Executivo municipal viu aprovado orçamento de cerca de 53 milhões de euros em reunião de Câmara e Assembleia Municipal. Nuno Vaz aponta missão humanista e solidária do orçamento que tem também o objetivo de promover a dinâmica económica e o emprego. 

 

“É dos maiores orçamentos do município ao longo da sua história, com mais de 53 milhões de euros de dotação”, aponta desde logo o autarca de Chaves, em entrevista À Voz de Chaves sobre o orçamento para 2021. 
Apesar das incertezas devido à pandemia de covid-19, Nuno Vaz lembra a criação de um orçamento “criterioso que se centra em duas áreas importantes no que diz respeito ao investimento que são economia e o social”.
“Equilibra muito bem aquilo que são as respostas às necessidades mais prioritárias da população, mas tem uma vocação de futuro, pois o investimento é feito nas áreas que entendemos mais qualificantes para termos um concelho mais atrativo, mais capaz e mais dinâmico”, garante.
Para Nuno Vaz, é também importante realçar a capacidade de execução próxima dos 85% que a autarquia já apresenta: “Quer dizer que são orçamentos cada vez mais realistas, cada vez mais próximos daquilo que vai ser a próxima execução. Não estamos perante um orçamento empolado, é realista”.
O saldo corrente é outro dos destaques dados pelo autarca, realçando os mais de nove milhões de euros.
“O dinheiro poupado, entre a receita corrente e a despesa corrente é de mais 9ME, significa que estamos a poupar na despesa corrente e a aplicá-la no investimento e já estamos a falar de mais de 9ME. É algo que desde 2018 tem vindo em crescendo, de 6 para 9ME e traduz o resultado de uma gestão criteriosa e competente dos últimos anos”, salienta.
A redução dos juros à banca pagos pela Câmara de Chaves permite ainda a capacidade de utilizar esses recursos no investimento.
“Em 2017 a autarquia gastava 1,4ME de juros à banca. Agora, para 2021, num orçamento sem escamotear nenhuma responsabilidade, falamos de juros à banca pouco acima de 100 mil euros e mesmo depois de regularizar a dívida das Águas do Norte, de uns juros de mora pouco acima de 30 mil euros”, concretizou. 

 

Freguesias apoiadas em mais de um milhão de euros

As transferências financeiras para as freguesias do concelho vão superar o milhão de euros, mas Nuno Vaz garante que as carências são ainda maiores.
“O esforço de poupança tem sido utilizado para investimento e tem sido utilizado para conseguirmos um território mais coeso e equilibrado a nível de freguesias”, aponta.
“As transferências financeiras para as freguesias são de facto um investimento crescente, nas pessoas, no território e em zonas menos urbanas e é uma meta que não está alcançada, há carência num conjunto de obras e requalificações que deve ser feito mas terá de ser de forma progressiva e equilibrada”, disse ainda. 

 

Investimento perto dos 25ME centrado na economia e social

A pandemia de covid-19 leva a Câmara de Chaves a pensar numa necessidade especial para a dimensão social e económica no concelho.
Para Nuno Vaz, é necessário um esforço de investimento para suprir necessidades a nível social seja para parte física, como habitacional, como bens essenciais.
Mas também é pensada a necessidade de investimento público para dinamizar a economia, pois “é o setor económico que tem mais impacto em todas as dinâmicas, em todas as cadeias de valor, empresas de construção civil, materiais, restauração, hotelaria e emprego em geral”.
Na área social, como grandes investimentos Nuno Vaz reforça a requalificação de bairros sociais: “Entendemos que as pessoas com menos recursos têm direito a habitações dignas e nesse particular estamos a fazer intervenções muito importantes nos bairros dos Aregos, Casas dos Montes e dos Fortes de 2,5 milhões de euros.
“Ao mesmo tempo queremos continuar a apoiar as famílias, seja no apoio à renda ou apoio a medicamentos, seja com a entrada em vigor em janeiro do projeto ‘Chaves Solidário’, com a distribuição de vales, que vai permitir que as famílias possam adquirir no comércio tradicional bens essenciais de primeira necessidade que sejam absolutamente necessários”, realçou.
Este vale ‘Chaves solidário’ será destinado a famílias carenciadas para que possam ter todos os meses um vale de 50 euros por pessoa para habitantes com idade superior a 13 anos, e de 30 euros com idade inferior a 13 anos.
“É uma forma muito robusta de apoiar o comércio tradicional e local, sendo que nos primeiros três meses de 2021 terá uma dotação de 250 mil euros”, atirou.

