António Cabeleira é o candidato escolhido pelo Partido Social Democrata para a presidência da Câmara Municipal de Chaves. Em entrevista ao jornal A Voz de Chaves, no passado dia 30 de maio, explicou o porquê da sua recandidatura e quais os projetos que faltam ainda concretizar no concelho flaviense.

Jornal A Voz de Chaves: Por que motivo se recandidatou à Câmara Municipal de Chaves?
António Cabeleira: É uma boa pergunta. O motivo é simples. Entendemos, entendo eu, entende o meu partido, que este mandato é um mandato de sucesso. É um mandato em que conseguimos até superar os objetivos. Assim sendo, acho que faz todo o sentido dar continuidade ao bom trabalho que desenvolvemos durante este mandato. E, durante a entrevista, direi por que é que entendemos que fizemos um mandato de sucesso.

Decorrem várias obras de requalificação de estradas ou de edifícios em Chaves. Por que é que só agora estão a decorrer estas obras?
É uma boa pergunta. E até agradeço que a tenha feito. Por que é que só agora estão um conjunto de obras significativas em curso? Até pode parecer que estamos a realizar estas obras porque é ano de eleições. Mas não é verdade. Não é por ser ano de eleições. Tem a ver com o atraso do novo quadro comunitário de apoio Portugal 2020. Foi preciso elaborar candidaturas, fazer um bom planeamento. Felizmente em Chaves temos um planeamento e com candidaturas aprovadas de cerca de 30 milhões de euros. É um volume muito significativo de financiamento para realizar obras e não só. Ações imateriais também. E só neste momento, só este ano é que nos começaram a aprovar candidaturas para concretizar as obras. Acontece em Chaves e acontece no território todo. Nós não temos nenhuma responsabilidade com o facto de não ter arrancado em 2016, por exemplo, ou em 2015, que até seria bom para nós poder chegar a esta altura do mandato com um grande volume de obras já executado. Infelizmente foi assim, mas no próximo mandato temos aqui um conjunto muito significativo de obras e de planeamento já planeado e definitivamente financiado.

A perda de serviços no Hospital de Chaves é algo que preocupa muito os flavienses e também os habitantes de outros concelhos do Alto Tâmega. O que é necessário fazer para que o Hospital de Chaves não perca mais valências nem mais pessoas?
Essa pergunta é uma pergunta que temos todos de dirigir ao senhor ministro da saúde, porque, infelizmente, a competência não é da Câmara Municipal, é do Ministério da Saúde. O que é que temos de fazer? Continuar insistentemente a chamar a atenção ao Ministério da Saúde e ao Conselho de Administração do Centro Hospitalar para o Hospital de Chaves, para a população do Alto Tâmega e para a preocupação e o dever de tratar o território de uma forma coesa e com equidade. O Conselho de Administração e o Ministério da Saúde não devem desvalorizar esta grande obra física, que é o nosso Hospital. E devemos continuar a ter, e temos direito a ter, recursos humanos para que o Hospital continue a prestar os cuidados de serviço à população que prestou até 2007. A infeliz ideia do ministro Correia de Campos do Partido Socialista de criar o Centro Hospitalar, foi a partir desse dia, a partir desse momento que o nosso Hospital se foi descaraterizando e perdendo valências. O que é que nós temos lutado? Temos lutado junto do atual Conselho de Administração, tal como dos anteriores, para que o Centro Hospitalar tenha um plano estratégico e esse plano estratégico diferencie numa ou noutra especialidade o Hospital de Chaves. Eu sei que o ideal era que o Hospital de Chaves se constituísse como uma Unidade Local de Saúde, como a temos defendido, aliás, resolução aprovada na Assembleia da República quando eu era deputado e por mim apresentada. Mas, os sucessivos Governos, nem sequer posso falar só deste, o anterior também, não deram andamento à decisão da Assembleia da República e, infelizmente, o que tem acontecido é realmente a desvalorização do Hospital, coisa que não nos agrada. Porque o território também é competitivo se tiver serviços competitivos, e a saúde naturalmente é estratégica em qualquer comunidade.

