Direito à Memória: o flaviense Rúben Sevivas distinguido com o prémio de melhor documentário
O realizador flaviense Rúben Sevivas viu o seu documentário Direito à Memória distinguido como melhor documentário. O filme parte de um episódio marcante da história de Chaves e da oposição ao Estado Novo: o discurso com que o General Humberto Delgado encerrou o comício realizado na cidade, no antigo Cine Parque, durante a campanha para as eleições presidenciais.
Uma gravação que sobreviveu
Humberto Delgado foi um dos mais ousados opositores da ditadura e a sua candidatura presidencial mobilizou multidões por todo o país. A polícia política destruiu os registos de voz da campanha, mas a gravação feita em Chaves escapou. Sobreviveu porque esteve enterrada num quintal durante vários anos, escondida por quem sabia o risco que corria ao guardá-la.
É este o ponto de partida do documentário: o único registo de voz do General durante a campanha, preservado graças à coragem de anónimos. A gravação resistiu ao tempo. O Cine Parque, onde o discurso foi proferido, não resistiu.
Memória, lugar e identidade
O filme cruza a história da gravação com a história do próprio edifício, um espaço emblemático da vida cultural flaviense que acabou por desaparecer. Através de testemunhos, imagens de arquivo e da própria voz de Delgado, Rúben Sevivas reflete sobre a importância de preservar a memória coletiva e sobre o modo como os lugares guardam, ou perdem, a história de uma comunidade.
O título resume a intenção do realizador: reivindicar o direito de uma cidade e de um país a conhecer e lembrar o seu passado, incluindo os episódios que o regime quis apagar.
Um reconhecimento para Chaves
A distinção foi recebida com orgulho em Chaves, onde o realizador tem as suas raízes. Para muitos flavienses, o documentário devolve à cidade um capítulo da sua história que pertence também à história nacional da resistência à ditadura.
- um documentário de autor com raízes no Alto Tâmega;
- um testemunho sonoro raro da campanha de Humberto Delgado;
- uma reflexão sobre património perdido e memória coletiva.
O prémio abre portas a novas exibições do filme e reforça o percurso de Rúben Sevivas no cinema documental português, um género que continua a ter um papel decisivo na preservação da memória.