, cada uma delas.

Assim relativamente à questão que abordava a busca da felicidade e o amor, aquele pensador referiu que se a felicidade é uma meta pessoal, a pessoa tem dificuldade porque o custo da felicidade para cada um de nós tem a ver com aspectos concretos: assim uns ficam felizes com pouco, outros pensam que a felicidade é a necessidade de abarcar tudo. A felicidade, na verdade só é um estado de alma. A busca da felicidade equivale à busca de satisfação de desejos, pois ninguém encontra a felicidade na busca de resolução de problemas, doenças ou traumatismos. A busca da felicidade tem relação directa com a satisfação de desejos e sempre que essa satisfação acontece a pessoa vai encontrando um estado de alma mais leve e suaviza a depressão, a compulsividade, a frustração. Mas se encontra a sua fórmula da felicidade, isso dura pouco, porque logo de seguida a consciência fica aborrecida. Por isso, é cada vez maior o custo dessa busca da felicidade. As pessoas pensam que a felicidade equivale à harmonia e ao equilíbrio, mas na busca da felicidade não existe harmonia e equilíbrio. Logo, há uma certeza que o Ser tem: a consciência nunca fica aborrecida por causa da harmonia e do equilíbrio, no entanto a busca a nível material, emocional ou mental da felicidade provoca tensões que trazem desequilíbrio e desarmonia». Então, entre o conceito material de amor ou felicidade e o modelo universal desses conceitos há diferenças que induzem as pessoas a procurar na realidade exterior o que só a conexão com a consciência superior de cada um pode conceder.

Já relativamente ao Perdão, Daniel Gagliardo referiu que neste momento do nosso planeta, a urgência que existe em cada um de nós de resgatar situações cármicas, provoca uma quantidade enorme de situações de agressão e violação que constituem oportunidades especiais para que cada Ser faça as suas aprendizagens e respectivo resgate cármico. O Perdão funciona como aprendizagem da aceitação.

Finalmente, relativamente a sobre o que Krishnamurti pensaria da Cosmosofia, levou Daniel Gagliardo a, de maneira sorridente, referir que, dado que ele já não é vivo, será difícil conhecer a sua opinião; no entanto, segundo o orador, Krishnamurti, no seu tempo terreno também divulgou a Cosmosofia, logo, a sua opinião deverá ser favorável (isto, sou eu a inferir…).

Foi uma palestra enriquecedora que possibilitou a quem ouviu interiorizar propostas de aprendizagem essenciais, nestes tempos de convulsão do nosso Planeta.

Manuela Raínho

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