Uma vez em entrevista o presidente da Câmara Municipal de Boticas, Fernando Queiroga, disse que parecia que os sucessivos ministros da Saúde, quando assumiam o cargo, tinham um livro no qual dizia que era obrigatório encerrar o Hospital de Chaves. Partilha da mesma opinião?
Partilho, por isso é que eu disse que não é só este Governo. O anterior foi igual, e o anterior do anterior. Ninguém está preocupado com os territórios do interior. Esta é que é a verdade. Em campanha eleitoral, em situações de debate e assim toda a gente fala em valorizar o interior. A verdade é que depois a prática é completamente diferente. O país precisa de ter a população distribuída pelo território. Precisa de ter o território todo valorizado. Repare, estamos hoje, com este Governo, a viver uma realidade que todos em Portugal aplaudimos, a Comunidade Europeia aplaude, a Comunidade Internacional aplaude que é a grande baixa do défice público em Portugal. Um feito bom. É realmente o défice mais baixo do pós 25 de Abril. O que é extraordinário. Mas esse défice baixou à custa de quê? Baixou à custa de termos o pior investimento público de que há memória no pós 25 de Abril. Baixou à custa de termos precisamente os serviços públicos desvalorizados. Poupa-se na saúde, poupa-se na educação, poupa-se em outras áreas, como a social, poupa-se em estágios profissionais. Não há estágios profissionais para os jovens na administração local, e tudo isto gera poupança que, naturalmente, ajuda a baixar o défice. Mas também aumentou a dívida pública nacional para 130% do Produto Interno Bruto. Ora, o défice baixou, mas o nível de investimento no país diminuiu. E não é isso que nós pretendemos. Queremos que haja um défice público baixo, ou que passe até a ser zero, mas que o país tenha a capacidade de investir para que os portugueses tenham oportunidade de emprego em Portugal.

A necessidade de fixar pessoas é um facto, nomeadamente os jovens. Existe o desejo público da criação de uma Escola Superior de Hotelaria e Termalismo. Será um investimento a realizar já no próximo mandato, caso seja vencedor?
Espero, naturalmente, ser vencedor porque o trabalho que temos realizado tudo nos indica que isso vai acontecer. Esse é um projeto novo. Estamos a trabalhar com o Instituto Politécnico de Bragança (IPB), que felizmente criou ensino superior em Chaves através dos cursos técnicos superiores profissionais, e entendemos, nós na Câmara Municipal, quer o senhor presidente do IPB, o professor Sobrinho, que há condições para em Chaves haver uma Escola Superior de Termalismo e Hotelaria. Nessas duas áreas porquê? Temos o melhor destino termal europeu que são as nossas Termas de Chaves, temos termas em Vidago, quer no nosso balneário pedagógico, quer no Vidago Palace Hotel, há termas no spa das Pedras Salgadas. Desejamos muito que Boticas possa reabilitar o balneário de Carvalhelhos. Nós estamos a desenvolver um projeto com uma empresa italiana que nos tem vindo visitar e estamos a trabalhar nesse sentido para que haja um balneário em Vilarelho da Raia. Queremos lá aproveitar as nossas águas minerais e termos lá um spa, uma clínica e um hotel. Essa empresa italiana já veio duas vezes a Chaves e tem programado agora para o fim do mês de junho regressar já com médicos e com arquitetos para o desenvolvimento do projeto. Queremos que em Verín também surjam equipamentos termais. Este conjunto faz de nós o melhor, maior e com mais qualidade destino termal de Portugal. Por isso é que nós nos apelidamos como “Chaves, capital termal”. Mas também na hotelaria temos o maior e o melhor parque hoteleiro de todo o Trás-os-Montes e Alto Douro. Portanto, fará todo o sentido que em Chaves haja uma Escola Superior de Termalismo e Hotelaria para ajudar a dar dinâmica ao que já temos hoje instalado, formando bons profissionais, quer para nós, quer para fora, porque se sabe que uma Escola Superior nunca trabalha só para o mercado local, trabalha para o mercado global. Mas esta Escola terá uma particularidade. Será uma Escola dirigida por uma instituição universitária portuguesa, neste caso o IPB, e por uma instituição universitária galega, em princípio a Universidade de Vigo. As duas em conjunto criarão a Escola Superior de Termalismo e Hotelaria da Eurocidade Chaves-Verín, que depois dará dupla titulação. O que é que isso quer dizer? Quer dizer que quem se formar nesta Escola tem logo o seu diploma reconhecido em Portugal e em Espanha. E esta dinâmica vai realmente ser importante. Espero que durante o próximo mandato, no ano letivo 2019/2020, já seja possível ter esta Escola em funcionamento.

