“Trocar de profissão por um dia”

Sex,25 Fev 2011


Antero Fernandes Monteiro

Afinal aquilo que eu chamo trocar de profissão por um dia, não é nada menos, nem nada mais que viver um sonho de menino durante algumas horas. E portanto, aquele menino que um dia sonhou em vir a ser professor e nunca o conseguira, agora com mais de meio século de vida, o governo luxemburguês e os reitores de alguns liceus, realizaram o seu sonho; fazendo com que ele fosse professor em literatura por um dia!

Porém, todas as pessoas que me conhecem, sabem que a palavra escritor e professor é uma palavra e um título muito grande, sobretudo para um homem tão pequeno como eu. A humildade do autodidacta e do homem que eu sou, apenas me mostrou na parte social que abracei há dez anos, que jamais durante seis décadas de existência eu tinha feito algo assim tão nobre pelos que sofrem.

Quero dizer com tudo isto que, com os lucros da receita da venda dos meus livros, ter já doado até este momento a quem necessita a soma de 135.000 euros e l5 cadeiras de rodas a deficientes e que afinal tenho a impressão que nada fiz.

Sobretudo, ao olhar à minha volta e ver o que se passa na vida de quem deseja obter apenas um naco de pão para sobreviver mais um dia. Alguém disse um dia: que o sonho era o alimento da alma, como a comida o alimento do corpo.

Mas infelizmente, para algumas pessoas e só no nosso país são mais de dois milhões de seres humanos; eles apenas querem e desejam de todas as suas forças sobreviver, simplesmente porque a sociedade impediu-os de sonhar. Mas é aí que entram centenas de pessoas em acção como eu, e que felizmente têm a audácia de gritar por socorro aos quatro ventos; sendo eles a voz daqueles que não têm voz. E mesmo em tempo de recessão económica e social, ainda há milhares de portugueses da classe média baixa, que sofrem com aquilo que vêem ao partilhar um pouco do seu pão, com aqueles que tudo perderam e que nada têm, a não ser a sua própria vida, mas ferida pelos factos que ocorreram durante todo um tempo de luta desde que nasceram sem vislumbrarem um ramo de felicidade. Eu sou o primeiro a ficar feliz, pensando que os mais pobres, só desejam dar a mão, àqueles que tudo perderam; até mesmo um pouco da sua dignidade. Fala-se muito de novas tecnologias e de modernismo, não hesitando em endividamento fora de controlo; quando o governo devia apostar mais no bem estar dos seus cidadãos. É evidente que a evolução e as novas tecnologias são indispensáveis, mas há algo mais importante. O ser humano!

Pois caros leitores deste maravilhoso jornal, quero pedir-vos desculpa por não ser às vezes tão assíduo com a minha crónica. No meio disto tudo, não pensem que vos esqueci. Apenas quero que saibam que eu passo nove meses por ano a escrever romances. E neste pequeno passatempo, já foram vendidos 35.000 livros, escritos 22 romances e 5 livros em colectâneas de poesia, prosa e conto.

Que Deus vos abençoe! E por favor nunca se esqueçam de serem muito felizes.

Antero F. Monteiro

Luxemburgo

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