O Desportivo de Chaves esteve a perder por 0-2 e 2-3, mas recuperou no marcador e em plenos descontos chegou à vitória, com uma grande penalidade transformada por Pedro Tiba.

Um autêntico hino ao futebol: seis golos num primeiro tempo impróprio para cardíacos. A segunda parte foi mais apagada, mas tinha o melhor guardado para o final, com a equipa transmontana a chegar à vitória.
A vitória permite aos flavienses descolarem do Vitória de Guimarães e somar 26 pontos no 7º lugar do campeonato.

Com os transmontanos a viverem a melhor fase no campeonato, somaram a oitava partida sem perder (quebrou recorde que durava desde 89/90)., Luís Castro mexeu apenas uma peça no onze, lançando William, autor do golo do empate caseiro com o Aves, na frente de ataque para o lugar de Platiny.
Numa fase negativa com três derrotas consecutivas na Liga, o Vitória Guimarães de Pedro Martins apresentou-se em Chaves com apenas uma novidade face ao último onze, com Vigário a render Konan no lado esquerdo da defesa.

Estas equipas nunca desiludem os adeptos

Os perto de 3500 adeptos que se atreveram a marcar presença no estádio e suportar temperaturas perto dos zero graus não se arrependeram desde o momento que Tiago Martins apitou para o início.
Seis golos em 45 minutos, com uma incerteza enorme no marcador e um jogo interessante de ver e analisar.
Primeiro, o Desportivo de Chaves assumiu desde cedo a partida, teve o controlo da bola e instalou-se no meio campo vitoriano.

Mas o domínio parecia ser consentido, até porque os flavienses não criavam perigo nos minutos iniciais, e rapidamente os ataques rápidos começaram a ameaçar a baliza de António Filipe.
Em cima dos dez minutos a equipa da casa provou o primeiro veneno do Vitória, com Francisco Ramos a ganhar o esférico, a soltar para Raphinha na esquerda que encontrou Hurtado na área e serviu o atacante peruano para o primeiro da partida.
Sem se modificar muito o rumo da partida, passados sete minutos a equipa de Pedro Martins voltou a ser prática e eficaz.

Desta vez foi Héldon a recuperar o esférico, e sem demorar mais que um segundo libertou Raphinha na cara de António Filipe, com o brasileiro a finalizar sem contemplações.
No futebol a justiça são os golos, e os vimaranenses ganhavam uma vantagem confortável no encontro. Verdade? Não, pois rapidamente os transmontanos reentraram na partida.
Primeiro, Pedro Tiba tentou de meia distância por duas vezes bater Douglas, que se mostrou atento, e já aos 34 minutos William inventou tudo sozinho, conquistando a Francisco Ramos uma grande penalidade que Pedro Tiba não desperdiçou.

Sem deixar assentar o golo, Matheus Pereira, que lutava já desde o primeiro minuto contra a muralha de Guimarães, inventou uma jogada pela direita e serviu na perfeição Davidson, que empatou o encontro.
Seria agora que a partida acalmaria finalmente? Mentira novamente. Logo na resposta, Héldon trabalhou bem pela direita e serviu Tallo, que com alguma sorte viu a bola ficar-lhe nos pés em plena grande área e não desperdiçou.
A vencer novamente, Pedro Martins tirou o amarelado Francisco Ramos e lançou Kiko no seu meio campo.
Mas a nova vantagem do Vitória de Guimarães voltou a ser ‘sol de pouca dura’, e em cima do intervalo foi a vez de Paulinho se destacar, ao tirar pela direita um cruzamento milimétrico para Davidson, que ao segundo poste bisou e voltou a empatar o golo.

Emoção ficou guardada para o final

Não foi o intervalo que modificou algo daquilo que estava a ser a partida, mas com o passar dos minutos o jogo foi-se transformando.
Os transmontanos continuaram a mandar no jogo, a quererem ter a bola, e a terem que anular as saídas rápidas para o ataque dos visitantes. De resto, o esforço físico foi uma fatura cara que o Chaves teve de pagar que obrigou a equipa de Luís Castro a ter de dar a iniciativa ao adversário.