Algumas pessoas reclamam a falta de eventos musicais gratuitos na cidade, e chegam até a comparar com outras cidades e vilas bem próximas de Chaves. Se for reeleito, esse será um ponto a ser mudado?
Eu acho que essa é uma crítica sem sentido. Nós temos tido atividades e concertos musicais até gratuitos em número significativo. Não há territórios onde os bons espetáculos sejam gratuitos. Não há nenhum território. Há sempre uma atividade ou outra de verão que os municípios vão desenvolvendo. Mas durante o ano com programação cultural isso não acontece em lado nenhum. E Chaves hoje, através de uma nova associação jovem, os INDIEROR, que tem trazido a Chaves bons músicos, está com um grande dinamismo. Já tivemos no Centro Cultural espetáculos de grande nível. Há um jovem que veio de propósito do Dubai porque queria muito assistir ao espetáculo que o Glenn deu em Chaves. Um artista que ganhou um Grammy. O Casino está com espetáculos como nunca esteve. É evidente que são pagos, mas têm de ser. A cultura não pode ser gratuita como não há nada que seja gratuito. A educação não é gratuita, o desporto não é gratuito. Nós, como comunidade, temos de ajudar, de alguma forma, nem que seja de forma simbólica, a pagar os espetáculos. Mas compare os espetáculos que se têm realizado em Chaves com os outros, e eu tenho essa preocupação de ver a agenda cultural de municípios aqui de Trás-os-Montes e Alto Douro, e verificará que Chaves tem uma dinâmica cultural superior, apesar de alguns deles terem melhores equipamentos culturais do que nós, como salas de espetáculos. Melhores municipais, porque não há ninguém que tenha uma sala de espetáculos como a do Casino onde podemos nós próprios organizar coisas. É uma grande sala que nos enche de orgulho, naturalmente.

Muitas pessoas elogiaram a abertura do mercado municipal ao sábado de manhã. Será para manter num próximo mandato, se for vencedor?
Será mantido se os vendedores lhe derem dinâmica. Porque o mercado tem duas vertentes: a vertente de quem vai comprar e a vertente de quem vai vender. Se não houver quem vá vender, também não há quem compre. Portanto, as duas situações têm de estar conjugadas. Se houver procura, claro que sim. Mas o mercado municipal também pode ser conjugado com as outras feiras que se vão organizando, como a Feira das Varandas, a Feira das Velharias e outras que eventualmente se podem organizar no centro histórico para atrair mais gente a Chaves. Mas será para manter caso os vendedores assim o exijam, comparecendo.

