O auditório do Palacete Silva, em Vila Pouca de Aguiar, foi o local escolhido para a realização da II Conferência Internacional sobre as Bio-Regiões, no passado dia 21 de novembro.

Um dos propósitos desta iniciativa foi a formalização da adesão de todos os concelhos que compõem a Comunidade Intermunicipal do Alto Tâmega (CIMAT) – Boticas, Chaves, Montalegre, Ribeira de Pena, Valpaços e Vila Pouca de Aguiar – à Rede Internacional de Bio-Regiões (em inglês, IN.N.E.R. – International Network of Eco Regions). Vila Pouca foi o concelho escolhido para a realização da conferência, no entanto, todos os concelhos do Alto Tâmega foram visitados pela comitiva da IN.N.E.R.

De acordo com informação disponibilizada no site da IN.N.E.R., as bio-regiões são áreas geográficas nas quais associações de agricultores e municípios entram num acordo de gestão sustentável para a potenciação da agricultura biológica nos respetivos concelhos. Contudo, o que se pretende não é restringir a bio-região à valorização da agricultura biológica, mas sim que esta se constitua como uma ferramenta de desenvolvimento de atividades de sustentabilidade ambiental que envolvam toda a comunidade local de forma mais consciente. A primeira no mundo surgiu em Itália, em 2009, e a primeira em Portugal foi o município de Idanha-a-Nova, distrito de Castelo Branco, em fevereiro deste ano.

A IN.N.E.R. foi a promotora desta conferência internacional, cujos objetivos são o incentivo do surgimento de mais Bio-Regiões no nosso país, o envolvimento de toda a comunidade na gestão sustentável dos recursos locais, a promoção da cultura do biológico numa abordagem mais territorial, a contribuir para um desenvolvimento mais atento à conservação dos recursos existentes, o respeito do meio ambiente, valorizar os diferentes locais, contribuindo, assim, para uma valorização também da qualidade de vida.

Na sessão de abertura esteve presente o presidente da Câmara Municipal de Vila Pouca de Aguiar, Alberto Machado, de quem partiu a ideia de o território se tornar numa bio-região, o secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural, Miguel João de Freitas, e o primeiro secretário da CIMAT, Ramiro Gonçalves.

Alberto Machado e Ramiro Gonçalves destacaram a excelência dos produtos da região, contudo referiram que ainda faltam muitos apoios e que é necessário continuar a unir esforços para combater as desigualdades existentes entre os vários territórios do nosso país.

“Julgo que este é mais um passo importante no sentido de que sabemos exatamente aquilo que tem de ser feito. Há uns meses, quando os presidentes dos municípios, na Comunidade Intermunicipal, apresentaram a estratégia para a região, muitas pessoas pensaram: ‘A estratégia está definida. E agora?’. Agora é trabalhar todos os dias, e fazer iniciativas deste género. Como nós sabemos, o território tem um conjunto de ativos muito relevante, mas também tem um conjunto de debilidades significativo e aquilo que nós pretendemos é associar-nos a iniciativas que permitam ir minimizando os problemas que temos”, referiu o primeiro secretário da CIMAT.
Miguel João de Freitas demonstrou a sua satisfação pela união que existe entre os autarcas dos seis municípios que compõem o Alto Tâmega, e referiu que a adesão conjunta à Rede Internacional das Bio-Regiões é uma prova bem viva desse facto.

No primeiro painel, denominado de “As Bio-Regiões, novo modelo de desenvolvimento rural”, os oradores foram o Dr. Salvatore Basile, presidente da IN.N.E.R. Itália, o Arq. Emilio Buonomo, presidente da Bio-Disctretto Ciliento (Itália), o Dr. Giuseppe Orefice, secretário-geral da IN.N.E.R. Itália, e ainda o Eng.º Custódio Oliveira da IN.N.E.R. Portugal.

O segundo painel, intitulado “A Bio-Região Idanha-a-Nova, a primeira em Portugal”, contou com as intervenções do Eng.º Armindo Jacinto, presidente da Câmara Municipal de Idanha-a-Nova, da Dra. Catarina Pereira, presidente da Bio-Região de Idanha-a-Nova, e do professor doutor Jean-Claude Rodet, membro do Comité Científico da IN.N.E.R. França. A moderação de ambos os painéis foi feita pelo Eng.º Rui Lagoa.
No final dos painéis foi aberto um espaço para o debate, e a sessão de encerramento esteve a cargo do Eng.º Jaime Ferreira, presidente da Associação Portuguesa de agricultura Biológica – AGROBIO.

Maura Teixeira

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