Com 26 anos, Marcelo Rodrigues é o candidato mais jovem a concorrer à presidência da Câmara Municipal de Chaves. Em entrevista ao jornal A Voz de Chaves, cedida na passada terça-feira, dia 18, na sede do partido, este economista com pós-graduação em economia social, natural de Bustelo, explicou as razões que o levaram a ser o primeiro candidato à autarquia flaviense pelo Bloco de Esquerda, e garantiu que vai lutar por políticas sustentáveis que promovam a equidade e a coesão social.

Marcelo Rodrigues, candidato à presidência da Câmara de Chaves pelo Bloco de Esquerda

Jornal A Voz de Chaves: Por que motivo se candidata à presidência da Câmara Municipal de Chaves?
Marcelo Rodrigues: O porquê de me candidatar partiu da vontade de querer exercer uma cidadania ativa e de querer participar na vida em sociedade e na construção de políticas que melhorem o concelho em geral. Outro motivo é o facto de estar rodeado por um grupo de pessoas excecionais. E também pelo desafio de pela primeira vez termos uma candidatura do Bloco de Esquerda à autarquia de Chaves. Acho que é um processo do qual eu vou desfrutar e que me vai fazer crescer como pessoa, como homem e como cidadão.

Há quantos anos faz parte do Bloco de Esquerda?
Há um ano e alguns meses. Desde fevereiro do ano passado.

Qual é a sua opinião relativamente ao trabalho desenvolvido pelo atual executivo ao longo destes quatro anos de mandato?
Nem tudo foi mau. Recentemente houve esta requalificação das estradas, houve a entrega de seis moradias sociais, por exemplo. Eu acho que esta gestão autárquica ficou marcada pelos grandes investimentos em obras públicas que depois não se traduziram numa melhoria da qualidade de vida da população, que não se traduziram numa melhoria do bem-estar social, e que não se traduziram numa valorização do território. Eu acho que este investimento foi mal priorizado. Acho que o investimento deve ser direcionado para a melhoria dos serviços públicos, para a recuperação do investimento feito e para um impulso à economia. E que este investimento se revista de utilidade social. Também acho que devem ser sempre acompanhados por informação de rentabilidade económica e social destes investimentos.

Acredita então que este executivo apostou mais em grandes investimentos do que em grandes ações?
Apostou mais em grandes investimentos, o problema é que esses investimentos, primeiro, estão desajustados da realidade local, e, depois, paralelamente, não havia um plano para por essas infraestruturas a andar e a terem resultados práticos.

O Hospital de Chaves é um assunto que preocupa muito os flavienses, e não só, também os habitantes de concelhos vizinhos. O que é necessário fazer para que o Hospital de Chaves não perca mais valências nem mais pessoas?
O problema do Hospital é um problema que é transversal e que nos transcende a todos enquanto partidos, mas ultimamente temos assistido a uma ação fragmentada individualizada dos maiores partidos políticos. Não acho que esta seja uma solução para obter ganhos visíveis e palpáveis. Esta é uma questão em que temos de colocar de lado as nossas diferenças partidárias e devemos unir-nos em torno desta questão no sentido de termos um maior poder reivindicativo e um maior poder de pressão junto da administração do Hospital e junto do Governo. Como eu já disse, devemos colocar as nossas diferenças de parte. E depois devemos ter em consideração que o Hospital não serve só Chaves. Temos também deputados da região no parlamento, temos, com certeza, o apoio de pessoal médico e, portanto, eu acho que nos devemos unir de forma a termos uma maior capacidade de pressão. E se for preciso trazer os flavienses para a rua, nós traremos os flavienses para a rua.

Acha que o interior, e particularmente o concelho de Chaves, tem sido esquecido pelo poder central que se concentra em Lisboa?
Sim. E isso é sobretudo devido a um estrangulamento financeiro. Eu costumo dizer que o dinheiro fica no Marão, e temos um caso desses de centralização, aqui bem perto de nós, com o Hospital, em que as valências estão a ser todas transferidas. Não está a ser dada a devida atenção a este problema. Se calhar também não é para ser dada, e claro que é um problema que nos deve preocupar. E também a descentralização de outro tipo de serviços, ou de ministérios, ou de tribunais que poderiam ser utilizados para aumentar a equidade e diminuir a exclusão no acesso a outros serviços. Mas também como forma de fixação populacional e de criação de emprego e da fixação de famílias.