Sente-se confiante numa vitória?
Sim. Se não me sentisse confiante numa vitória não me apresentava novamente como candidato. Sou candidato porque entendo que durante este mandato fizemos, e eu próprio, um trabalho profícuo, um trabalho de grande intensidade. Foi preciso resolver esses problemas todos que já abordámos. Mas tivemos a capacidade de planear o futuro para as diversas áreas. A nível da educação temos planeamento e projetos aprovados e financiados para melhorar as instalações de jardins de infância, escolas de primeiro ciclo, e da Escola Secundária Fernão de Magalhães. A nível da cultura, temos financiamento para fazer e concluir a segunda fase do Museu das Termas Romanas, para ampliar o Museu da Região Flaviense, e estes são apenas dois exemplos. Temos, a nível do desporto, o projeto para construir umas piscinas novas, construir um novo pavilhão, e para continuar a apoiar a infraestruturação do território a nível de polidesportivos espalhados pelo nosso concelho. Ao nível da área de solidariedade, temos projetos aprovados e financiados para construir equipamentos sociais, nomeadamente instalações definitivas para a Associação Flor do Tâmega para o desenvolvimento da sua atividade. Temos a nível da habitação social projetos aprovados para reabilitar o parque habitacional da Casas dos Montes, do Bairro dos Fortes, através da eficiência energética do Bairro dos Aregos. Portanto, é um conjunto muito significativo em todas estas áreas, na educação, na cultura, no desporto, na área social, mas também a nível da valorização do território. Nós temos financiamentos aprovados para um plano de mobilidade que temos para a cidade de Chaves em que vamos requalificar a maior parte das artérias da cidade, aumentando os espaços pedonais, para que quem anda a pé tenha mais conforto para andar a pé, mas, por outro lado, quem anda de automóvel ande a uma velocidade mais reduzida para diminuir as emissões de CO2. E há aqui também uma preocupação ambiental com esta situação. Esse plano já começou a ser executado, e durará até 2019 com a execução e valorização das infraestruturas viárias da cidade de Chaves. Vamos contruir o centro Coordenador de Transportes para que haja um espaço no qual os autocarros que vêm de fora da cidade possam estacionar, recolher e libertar passageiros. Também é uma ambição que já tem alguns anos. Temos cerca de 3 milhões de euros aprovados para a valorização ambiental do nosso território. Vamos substituir todas as fossas sépticas por mini ETARs. Vamos ampliar redes de saneamento. Vamos construir redes de saneamento novas. Vamos reforçar o abastecimento de água às populações. Deixe-me dar relevo à construção de três mini ETARs, que são a de Vilarelho da Raia, Vilarinho e Vila Meã, em conjugação com o emissário do Parque Empresarial que vão valorizar ambientalmente também o rio Tâmega na medida em que são aqui quatro focos poluentes a montante da cidade de Chaves e que vão desaparecer. Mas queremos também valorizar as atividades económicas do nosso concelho, porque acho que já fizemos um bom trabalho, mas podemos fazer mais. Da classificação do nosso pastel como um produto IGP resultou, para além da promoção do próprio pastel e de Chaves, no ressurgimento de um conjunto muito significativo de empresas que criaram postos de trabalho e que exportam o pastel de Chaves, não só para outros territórios em Portugal, mas também para o estrangeiro. E isto é dinamização económica. Isto é criação de emprego. Vamos valorizar essa vertente, estamos em vias de classificar também o nosso folar como produto IGP, e iniciámos o processo também em relação ao presunto de Chaves. O setor primário tem de merecer também alguma preocupação. Estamos em conjugação com o Governo e algumas cooperativas a ver se conseguimos dar uma dinâmica maior ao setor primário. Queremos valorizar mais ainda e internacionalizar as nossas Termas. O caminho será mais fácil. O primeiro passo foi dado que foi o feito extraordinário de termos ganhado o prémio de Melhor Destino Termal Europeu. Agora é só dar-lhe mais um impulso para trazer gente de fora de Portugal às Termas de Chaves. Vamos claro também dinamizar o setor do turismo que é um setor importante. Também estamos a trabalhar na modernização administrativa dos serviços municipais. Uma última área que queremos desenvolver, e estamos a desenvolver, é a cooperação. Nós fomos pioneiros em Portugal na cooperação e na dinamização transfronteiriça, com a criação da Eurocidade Chaves-Verín. Queremos ainda alargar a Eurocidade ao Alto Tâmega todo e à Comunidade de Monterrey para que haja mais território, mais pessoas e possamos criar aqui mais dinâmica. Mas a cooperação também tem de se fazer dentro do Alto Tâmega. É absolutamente redutor e incompreensível quando alguém valoriza os eventos que se realizam noutros municípios, como a Sexta 13 em Montalegre, por exemplo, e diz “Chaves também devia ter”. Não, Chaves não tem de ter. Cooperar não é anular os outros. Cooperar é, precisamente complementar os outros. O Alto Tâmega todo só tem a ganhar em valorizar a Sexta Feira 13 porque ganhamos todos. Quando este evento tem uma grande enchente, a hotelaria de Chaves fica cheia, a de Boticas fica cheia, a de Montalegre fica cheia, naturalmente, e até a de Ribeira de Pena já ganha com este evento. O que é necessário ao nível do Alto Tâmega é cooperar para criarmos muitos momentos ao longo do ano, em cada território, de forma a que consigamos ao longo do ano atrair, em vários momentos, para Chaves, Boticas, Valpaços, Vila Pouca de Aguiar, Montalegre, Ribeira de Pena gente de forma a que todos ganhemos com estas dinâmicas. Mas também queremos cooperar a nível internacional valorizando as geminações já desenvolvidas.
É este o espírito com que nos apresentamos às eleições para fazermos mais e melhor pela nossa terra e ajudando a alimentar esta forte dinâmica social que Chaves tem.

Há algo mais que queira acrescentar?
Só dizer que o espírito com que me apresentei nas últimas eleições como candidato à Câmara não esmoreceu. Antes pelo contrário. Está hoje mais forte ainda e nós estamos convictos que vamos continuar a ajudar a desenvolver o nosso território. Queremos sempre mais, todos queremos mais. Por vezes não conseguimos fazer tudo aquilo que queremos, porque não é possível. Ninguém faz tudo aquilo que quer. Mas todos sempre por Chaves vamos, naturalmente, fazer mais e melhor pela nossa terra e estamos convictos que o próximo mandato será um mandato de grande sucesso, com grandes realizações, quer de equipamentos, quer de eventos e de dinamização económica e social e que os flavienses naturalmente se vão orgulhar.

Maura Teixeira

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