Realizou-se no passado fim de semana e pela primeira vez em Valpaços a Feira Nacional de Olivicultura. Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República, marcou presença na abertura do certame.

Cerca de um mês depois da realização daquela que já é considerada a maior feira gastronómica do Norte de Portugal, a Feira do Folar, Valpaços foi palco, nos dias 5, 6 e 7 de maio, pela primeira vez da Feira Nacional de Olivicultura – OliValpaços, feira que até então se vinha a realizar na região do Alentejo há mais de duas décadas. Valpaços voltará a receber este certame no ano de 2019.

O pavilhão multiusos foi o local escolhido para a realização da OliValpaços que contou com mais de 80 expositores vindos de vários pontos do nosso país. Para além da exposição e venda de azeite, quem visitou a Feira pôde ainda adquirir máquinas agrícolas, produtos fitofarmacêuticos, sabonetes, gelados artesanais e bijuteria. Do programa da Feira fez ainda parte o Concurso Nacional de Azeite Virgem, realizado pelo Centro de Estudos e Promoção do Azeite do Alentejo com o apoio de um Painel de Provadores referência. Este concurso distinguiu não só os melhores azeites nacionais, mas também os melhores monovarietais de Galega e Cobrançosa, os melhores azeires de produção biológica, os melhores azeites de Quinta e de Cooperativa e os melhores azeites com Denominação de Origem Protegida (DOP). Neste concurso a Cooperativa de Olivicultores de Valpaços foi distinguida com duas medalhas de ouro e uma de bronze.

O azeite representa uma fatia bastante significativa na economia do concelho valpacense, sendo também a segunda produção agrícola com maior peso na economia transmontana, logo seguida do vinho, movimentando um valor bruto de cerca de 30 milhões de euros.

A música teve também um grande destaque no cartaz da Feira, com a noite de sexta-feira a ser animada por Quim Barreiros e na noite de sábado o destaque foi para a atuação do Grupo Musical Kapittal. No domingo, dia 7, houve uma sentida cerimónia de homenagem às Mães.

As pessoas que visitaram o certame puderam ainda degustar o que de melhor a gastronomia valpacense tem para oferecer nos restaurantes presentes no recinto da Feira, os mesmos que estiveram durante a Feira do Folar.

O Presidente da República marcou presença na sexta-feira, dia 5, na abertura do evento, dia em que se realizou também o Congresso Nacional do Azeite 2017. “Em boa hora Valpaços acolhe este Congresso Nacional do Azeite. E o Presidente da República não podia faltar”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa.

Durante o seu discurso, Marcelo Rebelo de Sousa referiu as desigualdades existentes a nível territorial no nosso país. Mencionou o facto de Portugal ter uma população cada vez mais envelhecida e que isso faz com que as divisões a nível territorial sejam ainda mais significativas, com um interior cada vez mais envelhecido e com a fuga dos jovens para as regiões do litoral.

“Não há regiões mais importantes do que outras. Para o Presidente da República isso é muito claro. Fica muito bem aos transmontanos serem transmontanos. Aos alentejanos serem alentejanos. E aos minhotos serem minhotos. E aos beirões serem beirões. Enfim. Mas antes disso tudo são portugueses. Antes de o serem, e para além de o serem, são portugueses. E do ponto de vista do poder político nunca pode haver portugueses de primeira, de segunda, de terceira ou de quarta. Isso é o contrário da Democracia. Contem com o Presidente da República ao vosso lado, sempre ao lado daqueles que estão nesta luta que é a luta da agricultura. Nesta causa que é uma causa nacional. Onde quer que ela se situe, no continente ou nas regiões autónomas. Foi para isso que foi eleito o Presidente da República, é o seu dever. E digo-vos que é um dever que faz com muito gosto”, concluiu o ‘Presidente dos afetos’.

No final das declarações aos jornalistas, Marcelo Rebelo de Sousa acompanhou o autarca valpacense na habitual ronda pelos stands da Feira.

Amílcar Almeida, presidenta da Câmara Municipal de Valpaços, qualificou a primeira edição da OliValpaços como “excelente. Diria mesmo que foi muito superior àquilo que nós estávamos à espera. É verdade que importa o nosso feedback, mas acima de tudo o daqueles que participaram ao longo dos três dias. Aquilo que me davam a conhecer muitos dos participantes, e que já marcam presença há mais de duas décadas nesta Feira, foi que deveríamos ter identificado esta como a primeira Feira Nacional de Olivicultura, tal foi a organização e o sucesso da mesma”.

Com o intuito de fazer sempre mais e melhor promovendo os produtos da região da melhor maneira, Amílcar Almeida pensa já na segunda edição: “Quero acreditar que daqui a dois anos, perante aquilo que nós já discutimos em sede de organização, em sede da Câmara Municipal, conjuntamente com as outras entidades parceiras, vai ser um sucesso. Pese embora já o tenha sido, mas em termos de haver a afluência de mais gente ainda ao certame. É isso que nos ajuda a colocar no mapa, é isso que afirma os nossos produtos de excelência e qualidade, neste caso concreto o azeite. Estamos satisfeitos, estamos muito satisfeitos. O feedback foi positivo. E esperamos que daqui a dois anos possamos fazer mais e melhor”.

A Feira Nacional de Olivicultura – OliValpaços resultou de uma organização conjunta da Câmara Municipal de Valpaços, da Cooperativa de Olivicultores de Valpaços, do CEPAAL – Centro de Estudos e Promoção do Azeite do Alentejo, da AOTAD – Associação dos Olivicultores de Trás-os-Montes e Alto Douro, e da CAP – Confederação dos Agricultores de Portugal.

Maura Teixeira

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