É então a favor da descentralização do poder?
Sim, deve ser algo pelo qual devemos lutar.

Fez referência à fixação populacional. É certo e sabido que é necessário fixar pessoas no concelho de Chaves, nomeadamente os jovens. O que se pode fazer para que os jovens não procurem outros territórios?
Esta questão dos jovens tem de ser analisada de uma forma abrangente e em diferentes âmbitos. A questão essencial é a oportunidade de emprego, claro, mas também há outras questões que se prendem com a oferta cultural, com o acesso a espaços de lazer, de desporto, o acesso, por exemplo, à habitação para jovens casais. E, portanto, há aqui uma quantidade de coisas que se têm de ponderar e nas quais se deve atuar para contribuir para que haja uma maior fixação de jovens. Mas, sem dúvida, que o essencial é a questão do emprego.

Caso seja eleito, como vai resolver, o “problema”, por assim dizer, do parque empresarial?
Em primeiro lugar tem de ser construído o emissário. Não cabe na cabeça de ninguém que um parque empresarial tenha estado a funcionar quase dez anos sem o emissário estar concluído. Depois disso, nós precisamos de emprego, e temos de criar incentivos fiscais sobre os impostos municipais que favoreçam a fixação de empresas. E temos também de facilitar o acesso ao espaço ou às instalações onde estas empresas depois irão desenvolver a sua atividade. O que nós devemos defender aqui não é uma fixação empresarial a todo o custo. Acho que devemos acordar que estes postos de trabalho sejam maioritariamente, e tanto quanto possível, sobretudo para jovens e para desempregados de longa duração, e depois temos de acordar um limite à precariedade laboral e não permitir que estas empresas venham para cá e abusem da precariedade e abusem de contratos temporários de trabalho.

Acredita que essas empresas irão ver o concelho de Chaves como sendo um concelho atrativo?
Sim, eu penso que sim. Estamos bem localizados, estamos perto da fronteira, do porto de Leixões, do porto de Vigo. Portanto, estamos no interior de Portugal esquecidos, mas estamos na porta da Europa.

Na apresentação da sua candidatura afirmou que quer ser a voz dos cidadãos que se revêm no projeto do BE, em prol do desenvolvimento do concelho. De que forma pretende fazer isso? Quais os projetos que o Marcelo e o BE têm para o concelho de Chaves?
Nós temos projetos em diversas áreas. Na questão do emprego, na questão da ação social, na questão do comércio, na questão da cultura, da educação, do desporto e lazer, na questão do turismo. E, portanto, temos um conjunto de ações que logicamente não conseguiríamos levar todas a cabo e estas coisas não acontecem da noite para o dia, mas temos um conjunto alargado de intervenções que pelo menos gostaríamos de trazer a público e que fossem discutidas.

Qual o lema pelo qual o BE se rege?
O lema pelo qual o BE se rege é como diz nos nossos cartazes “Construir um futuro no presente”. Portanto, o que nós pretendemos é no presente desenhar políticas sustentáveis que promovam a equidade e a coesão social, e que permitam o reforço da identidade desta região e que permitam transportar a memória coletiva e projetá-la no futuro.

Sente-se confiante numa vitória?
Este é um projeto que está a começar. Temos de estar bem cientes de que culturalmente é difícil um projeto deste tipo desenvolver-se aqui na cidade. Estamos num meio culturalmente cerrado, e temos de ter os pés bem assentes no chão. Mas eu tenho confiança no nosso trabalho e acho que podemos fazer um bom resultado.

Algo mais que queira acrescentar?
Só dizer que as pessoas podem contar connosco para oferecer uma alternativa válida ao atual modelo de gestão autárquico. E quero fazer um apelo aos jovens para que venham fazer política, para que se aproximem da política e que participem no desenho de políticas que dizem respeito não só a eles e às questões do seu dia a dia, mas também às restantes questões do resto da população.

Maura Teixeira

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