Melhoria nos canais de comunicação, operacionalização da investigação e qualificação dos agentes foram alguns dos caminhos apontados para a prevenção dos fogos florestais.

Especialistas, forças operacionais associadas ao dispositivo de combate aos incêndios florestais e autarcas reuniram-se em Valpaços para debater e refletir sobre os principais desafios e políticas a adotar para a defesa da floresta.
O encontro aconteceu na sexta-feira passada, dia 24, no Auditório Arte e Cultura Luís Teixeira a propósito do seminário “Incêndios Rurais 2020”, que decorreu ao longo de dois dias, organizado pela Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Bragança. A primeira sessão decorreu em Bragança.
O vereador Jorge Pires da Câmara de Valpaços foi o responsável por dar as boas-vindas à vasta plateia presente. Os incêndios florestais, na opinião do responsável, devem ser encarados como um problema social que deve ser resolvido com políticas de “reordenamento florestal” e com a “resolução do problema do despovoamento”, onde para além das áreas rurais, se verificam perímetros urbanos cada vez mais abandonados.
“O decreto lei 124 de 2006 não deveria abranger apenas, na minha opinião e como gestor do urbanismo da câmara municipal, o espaço rural. Deveria haver uma legislação supramunicipal que responsabilizasse os proprietários das zonas rurais como também das zonas urbanas, ou seja, deveria obrigar também os proprietários das zonas urbanas a zelar pelo interesse e pela salvaguarda de pessoas e bens”, referiu Jorge Pires, lembrando ainda o artigo 16 do mesmo diploma que “impede muitas vezes a implementação de novos projetos”, a fixação de jovens e cria constrangimentos no regresso de emigrantes.
O concelho de Valpaços tem 17 mil habitantes e é constituído por 25 freguesias, distribuídas por 550 quilómetros quadrados. A atividade económica assenta essencialmente na atividade agrícola e na agroindústria. Possui duas corporações de bombeiros, duas Equipas de Intervenção Permanente e três Equipas de Sapadores Florestais, com 15 homens.
A sessão de abertura contou ainda com a intervenção do diretor da Escola Superior Agrária de Bragança, Miguel Vilas Boas, que referiu o esforço que tem sido feito pela instituição que dirige no sentido de manter ativo o conhecimento e o ensino pedagógico e científico na área das ciências florestais.
Na sua intervenção, o comandante da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, Duarte Costa, salientou a importância de trabalharmos todos juntos na defesa da floresta, embora, na sua opinião, levemos “70 anos de atraso”.
Por fim, foi a vez da presidente da Sociedade Portuguesa de Ciências Florestais, Maria Emília Silva, fazer um balanço do primeiro dia do seminário e de relembrar alguns caminhos apontados pelos intervenientes naquela iniciativa para a defesa da floresta: melhoria nos canais de comunicação, operacionalização da investigação e qualificação dos agentes.
“As forças operacionais do dispositivo associadas aos incêndios rurais em Portugal”, “O sistema de prevenção e combate em Espanha”, “O ordenamento do território: principais problemas e medidas a desenvolver” e “Apoios para a prevenção e combate aos incêndios rurais e à recuperação de áreas pós fogo” foram as temáticas desenvolvidas ao longo das quatro mesas redondas organizadas em Valpaços.

Cátia Portela

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