Investimento para as escolas

O orçamento de 2021 contempla também a continuação da requalificação dos estabelecimentos de ensino, bem como a aquisição de material, num investimento próximo dos dois milhões de euros.
“Será um investimento muitíssimo importante na requalificação do edificado afeto ao ensino, com intervenções para continuar na Fernão de Magalhães e Vidago, e intervenções na Nadir Afonso, Casas dos Montes ou Gonçalves Carneiro”, explicou.
“Vamos também dotar as escolas com mais material informático, material multimédia, com um conjunto de instrumentos que permitam que, em caso de necessidade, as atividades letivas possam ser feitas de forma presencial ou online sem perda de qualidade”, acrescentou. 

 

Aposta em turismo e cultura terá festival da água no verão

“Queremos em 2021 atrair de novo turismo e continuar a fazer investimento decisivo para que Chaves possa fazer o processo de afirmação que estava a fazer antes da pandemia”, assegura Nuno Vaz.
Para isso, estão desenhados três projetos com um investimento de cerca de um milhão de euros: o Cultura para Todos (480 mil euros), ‘Aquaefest’ (500) e o ‘Ateliês para a vida” (130).
“Temos previsto para a primavera/verão um conjunto de iniciativas de dimensão cultural e turística que vão por em evidencia um conjunto de iniciativas que são as nossas características singulares, no domínio do património e da água”, concretiza o autarca flaviense.
Sobre o grande festival da água, Aquaefest, este decorrerá no verão na margem direita do rio Tâmega. “Será um evento cultural, de três ou quatro dias, que pretende ligar a água, música, fogo de artifício e gastronomia num grande evento, com promoção nacional”, revelou.
Já o ‘Cultura para Todos’ envolverá “pessoas que necessitavam de uma atenção particular que estão isoladas no sentido que possam, com produtores locais, cooperar, colaborar e produzir algumas peças e serviços culturais que vão ser singulares por isso”. 

 

Arrancar piscinas cobertas e concretizar piscina termal exterior

Na componente económica, está previsto um investimento de dez milhões de euros para “induzir dinâmica económica no concelho e manter níveis de empregabilidade”.
“Para nós é a melhor forma de responder à crise”, garante Nuno Vaz.
Para 2021 são muitos os projetos previstos para serem concretizados e começados no concelho de Chaves.
“Vamos fazer um centro de recolha oficial de animais. Já em janeiro queremos começar, um investimento de mais de 350 mil euros cujo projeto tem melhorias face ao projeto inicial no orçamento participativo, distingue-se do canil, terá um conjunto de serviços de veterinária esterilização”, explicou.
Será ainda concluída a ecovia que liga Verín, em Espanha, ao concelho de Vila Pouca de Aguiar.
“É um investimento decisivo para o turismo, ter uma ecovia que liga Espanha a Vila Pouca, sendo que a ecovia se chamará ‘Tâmega e Corgo’ e resulta de um projeto de colaboração e cooperação, como defendemos ser essencial para ter maior dimensão. Esta ecovia internacional ligará Verín a Santa Marta de Penaguião”, salientou.
Para Vidago está prevista uma segunda ligação a Arcossó, na sequência das obras destinadas aos territórios ligados à barragem do Alto Tâmega do Sistema Electroprodutor do Tâmega. Está ainda previsto um projeto de requalificação da praia de Vidago e a intervenção na rua da Ermida, que venceu um orçamento participativo.
Além da abertura do concurso internacional para a requalificação das piscinas municiais cobertas, a grande novidade será nas Termas de Chaves, com a criação do projeto ‘Aquaesalutem’, que implica a construção de uma piscina descoberta.
Também em 2021 a autarquia espera ter finalizada a obra do Museu das Termas Romanas, sendo que isso implica também a reconversão da praça em frente ao tribunal.
“Queremos dar uma oportunidade àquele espaço e devolvê-lo à cidade”, garante Nuno Vaz.

Diogo Caldas

Partilhar

Comentários | Seja educado na sua opinião