No passado dia 18 de setembro cumpriu-se um ano da tomada de posse de Vítor Pimentel enquanto presidente da ACISAT – Associação Empresarial do Alto Tâmega. Em entrevista ao jornal A Voz de Chaves, o responsável pela associação fez um balanço deste primeiro ano de mandato e levantou a ponta do véu relativamente ao que se poderá esperar na Feira dos Santos.

A Voz de Chaves: Que balanço faz deste primeiro ano de mandato?
Vítor Pimentel: Foi um primeiro ano de muita luta, muitos sacrifícios. Procurámos reorganizar a associação também em termos de recursos humanos. Temos efetivamente colaboradores de extrema competência, mas temos um défice a nível do número de colaboradores. Quando cheguei tínhamos quatro colaboradores para cobrir seis concelhos. E nota-se que isso é insuficiente. A primeira medida efetiva foi a reabertura da delegação em Valpaços, também no sentido de proximidade e de importância que aquele concelho tem porque possui um conjunto de empresas e um conjunto de gente numa área muito própria e muito importante para a região. E neste momento a delegação de Valpaços está a trabalhar em ritmo acelerado. Inclusivamente tivemos lá no último mês de agosto um desfile de moda que fizemos em parceria com o município. Os municípios também são muito importantes na vida das associações. E, efetivamente, nós encontrámos também ali um apoio e um interesse para que a delegação reabrisse e voltasse a prestar um serviço às empresas, neste caso do concelho de Valpaços.
Obviamente que um ano passa muito depressa. E quando nós viemos propusemo-nos a objetivos altos e muito ambiciosos que estão longe de se conseguirem num ano. No entanto, conseguimos alguns. Arrancámos com a nossa incubadora de empresas, e temos neste momento seis projetos em desenvolvimento de gente que virá trabalhar para Chaves, com toda a certeza. Contamos iniciar, até ao final do ano, a fase de obra nas nossas antigas instalações para que possa lá funcionar a nossa incubadora, e esta gente que se candidatou e que tem projetos seguros vai trabalhar para lá, pelo menos numa primeira fase vai para lá ganhar asas para depois poder voar. E depois garantimos também o funcionamento da associação na proximidade com o associado. Damos formação para ativos. Temos cursos a funcionar ininterruptamente de formação para ativos para dar resposta também ao código do trabalho e às necessidades das empresas. Temos já aprovadas nesta fase duas candidaturas que fizemos à “Formação-Ação”: uma no âmbito das empresas, portanto promovida pela AEP, e outra mais no âmbito de turismo em que o organismo intermédio era a Confederação do Turismo de Portugal. E o turismo é muito importante porque este será sempre o motor da nossa região. E efetivamente houve outras coisas que ainda não conseguimos fazer.
Procurámos também estabilizar a nível financeiro a associação. Sem fazer qualquer tipo de juízo de valor sobre quem cá esteve que com certeza deu o seu melhor e o melhor do seu tempo, mas as associações vivem o seu período complicado, e nós tivemos aqui uma fase em que os reembolsos tardam muito a vir, em que os projetos não abrem, e que tornam o dia a dia da associação muito complexo. E se nós não tivermos forma de nos financiar não conseguimos executar determinadas atividades.
É necessário, e faz parte dos nossos objetivos para o próximo ano, aproximarmo-nos mais do próprio comércio. Parece-me que a área do comércio não sentiu o impacto da mudança de paradigma da associação como nós contávamos. Mas também não o sentiu porque nós não tínhamos forma de criar atividades. Também por isso fiz em meu nome, mas em representação da ACISAT, uma candidatura ao Orçamento Participativo, que concilia a cultura, o turismo e o próprio comércio local e que será conhecida na data certa, respeitando os prazos estabelecidos para o devido concurso.
E qual foi a forma que a ACISAT arranjou para conseguir realizar algumas atividades?
Essa forma que arranjámos para criar atividades foi através da organização da própria Feira dos Santos. Numa conversa e num entendimento com o senhor presidente da Câmara de Chaves, o Dr. Nuno Vaz, apresentando-lhe claramente os gastos e as receitas da Feira dos Santos, e conhecendo ele o protocolo que existia há uma série de anos que nos obrigava a gastar o lucro da Feira dos Santos na iluminação de Natal, ele, compreensivelmente e de forma muito fácil e muito clara, libertou-nos desse encargo para que nós possamos fazer a dinamização do comércio. Ora, logicamente que isso só se vai refletir em 2020, porque ainda não tivemos o lucro da Feira dos Santos de 2019, e esse depois será aplicado em atividades do comércio em 2020. No final desse ano logicamente será efetuado um relatório a justificar todos os gastos que tivemos na dinamização do comércio que irá ao encontro da verba que vamos lucrar na Feira dos Santos.
Poderemos então dizer que a maior dificuldade que a ACISAT sentiu ao longo deste ano foi ao nível financeiro?
