Ponte Escrita, o III Encontro Luso Galaico de Escritores aconteceu em Chaves, pela terceira vez, nos dias 27 e 28 de Abril.

Começou com encontros de escritores em escolas, estabelecimento Prisional e Universidade Sénior. Na biblioteca, César Lorenzo apresentou o projecto editorial “Aira”, mais uma pedra neste necessário caminho literário entre Portugal e a Galiza. E continuámos com os livros: “Ensina-me a voar sobre os Telhados” De João Tordo, apresentado sob olhar de leitora de Susana Maura. “O afinador de Memórias” de Jorge Serafim, escrutinado pelo olhar de mediadora de leitura de Susana Ventura. “Curiosidade” de Estibalíz” Espinosa partilhado com a telúrica energia feminina de Maria Joana Carvalho. Na Adega do Faustino, em partilha com muitos leitores, poesia foi um condimento de um agradável jantar e os contos de Jorge Serafim fecharam um agradabilíssimo serão. No Sábado, felizmente São Pedro esteve entretido, porventura a ler. E pudemos sem chuva, guiados pelo entusiasmo de Luís Geraldes, mostrar a cidade para que novos contos sejam escritos. Partimos da Praça do Brasil, um lugar que vai fazer parte do roteiro da Paulista Susana Ventura. Atravessamos a Praça Flávio Vespasiano que a Isa Silva vai encher de palavras depois de espalhar desenhos por toda a cidade. Subimos ao Largo do Anjo que será novamente a porta da cidade para o conto de JB César. Descemos a Rua direita, admirámos o magnífico quarteirão que nasce à volta do novo Hotel e aguardamos que intriga o Paulo kellerman criará com os personagens que o irão habitar. Perto da Rua do Sol onde Licínia Quitério sob o olhar dos seus gatos escreverá o seu conto fizemos uma paragem para degustar uma oferta do Sr. Jacinto: pastéis de Chaves, o nosso ex-libris. O certo é que em mais nenhum lugar têm o sabor de Aquae Flaviae. Nas conversas cruzadas como as palavras do Paulo Freixinho ficou combinado que Ramón Caride há-de voltar para a celebração dos 100 anos da escola Júlio Martins. Depois houve tentativas para atravessar as Poldras, e desde aí até à Alameda de Trajano Lois Perez terá uma história a terminar. Percorremos o jardim, a figura tutelar do Cândido Sotto Maior. Olhámos as casas que aguardam a segunda vida junto à Nacional 2 que aqui começa e há-de trazer o Jorge Serafim para contar mais uma história. A Madalena espera. Atravessamos a Ponte onde Estibalíz Espinosa, a mulher poeta procurará encantos de mouras. A Ponte pertence-lhe este ano como antes a António Mota e a Cristina Carvalho. Tanta gente por aqui passou em três anos… Em Vidago esperava-nos Anísio Sousa Saraiva, um professor de história que, com a família, regressa ao campo para o transformar. E num minuto passaram cem anos. Deixámos o Joel Neto a contemplar as vinhas, os campos lavrados de outrora. Chegámos ao Largo do Olmo, ao lugar da velha taberna, a venda da mercearia, ao copo de vinho, do tabaco ao correio. E vejo ali Manuel da Silva Ramos a enovelar. Acenamos ao longe ao Palace e entrámos no lugar da fonte Campilho, na velha casa de ar vitoriano. E a teia começa a formar-se com Eugénia, Cândido Sotto Maior, Lima Barreto, Almada Negreiros… João Morales tem muito que contar no próximo conto. No Auditório do Balneário Pedagógico de Vidago Rui Branco, o Presidente da Junta de Freguesia aguardava-nos e uma excelente acústica permitiu-nos escutar, Joel neto, J.B. césar; Licínia Quitério, Lois Perez, Paulo Kellerman, Estibalíz Espinoza e Manuel Da Silva Ramos. E à noite a Biblioteca encheu-se de gente para ouvir falar das “Casas da Nossa Escrita”. Ana Margarida de Carvalho, Estibaliz Espinosa, Jorge Serafim, Ramón caride e João Tordo. A Biblioteca, lugar que encerra todas as palavras que Ana Margarida de Carvalho usará no seu conto. Ao lado a Escola, antigo Liceu, antigo Convento que João Tordo fará habitar com as suas.
Das metáforas e da seriedade, da catarse e do bom humor da noite contarão todos os que escutaram. De umas coisas nascem outras, isto anda tudo ligado ou de como andamos todos a tricotar pontes, uns de uma maneira outros de outra. Uns mais leves outros mais pesados como o António Alberto Alves que ia fazendo circular a Feira do livro, estacionada por três dias no Café Sport, para que na partida dos escritores fiquem os livros. No “Guia da Nacional 2” da editora da “Foge Comigo”, há uma citação de Eduardo Galeano. A utopia, para que serve? Para caminhar. E isso sabe Nuno Vaz, o Presidente Da Câmara, que escutou, com agrado, algumas das muitas palavras deste Encontro.
A Ponte foi três vezes escrita. Há dois livros que se chamam “Km0” mais que a razão toponímica a da Literatura onde a casa está sempre a começar a erguer-se das cinzas, a voar por cima dos telhados à procura de terra fértil. Um terceiro “Km0” reunirá os 15 contos destes 15 companheiros de travessia. Literatura. Trabalho destes escritores, muito trabalho. Quanto mais fácil parece mais trabalho dá. Os contos espalharão palavras que nos aconchegam, que nos desinquietam, que nos guiam, que nos mudam. Somos uma cidade que se constrói à volta de muitas ideias. Continuaremos a fazer “pontes”, entre escritores, livros e leitores. Entre Portugal e a Galiza com quem partilhamos esta graça de falarmos duas línguas em simultâneo entendimento. Faremos 739 páginas ou um tweet. O tamanho é questão de perspectiva. Dizia alguém, numa rede social onde agora nos encontramos tantas vezes como antes no adro das igrejas, a pergunta agora não será: “onde estávamos no 25 de Abril?” mas “o que fizemos nós do 25 de Abril nestes 44 anos?”. Também aqui não interessa a cidade que temos mas o que faremos com a cidade que existe.
Agradecimentos: Câmara Municipal; Hotel Aquae Flaviae; Taberna Benito; Restaurante Quinta da Cera; Adega da Luz; Adega do Faustino; Pastéis Jacinto; Auto-viação do Tâmega; Junta de Freguesia de Vidago; Café Sport. Professores e alunos que acompanharam os escritores.

Sílvia Alves e Altino Rio

(Este Texto está escrito ao abrigo da antiga ortografia)

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