A EB 2,3 de Boticas, a Escola Secundária Dr. Júlio Martins, em Chaves, e a Escola S/3 de Valpaços foram distinguidas com a Bandeira Verde Eco-Escolas, um galardão que reconhece “o trabalho de qualidade desenvolvido pela escola, no âmbito da educação ambiental para a sustentabilidade”.

Este programa, dinamizado em Portugal desde 1996 pela Associação Bandeira Azul para a Europa (ABAE) e desenvolvido a nível internacional pela Foundation for Environmental Education (FEE), é um projeto educativo que pretende melhorar o desempenho ambiental de cada escola participante, “envolvendo os alunos nos processos de decisão e implementação do programa”, em todas as suas fases.

Ao longo do último ano letivo (2019/20) os estabelecimentos escolares foram desafiados a dinamizar ações onde a redução do consumo da água, dos resíduos e da energia fosse visível, e foram também convidados a associar outros “subprojetos” no âmbito da preservação do ambiente.

Do distrito de Vila Real concorreram 18 escolas, num total de 1915 estabelecimentos escolares portugueses, de todos os graus de ensino. As três escolas do Alto Tâmega vão receber as bandeiras verdes no final deste mês, em Lisboa, e a cerimónia de entrega será realizada num formato adaptado à situação de pandemia em que vive o país.

Ana Gomes: “Estamos a educar os Homens de amanhã”

É a segunda vez consecutiva que o Agrupamento de Escolas Dr. Júlio Martins é distinguido com a Bandeira Verde Eco-Escolas, uma distinção que é sempre recebida com bastante satisfação e orgulho por toda a comunidade escolar.

“Estamos muito satisfeitos por receber mais uma bandeira, mas mais ainda por ver que o projeto está a andar, devido ao empenho e trabalho de toda a comunidade escolar, que era um dos meus principais receios no primeiro ano em que participámos”, confessa a coordenadora do projeto Eco-Escolas do Agrupamento de Escolas Dr. Júlio Martins, Ana Gomes.

O projeto começa a ser desenvolvido no início do ano letivo, altura em que são identificados pelos alunos os principais problemas existentes na escola e em casa, como, por exemplo, consumos desnecessários ou comportamentos diários pouco sustentáveis. Estas problemáticas são analisadas pelo Conselho Eco-Escola, que é formado pelos representantes dos alunos (delegados Eco-Escola), da direção do agrupamento, da autarquia, das juntas de freguesia, da associação de pais, dos auxiliares de ação educativa, pelos coordenadores dos diferentes ciclos de ensino, pelas coordenadoras da biblioteca escolar, professores, e, posteriormente, é apresentado e aprovado o plano de ação com as principais atividades que devem ser realizadas durante o ano letivo por toda a comunidade escolar, que vão desde a separação e colocação de resíduos no ecoponto até à contagem dos gastos com a luz e água do agrupamento. No arranque do novo ano escolar os alunos elaboram também um “mural” ou “árvore dos compromissos” em cada uma das escolas, dando origem ao Eco-Código com os vários objetivos que pretendem alcançar ao longo do ano.

A coordenadora revela que nos dois últimos anos muito tem sido melhorado, no entanto, considera que ainda há muito por fazer.

“Os pais vão à escola e já se apercebem” dos resultados, sublinha Ana Gomes. “Estamos a educar os Homens de amanhã e é desde pequeninos que devemos fazer esse trabalho. Eles já se mentalizaram que temos de ser amigos do ambiente para termos um futuro melhor”. Para ajudar a este trabalho, no agrupamento foram criadas “brigadas de limpeza”, “brigadas de monitorização” e dois clubes, o “Clube Sustentável” e o “Clube Pegada Verde”, para discutir temas relacionados com o ambiente, fazer as monitorizações, trabalhos de reutilização de materiais para decorações, exposições e atividades.

Além dos temas base propostos pelo programa Eco-Escolas desta última edição, os alunos flavienses abordaram a alimentação saudável e sustentável, a floresta e as comunidades sustentáveis.

Na semana da alimentação, os alunos criaram até uma mercearia com vários alimentos, que após a atividade foram doados ao Patronato de São José. A atividade “No meu tempo não era assim” contou com a presença de pais e avós, onde conheceram e recordaram vivências e rotinas, evocando objetos e utensílios de outros tempos bem mais sustentáveis, uma iniciativa que contou com a colaboração do Centro Social e Cultural de Vilarelho da Raia.

A monitorização da água, luz e resíduos era uma das atividades que estava a ser realizada pela comunidade escolar antes do aparecimento da covid-19. Mesmo com as escolas encerradas, em março, os alunos não deixaram de lado as preocupações ambientais e continuaram a por em prática o projeto Eco-Escolas. Em casa, os pais e a família destes estudantes foram os principais aliados na luta contra o desperdício e na preservação do ambiente.

“Este é também um dos nossos objetivos: fazer na escola e levar para casa, levando também os outros a fazer. Eu ao mudar de atitude vou fazer com que os outros mudem também de atitude”, explicou a professora do Agrupamento de Escolas Dr. Júlio Martins, acrescentando que o apoio dos professores que lecionavam via online foi fundamental para continuar a passar a mensagem aos alunos para continuarem a participar nos desafios propostos pelo programa eco-escolas, uma vez que foi impossível continuar o plano de ação. Nessa altura, os alunos elaboraram trabalhos sobre as árvores autóctones da região, os insetos existentes nas hortas, o sal que consomem, criaram uma horta em casa e cozinharam refeições saudáveis em família. O plano de ação do Eco-Escolas é composto também por atividades propostas pelos professores das diferentes disciplinas e relacionadas com a educação ambiental.

Além de ter distinguido o agrupamento flaviense com a bandeira verde, o Eco-Escolas atribuiu o primeiro lugar ao trabalho da aluna Inês Rodrigues, do 5º ano F, no concurso “O mar começa aqui”, e entregou uma menção honrosa ao trabalho elaborado pelo aluno Guilherme Silva Trinta, do pré-escolar da sala 0E, com o nome “Horta Bio…em casa”, ambos realizados durante o confinamento.

A Bandeira Verde Eco-Escolas será içada em todas as escolas pertencentes ao Agrupamento de Escolas Dr. Júlio Martins, tal como aconteceu na última edição do projeto.

Em Chaves, a iniciava contou com vários parceiros, entre os quais, o município, juntas de freguesia, Bricomarché, AKI, Continente-Modelo, Pingo Doce, Agriloja e Florista Andreia.

Escola S3 de Valpaços

Também a Escola EB 2,3 de Boticas foi galardoada, pela nona vez, com a Bandeira Verde Eco-Escolas. A Câmara de Boticas foi igualmente distinguida, pelo quinto ano consecutivo, como “Município Parceiro Eco-Escolas”, pela colaboração e parceria na implementação do programa Eco-Escolas durante o ano letivo 2019/2020.

Em Valpaços, é a segunda vez consecutiva que a Escola S/3 vai içar a bandeira verde, segundo divulgou na sua página oficial a Câmara de Valpaços.

Cátia Portela

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