Sim. A maior dificuldade foi efetivamente a nível financeiro. Por exemplo, neste momento ainda temos reembolsos do início de 2018, em que eu ainda cá não estava, que ainda não recebemos. Há atrasos enormes e é muito difícil vivermos assim. Nós temos contas e obrigações todos os meses, a nível dos nossos colaboradores, a nível de impostos. E, portanto, esse dinheiro já saiu da associação aquando da execução dos projetos, mas ainda não regressou. E é uma verba muito avultada. Logicamente que tendo essa verba conseguiríamos já ter tido algumas atividades para promoção do comércio. Agora não a tendo fica muito complicado. Efetivamente nós conseguimos fazer algumas ações, como foi o “Black Friday” que fizemos pela cidade, trouxemos um balão de ar quente para subidas com o comércio… Mas compreendemos que são iniciativas esporádicas e efémeras que acabam por nem sequer ter o resultado que muitas vezes nós esperamos. Portanto, será necessário termos projetos mais sólidos para o comércio.
A Feira dos Santos é a próxima grande atividade a ser realizada pela ACISAT. Como está a correr a sua preparação?
A Feira dos Santos este ano é uma feira mais difícil de preparar fruto das obras. Mas estas obras também representam uma evolução natural da cidade, mas causam efetivamente problemas a nível logístico quando nós temos quatro ou cinco colaboradores a trabalhar numa feira que recebe 600 expositores. Portanto, é muito complicado.
Reconheço que ultimamente temos estado extremamente focados na sua preparação e na sua reorganização para que ela evolua como nós queremos. Sempre toquei muito neste assunto, no evoluir da Feira dos Santos, no tornar a Feira dos Santos mais jovem, no tornar a Feira dos Santos mais apelativa. Há uma série de coisas que efetivamente queríamos fazer neste evento e vamos conseguir implementá-las já este ano. Há outras que não vamos conseguir implementar este ano, e, por isso, tentaremos novamente no próximo ano, até porque há uma série de coisas que não dependem apenas de nós.
Mas é por questões financeiras?
Não, é por questões da própria organização e da própria regulamentação da feira. Vamos imaginar. A ACISAT teria a ambição de fazer uma alteração de percurso, mas para fazermos essa alteração temos de chegar a acordo também com o município que tem de se preocupar com uma série de outras questões. E nem sempre é possível fazermos as alterações que desejamos. Portanto, vamos tentar reorganizar, perceber como funciona este ano, e tentar melhorá-la para o ano.
A meu ver o pior que pode acontecer a uma feira como esta é parar e repetir-se todos os anos o mesmo. Portanto, a pouco e pouco vamos ter de ir evoluindo se a queremos evoluir. Este ano vamos ter uma grande evolução na feira que será a presença de stands, e, portanto, a ausência de barracas, naquela que é conhecida pela zona nobre da feira, ou seja, Avenida dos Aliados, Jardim do Bacalhau e Rua de Santo António. Isso é importante para a própria imagem que transmitimos da nossa zona histórica. Não conseguimos ir mais longe do que isso este ano porque não nos podemos esquecer que os stands têm de ser alugados, logo, nós estamos a gastar mais dinheiro, o próprio feirante que vem para os stands vai ter de pagar mais, mas o lucro vai ser menor, obrigatoriamente. Iremos também criar a nível de animação algumas boas surpresas, que vou guardar para o cartaz. Contrariamente ao concerto tradicional que se fazia, este ano vamos ter concertos em palco as três noites da feira. E mais uma outra surpresa que poderá também surgir. Os dias da feira serão 31 de outubro, 1, 2 e 3 de novembro, sendo que os concertos decorrerão nas noites dos três primeiros dias. Na noite do dia 3 não haverá nada uma vez que a feira encerrará no domingo ao final da tarde. Também no dia 2 iremos ter uma atividade no pavilhão Expoflávia, essa porque necessita mesmo de ser em espaço coberto, e que penso que também será interessante e um motivo de fazer as pessoas saírem e virem à feira.
Que outras atividades vai a ACISAT realizar até ao final do ano?
Até ao final do ano queremos manter, também no comércio, a “Black Friday”. Vamos estar muito empenhados porque vai ser uma altura muito importante para as nossas empresas se inscreverem e se candidatarem à “Formação-Ação”, que é formação em espaço empresarial e é isto que depois nos dá capacitação para evoluir e sermos competitivos. E depois teremos também a nossa participação no Natal que já é uma tradição e que tentaremos melhorá-la também com a melhoria financeira que a associação for sofrendo. Agora, tendo nós a Feira dos Santos em novembro, a “Black Friday” no final desse mesmo mês, e tendo depois o Natal em dezembro não fica espaço para muito mais. Logicamente que queremos procurar que essa verba que fica da Feira dos Santos seja aproveitada sobretudo nas épocas de altura mais baixa em que sentimos que os comerciantes sentem maior dificuldade em chamar pessoas às suas lojas. Mas logicamente que também aí nós gostaríamos muito de contar com o contributo de todos, debatendo ideias com um mesmo propósito, a evolução da região.

Maura Teixeira

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