Projeto pretende integrar imigrantes ou refugiados no mercado de trabalho nacional para colmatar a falta de mão-de-obra na indústria de extração e transformação de granito e fixar pessoas no interior do país.

O projeto-piloto foi apresentado na sexta-feira, dia 24, na pedreira da empresa Oliveira e Rodrigues em Pedras Salgadas, no concelho de Vila Pouca de Aguiar, na presença da secretária de Estado da Valorização do Interior, Isabel Ferreira, da secretária de Estado para a Integração e as Migrações, Cláudia Pereira, do representante do Alto Comissariado para as Migrações, José Reis, e do presidente da autarquia aguiarense Alberto Machado.

Em Vila Pouca de Aguiar a indústria do granito poderá ser uma das portas de entrada de imigrantes ou de refugiados uma vez que na região não existe mão-de-obra para trabalhar neste setor, em franco crescimento há três anos.

“Estamos a tentar cativar pessoas que queiram trabalhar e que se queiram integrar na sociedade”, referiu Mauro Gonçalves da Associação dos Industriais do Granito (AIDRA).

Para o responsável estes trabalhadores são essenciais para que as empresas consigam atrair mais investimento e possam realizar outros projetos. Neste momento são precisas 35 pessoas para trabalhar no setor de extração e transformação do granito.

O presidente da AIGRA disse ainda que um trabalhador normal recebe acima do salário mínimo, mais incentivos de produtividade.

Isabel Ferreira disse que os imigrantes ou refugiados podem “ser uma hipótese” para reverter, atrair e ajudar a fixar pessoas nestes territórios, cada vez mais desertificados, e ajudar a resolver o problema da falta de mão-de-obra nas empresas do interior.

A governante destacou a importância de atrair mão-de-obra qualificada proveniente de outros países e lembrou que estão abertos vários apoios para a contratação de trabalhadores para as zonas do interior do país, nomeadamente para a contratação de recursos humanos altamente qualificados, licenciados, mestres ou doutores. O Governo lançou também um programa dirigido às empresas, o +CO3SO Emprego, que apoia a criação de postos de trabalho, através da comparticipação integral do salário dos trabalhadores durante 36 meses, garantindo ainda um apoio adicional de 40% para financiar outros custos associados. Estas ferramentas destinam-se a cidadãos nacionais, a imigrantes e refugiados.

Os apoios foram criados a pensar nos trabalhadores e também nas suas famílias, uma “estratégia integrada” com incentivos para a inserção das crianças dos agregados familiares nas escolas e nas atividades de tempos livres. Os cônjuges, caso queiram, terão igualmente a oportunidade de realizar formação profissional.

A secretária de Estado para a Integração e as Migrações referiu que tem sido desenvolvido um trabalho conjunto com o Alto Comissariado para as Migrações e com as associações de imigrantes para fazer corresponder a mão-de-obra disponível e as necessidades das empresas.

O presidente da Câmara de Vila Pouca de Aguiar explicou que a autarquia está a fazer a ponte entre os industriais do granito, o Alto Comissariado para as Migrações e o Governo e sublinhou que todas as pessoas que forem acolhidas no concelho serão acolhidas tendo em conta a “dignificação da pessoa humana”.

No distrito de Vila Real existem 62 empresas ligadas à extração e transformação do granito, onde operam 800 trabalhadores. Este setor fatura 50 milhões de euros por ano, metade diz respeito a exportação.

De acordo com a autarquia, no concelho há falta de mão-de-obra em vários setores de atividade, não só na indústria do granito, mas também na área florestal e na construção civil.

Cátia Portela

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