Um pouco por todo o país, os alunos têm manifestado desconforto nas aulas por causa do frio. Fomos saber se esta situação se verificava nos agrupamentos escolares do concelho flaviense, e as realidades são diferentes nos três.

A pandemia da Covid-19 levou as autoridades de saúde a lançar a obrigatoriedade de renovar as salas das escolas, para que o risco de contágio seja o mínimo possível. Tal situação leva a que as baixas temperaturas que se têm feito sentir façam os alunos passar frio durante as aulas, tendo muitos deles, em alguns pontos do país, optado por levar mantas de casa para se poderem aquecer nas salas de aula.

Em Chaves os últimos dias têm sido muito frios, com os termómetros a registarem 8 graus negativos em algumas manhãs. Por isso, fomos saber se os alunos flavienses também têm passado frio nos seus estabelecimentos de ensino.

No Agrupamento de Escolas Dr. António Granjo a realidade é aquela que se vive em muitas escolas do país.
“Essa situação verifica-se no agrupamento e é uma situação que naturalmente nos preocupa, como nos preocupa não fazermos o arejamento das salas. Podemos dizer que as salas podem ser arejadas nos intervalos. É certo que podem, mas há turmas que têm 25 ou mais alunos, e essas turmas estando dentro do mesmo ambiente 50 minutos naturalmente que o ambiente tem de estar arejado sob pena de estarmos ali a contribuir para o aumento de focos infeciosos no domínio da Covid-19. E aquilo que nós queremos é contribuir para o combater. Claro que estas temperaturas baixas implicam que os alunos não se sintam confortáveis”.

A diretora não esqueceu os professores e os auxiliares que partilham das mesmas condições dos alunos.
Paula Barros fez ainda questão de destacar o “sentido de responsabilidade” existente por parte dos alunos no que diz respeito à Covid-19, porque “felizmente os nossos jovens correspondem às normas que estão impostas dentro da escola, havendo, obviamente, uma ou outra exceção”.

A sede do Agrupamento Escolar Dr. Júlio Martins sofreu, há poucos anos, intervenções significativas possuindo, alguns dos seus edifícios, sistema AVAC (aquecimento, ventilação e ar condicionado).

“[Esta situação do frio] não acontece no nosso agrupamento. Tivemos de gerir algumas questões por causa de conciliar a questão do arejamento e do aquecimento. O Centro Escolar e o edifício da Escola Dr. Júlio Martins têm sistema de AVAC, portanto a renovação do ar é feita sem haver a necessidade de abrir as janelas”, afirma Joaquim Tomaz, diretor do agrupamento de Escolas Dr. Júlio Martins.

Nos restantes estabelecimentos de ensino pertencentes ao agrupamento o arejamento das salas de aula é feito durante os intervalos, e Joaquim Tomaz diz não ter conhecimento de casos de alunos a passar frio nas salas de aula.

Incerteza do orçamento gera preocupação relativa ao aquecimento

A sede de agrupamento com as instalações mais antigas é a Escola Secundária Fernão de Magalhães. Uma vez que o edifício é maioritariamente construído com pedra, as salas são mais frias. Para poder dar algum conforto aos seus alunos e docentes, o aquecimento tem estado “a funcionar em pleno. Até estamos a prever algumas dificuldades por causa dos gastos do consumo. E uma vez que ainda não há orçamento, e com este consumo a ultrapassar aquilo que era o normal de cada ano, visto que o frio também tem sido muito, não sabemos como irão ser as coisas. Temos três turnos de aulas, e com um edifício como este todo em pedra, o aquecimento torna-se mais difícil. Para já vamos conseguindo com aquilo que ainda está de carga nos depósitos. Depois, com o retardar do orçamento não sei como vamos fazer, uma vez que as empresas têm de ter logo a liquidação da fatura para vir fazer o carregamento do gás”, explicou Mário Carneiro, diretor do Agrupamento de Escolas Fernão de Magalhães.

“Está sempre uma porta ou uma bandeirola aberta para que possa haver renovação do ar”, mas o diretor do agrupamento garante que a temperatura das salas não desce ao ponto de os alunos se sentirem desconfortáveis e assistirmos ao cenário que vimos em outras escolas.

Maura Teixeira

In: A Voz de Chaves, edição de 14 de janeiro

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