O arqueólogo Bruno Rúa Martínez apresentou na sexta-feira passada, dia 3, o seu livro de investigação sobre os “Petróglifos do Alto Tâmega”, na Biblioteca de Chaves. Trata-se de uma obra que reúne mais de 250 imagens sobre gravuras rupestres encontradas na comarca de Monterrei, em Espanha.

Nos últimos 12 anos Bruno Rúa Martínez percorreu os montes da zona raiana espanhola e examinou todas as rochas gravadas que foi encontrando pelo caminho com o objetivo de investigar as “mensagens” deixadas pelos nossos antepassados há mais de quatro mil anos.
Segundo o autor, estas rochas “foram criadoras de cultura” e encerram em si várias lendas e contos sobre a época em que foram realizados os “desenhos”.

O antropólogo e arqueólogo decidiu apresentar o seu livro em Chaves porque considera que a sua obra está incompleta pois ainda lhe falta analisar a outra metade do território que compõe o Alto Tâmega: a raia portuguesa.
Este livro pretende assim “ser a base de futuras investigações”. Por isso, o autor do estudo quer formar uma equipa com investigadores portugueses que o ajudem a “passar a fronteira” e, com a partilha dos seus conhecimentos, a escrever a história dos petróglifos existentes na raia portuguesa.
Bruno Rúa Martínez estudou centenas de rochas que foram sendo marcadas pelas populações que habitaram a comarca de Monterrei nos finais do calcolítico e início da idade do bronze.

“A maior parte dos petróglifos encontrados têm pequenos buracos que não se sabe ao certo o que significam. A minha teoria é que essas imagens podem representar as constelações”, explicou o arqueólogo.
Neste estudo estiveram envolvidos, para além do arqueólogo Bruno Rúa Martínez, que realizou o trabalho de campo, vários investigadores e professores catedráticos que o ajudaram a catalogar e a entender os petróglifos que foram descobertos ao longo de mais de uma década.
O arqueólogo, natural de Verin, Espanha, conta que o que mais o surpreendeu foi a enorme variedade de petróglifos encontrados.

“Graças a estes 12 anos de trabalho passamos de 25 petróglifos catalogados a mais de 250”, contou.
Para além desta obra, o autor produziu um Guia Geral da comarca de Monterrei.

Cátia Portela

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