Aos poucos, a equipa de Pedro Martins foi ganhando controlo da partida, e da posse de bola, começando também a construir jogadas de perigo através de ataque continuado. Ficava um jogo diferente, mais calculista, com menos jogadas em transição, mas não menos interessante. Fizeram, no entanto, muito falta os golos.
Ainda antes do técnico dos transmontanos mexer na partida, Pedro Martins mexeu pela segunda vez, lançando Sturgeon para o lugar de Héldon. Luís Castro começou a mexer aos 76 minutos, lançando Jorginho no ataque para a saída de Davidson, refrescando o lado esquerdo. Já aos 84, foi a vez de William dar lugar na frente de ataque a Platiny.

A estratégia de Luís Castro era clara, refrescar o mais possível o último terço do terreno e surpreender os visitantes. E a reta final viria a dar-lhe razão.
Ninguém se superiorizou nos segundos 45 minutos. A bola rondava as duas balizas, mas faltava clarividência nos ataques para conseguir fazer o golo.

Quando parecia que o jogo já não tinha mais nada para dar, a emoção voltou em pleno tempo de compensação. Após um livre conquistado por Platiny, a bola cruzada por Bressan foi desviada com a mão por Kiko. Tiago Martins teve de recorrer ao VAR, mas assinalou o devido castigo máximo, que Pedro Tiba tratou de transformar… novamente, tornando-se o herói do encontro.

Luís Castro, treinador do GD Chaves: “É pena não ser sempre assim, mas estou mais de acordo com o jogo que foi porque ganhámos. Se tivéssemos perdido dizia que tínhamos de ser mais racionais, mas se pensarmos no espetáculo, no que os treinadores devem colocar em campo e o espírito das equipas, foi um bom espetáculo. Aos 17 minutos estávamos a perder 2-0 e foi difícil de construir o resultado, frente a um Vitória de qualidade, que tornou a tarefa muito difícil. Mas não deixámos de jogar como queríamos. Tivemos qualidade de passe, com 87% de passes acertados, o que diz bem da lucidez que a equipa teve ao longo do encontro. Na segunda parte já atacámos de forma mais racional. Nas duas partidas houve 12 golos entre as duas equipas. Mais felicidade para o Vitória na primeira volta e mais felicidade para o Chaves na segunda volta. Lembro-me na primeira volta um jogo carregado de erros da nossa parte. Este jogo continuou a ter alguns erros da nossa parte, mas não tantos. Temos de melhorar, mas há dias em que não conseguimos suster o ataque adversário”.

Pedro Martins, treinador do Vitória Guimarães: “Disse que ia ser um jogo aberto, com duas equipas a quererem vencer e os primeiros 45 minutos demonstraram isso mesmo. Foi um jogo intenso, de loucos, porque as duas equipas queriam fazer golos, com pouco rigor defensivo, das duas equipas, ou melhor, com a supremacia do processo ofensivo das equipas, em comparação com o defensivo. Grande jogo, dos melhores desta Liga. Na segunda parte já houve mais equilíbrio, com as duas equipas a demonstrarem menos frescura física, devido à intensidade que o jogo teve nos primeiros 45 minutos. Sofremos o último golo de grande penalidade, infelizmente. Parabéns ao Desp. Chaves pela vitória e à minha equipa pelo jogo de futebol que fez. Lamento que a alteração do jogo comece com um penálti que não existe. E lamento porque há alguns jogos em que estas situações tem acontecido. O segundo lance é penálti, mas em Moreira de Cónegos tivemos esta situação e não foi revista de forma rigorosa, pois nem sempre os planos de imagem oferecidos aos árbitros são os melhores”.

Diogo Caldas

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