De Chaves partiram vários militares para combater na Batalha de La Lys. Cem anos depois o município homenageia os seus soldados e organiza, ao longo de quatro dias, várias iniciativas alusivas a esta efeméride.

As comemorações tiveram início na segunda-feira, dia 9, com uma homenagem aos militares que combateram na Batalha de La Lys seguida da deposição de uma coroa de flores junto ao Monumento aos Combatentes da Grande Guerra, situado na rotunda mais emblemática da cidade de Chaves.
Respeito, gratidão e saudade foram os principais sentimentos que marcaram o momento e que contou com a participação do Regimento de Infantaria 19 (RI19), do Núcleo de Chaves da Liga dos Combatentes, da Câmara de Chaves e com a presença alargada de ex-combatentes, familiares e amigos.
A ocasião foi ainda aproveitada para ler a mensagem deixada pelo presidente da Liga dos Combatentes, general Chito Rodrigues, que lembrou o valor dos soldados portugueses que se bateram na I Guerra Mundial.
A cerimónia evocativa dos cem anos da Batalha de La Lys prosseguiu com uma romagem ao talhão da Liga dos Combatentes, no cemitério velho, terminando com um porto de honra na Universidade Sénior do Rotary Club de Chaves.
A Batalha de La Lys deu-se no vale do rio Lys, na região da Flandres, e foi um dos momentos mais trágicos na história portuguesa. No dia em que se comemorava o centenário desta batalha, o presidente do Núcleo de Chaves da Liga dos Combatentes, tenente-coronel Mascarenhas, fez questão de lembrar os atos de bravura e de heroísmo praticados pelos portugueses, onde se destacaram os nomes de dois ilustres flavienses, os oficiais Bento Roma e Ribeiro de Carvalho, e de Aníbal Milhais, natural de Murça e que se celebrizou como “soldado Milhões”.
Passados cem anos, o presidente da Liga dos Combatentes de Chaves olha com orgulho para a participação do Corpo Expedicionário Português na Grande Guerra, no entanto, atribui várias culpas ao sistema político da altura, que fez com que milhares de pessoas fossem abandonadas à sua sorte.
“A história acaba sempre por fazer justiça aos factos e se na altura o poder político teve alguma vergonha e tentou esconder da opinião pública as condições em que os soldados portugueses estiveram na Grande Guerra, onde passaram frio, fome, foram dizimados por doenças…agora a história fez-lhes justiça e verificou-se que nas condições em que os soldados portugueses participaram na guerra não poderiam de maneira nenhuma ter feito mais”, sublinhou o tenente-coronel Mascarenhas.
O presidente da Liga dos Combatentes de Chaves relembrou que “todos os militares que foram para a linha da frente nunca foram rendidos” como seria o normal. Coincidência ou não, no dia em que os alemães atacaram o Corpo Expedicionário Português, as tropas tinham recebido ordens para serem deslocadas para posições mais à retaguarda.
No âmbito das comemorações do centenário desta efeméride, a cidade flaviense acolheu várias atividades culturais – desde conferências, peças de teatro, concertos e exibição de filmes.
As diversas iniciativas que marcaram o centenário da Batalha de La Lys em Chaves foram organizadas pelo Núcleo de Chaves da Liga dos Combatentes, pelo RI19 e pela Universidade Sénior do Rotary Club de Chaves, com o apoio do município.

Cátia Portela

 

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