Pais, encarregados de educação, professores e presidentes de juntas de freguesia reuniram-se na quarta-feira, dia 6, em frente à Câmara de Chaves para pedir esclarecimentos sobre o eventual encerramento das escolas de Vila Verde da Raia e de Cimo de Vila da Castanheira.Várias pessoas de Vila Verde da Raia e de Cimo de Vila da Castanheira reuniram-se na quarta-feira de manhã, em frente ao edifício da Câmara de Chaves, para demonstrar a sua indignação contra o possível fecho das escolas das freguesias onde vivem.

Segundo o presidente da Junta de Freguesia de Vila Verde da Raia, Pedro Fernandes, a autarquia tomou conhecimento no dia 5 de abril que a escola iria encerrar.
“No dia 11 do mesmo mês fomos recebidos pelo presidente da câmara que nos disse que quem estava a conduzir o processo era o vice-presidente Francisco Melo mas que ia ver o que se passava. Entretanto, e nesse mesmo dia ficámos a saber que tinha sido enviado um ofício para a Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGEstE) a indicar o encerramento das escolas de Cimo de Vila da Castanheira e de Vila Verde da Raia”, explicou.

Em Vila Real, no mês seguinte, Pedro Fernandes conta que houve uma reunião entre responsáveis dos municípios do distrito e o coordenador regional norte da DGEstE que informou que “as escolas com dez alunos no primeiro ciclo de ensino e com seis crianças no pré-escolar só encerrariam se o município assim o entendesse”.

Semanas passadas, a DGEstE voltou a contactar a Câmara de Chaves no sentido de perceber se era para encerrar as escolas que o executivo tinha inicialmente definido e a “câmara voltou a responder positivamente, não relativamente ao infantário mas sim relativamente ao ensino do primeiro ciclo e disse-nos que o número de alunos que tínhamos apresentado era fictício”.

“Nós garantimos que não, que os alunos estavam lá e todos nós lhe demos essa garantia. Depois disseram que apenas sete eram de lá e os restantes eram transportados de outras localidades… mas se formos por aí então teremos de analisar também o caso de outras escolas”, disse o autarca de Vila Verde da Raia.

O responsável garante que a escola de Vila Verde da Raia, nos dois níveis de ensino, tem o número suficiente de alunos para se manter aberta, conforme as normas estipuladas pela DGEstE, é uma escola com boas condições e que serve as necessidades das crianças.

“A decisão final cabe agora à Câmara de Chaves”, concluiu.Já em Cimo de Vila da Castanheira o cenário é um pouco mais negro. O número de alunos a frequentar o primeiro ciclo é menor do que dez mas para a presidente da junta de freguesia, Lígia Silva, o número de alunos não pode ser encarado como um argumento justo, socialmente.

“Nós moramos a 25 quilómetros de Chaves e não podemos andar a transportar as crianças em estradas em mau estado de conservação, com invernos rigorosos como temos, colocando as crianças em risco e, principalmente, tirá-las do meio onde estão inseridas”, referiu a responsável, garantindo que irá lutar até ao fim pelo não encerramento da escola.
A escola de Cimo de Vila da Castanheira tem cinco alunos a frequentar o pré-escolar e oito alunos no primeiro ciclo.

“O senhor presidente deu-nos indicação de que a do pré-escolar fica aberta mas que a do primeiro ciclo tem de encerrar, o que para nós não tem qualquer lógica porque as despesas vão continuar a ser as mesmas, tendo um ou os dois anos abertos”, disse.

Naturalmente, “no ano letivo 2019/2020 o pré-escolar vai ter de encerrar porque só ficamos com um aluno mas os meninos que saem do pré já passam para o primeiro ciclo, indo juntar-se aos que já lá estão. Portanto, fazia mais sentido manter agora os dois anos porque no ano a seguir já vamos ter o número de alunos suficientes no primeiro ciclo”, acrescentou a presidente de Cimo de Vila da Castanheira.

“Se queremos manter as pessoas nas nossas freguesias devemos manter as escolas abertas enquanto podemos. Nós sabemos que vai haver um momento em que elas vão fechar mas neste momento não é o momento certo porque ainda temos crianças”, sentenciou a dirigente.
As crianças de Cimo de Vila da Castanheira, caso o ensino no primeiro ciclo termine, serão transportados para a escola em Mairos, a mais de 11 quilómetros de distância.
O grupo de manifestantes foi recebido pelo presidente da Câmara de Chaves e pelo vice-presidente.
Lá dentro, Nuno Vaz disse que “tal como já tinha defendido no passado iria pugnar pela manutenção das escolas do primeiro ciclo desde que tenham dez ou mais alunos e os jardins-de-infância com seis ou mais alunos”.

“É com este princípio que estamos a trabalhar relativamente à nossa proposta de redefinição na rede escolar do próximo ano letivo, 2018/19”, afirmou o presidente da autarquia flaviense.

Relativamente ao caso de Cimo de Vila da Castanheira, o responsável admitiu “estar a analisar a especificidade e a excecionalidade da situação, quer pela distância de deslocação dos alunos, quer pelo tempo que demoram e para tentar perceber, num curto tempo de espaço, se não haverá algo diferente que possa suscitar alguma exceção”, concluiu.

Na sua intervenção, Nuno Vaz demonstrou abertura quanto ao tema que preocupa as populações de Vila Verde da Raia e Cimo de Vila da Castanheira e adiantou que muito possivelmente, no próximo dia 18, teria informações mais concretas sobre o eventual fim do ensino do primeiro ciclo na escola de Cimo de Vila da Castanheira.

De referir que no encontro marcaram igualmente presença Maria Joaquina Feijó, professora na escola de Vila Verde da Raia há três anos, e Rita Pereira, representante dos encarregados de educação da escola de Cimo de Vila da Castanheira e responsável pelo abaixo-assinado contra o encerramento das escolas, com mais de 500 assinaturas, que foi entregue na Câmara de Chaves e enviado para o Presidente da República e primeiro-ministro.

Cátia Portela

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