Após a quarta campanha de produção da batata da semente de Montalegre, tem sido um projeto que tem correspondido às expectativas?
O projeto da retoma da batata de semente é um projeto que está a nascer do nada e representa o agarrar de um desígnio e a retoma de uma identidade. Montalegre é a “Capital da Batata da Semente”, pois somos o único concelho de Portugal com condições para a sua produção.
Para este projeto embrionário, foi criada a Coop Barroso que assessoria a produção, com todo o rigor exigível, dando o apoio técnico de forma graciosa aos produtores, com quem contratualiza o preço de venda antes da época se iniciar.
Estamos, pois, numa cruzada em busca de uma identidade perdida, e que esperamos que dê os seus frutos.

Com uma produção, na campanha de 2017, a rondar as 300 toneladas da batata de semente, como está a decorrer a sua comercialização?
A Cooperativa, atempadamente, estabeleceu os meios necessários com diversas lojas para a comercialização da Batata de Semente, garantindo assim a sua escoação. Neste momento a batata está devidamente armazenada num espaço no Barracão, onde pode ser adquirida. Já tentámos criar um espaço mais acessível, aqui em Montalegre, para armazenamento e comercialização, mas ainda não foi possível.

Estamos perante um projeto economicamente sustentável?
O desiderato é tornar esta atividade lucrativa e rentável, que é o principal objetivo da Cooperativa, da autarquia e de quem acredita na região. É um processo lento, mas desde já nos conforta saber que a produção da batata de semente representa uma diminuição das importações, contribuindo assim para o aumento do PIB nacional, da riqueza do país e da sustentabilidade do território.
Pensamos, pois, que o Mundo Rural, a propriedade rústica, a atividade agrícola, pecuária e florestal são pressupostos em que teremos de estruturar o nosso crescimento económico.

Falando na floresta e o meio ambiente, como se poderá, a partir deste património natural, procurar alguma sustentabilidade do território? Passa pela promoção de eventos ligados à natureza?
Certamente. Os eventos que fazemos contribuem para a visibilidade do espaço e a dinamização da atividade económica. Congratulamo-nos em ter em quase todos os fins de semana eventos, onde a relação do homem com a natureza prevalece em todos eles. Os trailers que se fazem durante o ano, as Carrilheiras do Barroso, os desportos da natureza, o Parapente, que este ano vamos ter o campeonato da Europa, são alguns exemplos. Isto leva-nos a uma consciencialização pelo respeito pela natureza.
Poderemos, assim, alavancar o turismo e a visibilidade na região, alicerçando-os no património paisagístico, ambiental e gastronómico. Somos reconhecidos como um concelho dinâmico que se preocupa em mexer com a estrutura aqui radicada, envolvendo todos os agentes económicos em prol da visibilidade e desenvolvimento do concelho.

Referiu a necessidade de uma consciencialização pelo respeito pela natureza. Como se leva a cabo essa consciencialização?
A floresta, e o meio ambiente, sempre foi uma preocupação nossa. As ações de consciencialização da preservação da natureza passam pela educação, no âmbito dos programas curriculares nas escolas, da sensibilização dos pais e nos sinais que a autarquia vai dando, preocupação acrescida com as alterações climáticas.

Que sinais a autarquia está a dar?
São vários. Salientamos a adesão do Município às Águas do Norte, para não termos no futuro, eventuais problemas no fornecimento de água às populações. Estamos a estender ao concelho uma rede de distribuição de gás natural, menos poluente e mais em conta para as famílias. Vamos adquirir mais três viaturas elétricas, e desta forma dar o nosso contributo para a descarbonização da economia. Estamos com um processo de distribuição de recipientes para recolha de óleos usados, tanto para empresas, como para particulares. Seremos o primeiro concelho do país a substituir por completo as luminárias em mercúrio por lâmpadas com a tecnologia Led.
São estes alguns sinais da preocupação da autarquia e dos autarcas de Montalegre pela preservação da natureza.

Além do património paisagístico, gastronómico, também a cultura poderá ser um fator de dinamização do território, como o evento da “Sexta-13”, cujo próximo evento é já em abril?
Cultura é tudo aquilo que nos identifica como um povo, as nossas tradições, os pormenores do quotidiano da vida barrosã, o misticismo, as nossas crenças. Tudo isso é cultura e tudo isso pode ser exponenciado economicamente. Além da “Sexta-Feira 13”, é o caso do Congresso da Medicina Popular, a “Queima do Judas”.
Construir eventos, violentando esta memória coletiva, não é a melhor forma de prespetivar o futuro.

Também em abril, Montalegre recebe o Mundial de RallyCross. Um evento importante para o concelho?
É um evento que nos distingue e nos categoriza. Um terra pequena ter uma prova do circuito mundial, cada vez tem mais projeção e mais adesão, é algo que nos enriquece e nos deixa muito honrados.
Também neste sentido estamos a alargar o espaço para o público, que, cada vez mais, adere a esta modalidade, nomeadamente, os nossos vizinhos da Galiza, pois é desta forma que vamos rentabilizando o evento.
Na avaliação da FIA, das 12 provas que constituem o campeonato, no ano transato, a prova de Montalegre obteve o 6º lugar…
Esta classificação não tem a ver com a pista em si. A pista de Montalegre, senão a melhor, está entre as melhores. Esta mediana pontuação tem a ver com alguns pequeníssimos pormenores à volta da prova, tais como os serviços de apoio prestados no período em que as provas decorrem, as casas de banho, a sua funcionalidade, o controlo das entradas e saídas.
Não sendo de muita importância, não podem ser desprezados. Vamos melhorando aos poucos. A FIA esteve, recentemente, em Montalegre e a pista foi homologada por mais cinco anos. E tudo faremos para garantir, a partir dessa data, a continuidade desta prova.

A capacidade hoteleira de Montalegre não consegue dar resposta às necessidades resultantes deste tipo de eventos. Tem sido um aspeto menos positivo, neste processo?
Há dois aspetos a que a FIA aponta o dedo. A estrada para Chaves e a incapacidade hoteleira do concelho para responder às necessidades deste evento. A requalificação da estrada para Chaves é um processo que está em curso. Lamentamos que, tendo Montalegre um conjunto de eventos dos quais os concelhos vizinhos tiram partido, não se tenha requalificado esta estrada no que respeita ao concelho de Chaves.
Quanto à capacidade hoteleira, o Município tem feito tudo para suprir esta carência. Já tentámos várias diligências junto dos gerentes do Hotel em Montalegre para a abertura desta unidade hoteleira, com 40 quartos, mas têm-se revelado infrutíferas. Esta unidade está encerrada, não por falta de rentabilidade económica, mas por outros motivos. De salientar que, a seguir a Chaves, Montalegre é o concelho do Alto Tâmega que tem mais dormidas.

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