Cristiana Pires Alves Neurofisiologia

Cristiana Pires Alves
Neurofisiologia

Há já algumas semanas que falamos sobre epilepsia, em Dezembro apresentamos a epilepsia de ausências e esta semana abordaremos a epilepsia mioclónica juvenil, que é uma das epilepsias generalizadas idiopáticas mais comuns.

A epilepsia mioclónica juvenil inicia-se habitualmente na infância ou adolescência e apresenta diferentes crises tipos de crises epilépticas: crises mioclónicas, crises tónico-clónico generalizadas e crises de ausências. As crises podem ser controladas com o correcto tratamento, mas é uma doença que estará presente toda a vida.

As crises mioclónicas são caracterizadas pela contracção súbita dos músculos, as mioclonias, que podem ser descritas como espasmos, e são observados maioritariamente nos braços, mas também podem ocorrer nas pernas, sem ocorrer a perda de consciência. Estas crises são as que ocorrem com mais frequência, nesta epilepsia, cujo nome deriva delas.

Nas crises tónico-clónicas generalizadas, conhecidas como convulsões, há perda de conhecimento e observam-se movimentos dos membros.

As crises de ausências, que foram descritas há algumas semanas, são perdas de consciência, sem perda da postura, durante alguns segundos, parece que está a olhar para o vazio. Estas crises são menos frequentes e podem passar despercebidas, como se fosse uma pequena desatenção.

As crises epilépticas nesta epilepsia são, muitas vezes, desencadeadas por luzes intermitentes, como as luzes das festas, e ocorrem habitualmente de manhã ao despertar. São comuns os acidentes ao pequeno-almoço. A privação de sono e a ingestão de álcool ou drogas aumenta consideravelmente a probabilidade de ocorrer uma crise. É importante reconhecer os factores desencadeantes das crises e evitá-los.

Tal como outras epilepsias, a causa desta epilepsia também não é conhecida, mas há alguns factores, como ter antecedentes de epilepsia de ausências na infância ou ter familiares com epilepsia, estão associados ao desenvolvimento desta doença.

O diagnóstico desta epilepsia é relativamente fácil pela recolha da informação clínica com o doente e com os familiares. A clínica é o elemento fundamental para o diagnóstico, mas é também importante a realização do electroencefalograma, que é o teste mais sensível para confirmar o diagnóstico da epilepsia. Muitas vezes o diagnóstico desta epilepsia é realizado tardiamente, pois as crises mioclónicas são subvalorizadas e só recorrem aos serviços de urgência quando ocorre uma crise tónico-clónico generalizada.

Para o tratamento farmacológico poderão ser prescritas terapias apenas com um medicamento ou terapias combinadas. Possivelmente não encontrarão a solução ideal com a primeira abordagem terapêutica, mas com o devido acompanhamento médico, irão ajustar a medicação de forma a obter a melhor resposta em cada caso.

Além dos medicamentos anti-epilépticos, é também essencial instruir o doente sobre os factores que podem desencadear estas crises, como ter um sono regular, sem privações de sono, interrupções ou despertares bruscos, evitar o café à tarde e à noite, evitar bebidas alcoólicas, evitar luzes intermitentes se existir fotossensibilidade. Se as crises não forem controladas, também haverão restrições sobre a permissão de conduzir.

As respostas ao tratamento costumam ser boas e com a idade a frequência e a severidade das crises diminui. A medicação é aconselhada, mesmo com períodos de vários anos sem crises, pois as crises surgem novamente na grande maioria dos casos.

Apesar das restrições inerentes à epilepsia mioclónica juvenil, os doentes não estão impedidos de usufruir da vida, terão apenas de tomar a medicação correctamente e abolir os factores desencadeantes das crises.

Qualquer dúvida, questão, esclarecimento, ou se quiser sugerir um tema, contacte-nos através de saude.nao.mente@gmail.com.

 

 

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2 comentários

  1. Sou portador de Epilepsia , tenho 46 anos e desde os 16 anos a carrego. Estou tendo dificuldades financeiras pela doença que piorou no últimos 3 anos onde todo mês tenho tido crises. Sou conselheiro gestor da supervisão norte VM/VG e gostaria de expandir os comentários, para que todos saibam e acabe com a discriminação ou ao menos diminua.

  2. Bem, minhas crises começaram aos 14 anos e até os 27 anos elas ocorriam com pouca frequência: 1 a cada dois anos. percebi que começaram a aumentar consideravelmente a partir do nascimento da minha primeira filha aos 28 e agora com 32 anos estou tendo uma por mês e isso está me levando a acreditar que além do sono deve ser pelo stress e responsabilidade de mãe, afinal tenho mais dois filhos, e além disso sou professora de educação infantil, tem dias que chego em casa exausta e muito irritada. já tomei vários medicamentos entre eles o ácido volpróico, mas, tive que parar pois estava causando queimação e ausência de memória, atualmente uso topiramato. gostaria de saber se este seria mesmo o medicamento certo, pois estou pensando seriamente em trocar de médico.

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